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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Todos terão que responder por seus atos



Hoje no Brasil, qual é a paixão que nós vemos mais frequentemente ser noticiada? Nós estamos enredados nisso, na ganância, na ambição desmedida, na cegueira do sofrimento que você causa ao tentar acumular dinheiro, esconder na Suíça…Fazer coisas assim é cegueira completa, porque pessoas estão morrendo nas filas dos hospitais porque faltam remédios, implementos, socorro…
Então aquele que rouba e desvia na verdade é um assassino, dá para imaginar esse imenso carma? A imensa consequência? Depois esse carma renasce no mundo e sofre terrivelmente, violência, roubo, agressão e não sabe de onde vem mas ele provocou isso, é consequência.
Aí quando nós olhamos, dizemos: é injusto. Não, o universo em si não tem nada injusto, ele pode demorar para mostrar o seu resultado, mas o resultado vem, o resultado virá, em algum momento surgirá o resultado, será invisível, você não saberá o porque e isso que é difícil. É como se, por ventura, quando criança você tivesse colocado ao mão numa máquina e perdido o dedo, aí você é adulto e não tem o dedo, você nem lembra daquele acontecimento, mas o dedo está faltando. (Continua)

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Arrastados pelas paixões



Nós sabemos o que eleva e o que rebaixa. Você como praticante espiritual vai lá e olha a beleza, mas você não pode se envolver com a paixão em si. Você vai lá e olha uma ópera linda, a música... é lindo o enredo de paixão, de paixão enlouquecedora. Mas você tem que olhar do lado de fora, não como quem entra e se deixa arrastar, essa é a diferença.
As paixões são muito incríveis, nós temos várias fotos e filmes e coisas assim no século XX de pessoas entusiasmadas com guerra. Quando em 1914 a primeira guerra mundial foi declarada, o povo foi pra rua festejar, quando você vê as fotos dos soldados indo para a batalha em trens eles estão sorrindo, estão achando glorioso ir para a batalha. Nas guerras das Malvinas 1982/1983 o povo argentino foi para a rua festejar. Nós vamos para a guerra, vamos tomar as ilhas, e eles foram festejar. Glória, vamos vencer!
E isto mostra bem como os seres humanos se deixam levar pelas paixões da maneira mais cega, da maneira mais absurda, não enxergam a quantidade de sofrimento e tudo o mais que vai acontecer. (Continua)

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Apreciar a beleza é ouvir a voz de Buda



Aluno: Em relação às paixões, as coisas que não são fruto da criação do homem como a natureza, os animais... Nós podemos cuidar delas? Podemos gostar delas, mas não ver com olhos de ser uma paixão?
Monge Genshô: Gostar em si, apreciar e ver a beleza em si não é uma paixão, a paixão é aquilo que arrasta, imagine que você é uma folha e o vento sopra e toca de um lado para outro e você vai batendo em paredes, árvores, coisas assim e sendo arrastado. A paixão é assim, é como loucura, ela não tem discernimento, não tem lucidez, isso é que é a paixão. Mas apreciar a beleza é ouvir a voz de Buda, é ver a voz de Buda, por isso o mestre diz: Ouves o som do regato? Sim? Então não tenho mais nada a te ensinar.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O sofrimento é um caminho muito curto



Aluno: Em várias religiões é possível notar que para qualquer tipo de iluminação há uma necessidade de sofrimento, de dor. É isso mesmo? Precisamos dessa dor?
Monge Genshô: Não, não precisa. Mas o sofrimento é um caminho muito curto. Vou fazer um paralelo. Se nós estamos sentados em Zazen e dói, há grande desconforto. Se o desconforto for muito grande, você não pensa em outra coisa, você só quer que toque o sino. Então um grande desconforto não ajuda. Algum desconforto é ótimo. Porque nós como seres humanos só procuramos o Dharma porque nossas vidas não são perfeitas, se elas fossem maravilhosamente perfeitas, se tudo que nós quiséssemos desse certo, fosse maravilhoso, fôssemos amados, tudo perfeito nós não o procuraríamos.
Dizemos assim: A vida dos Deuses. Os Deuses não procuram o Dharma, os homens procuram o Dharma porque suas vidas são mescladas de prazer e dor. Porque existe prazer e dor então procuramos o Dharma, procuramos solução, isso é o que acontece com os homens.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

As palavras são mantras



Nós temos que cuidar do que nós dizemos, as palavras que usamos, porque elas também são mantras, parece que as pessoas não se preocupam mais com isso, usam palavrões como se fossem vírgulas. Mas, na verdade, cada vez que você faz isso dá uma ordem para o seu cérebro para admitir aquilo como normal, e à medida que nós admitimos como normal e vamos lidando assim, nossa mente fica condicionada por aquilo. Se vocês acreditam que fazer orações ou dizer coisas boas muda a mente, porque dizer coisas ruins não muda a mente? Muda sim, não existem coisas inocentes a esse respeito. Nossa mente é plástica e pode ser construída, nós temos que cuidar da nossa mente.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Enfraquecendo as paixões



Então se sentarmos em zazen e surgem as paixões, o que a gente faz? Descarta, descarta, descarta…
Sentados durante dias (num sesshin) olhando para a parede podem surgir mil paixões, raivas, opiniões, desejos... Se você olhar para a parede muito tempo e se cada vez que surgir a mesma ideia, você descartar, a ideia cansa. E aí depois de alguns dias, como se fossem cinza, elas se juntam no rodapé da parede, caíram, cansaram, não existem mais. Neste momento você está livre, porque as paixões são aprisionamentos que se deixados livres, aumentados ou acalentados crescem, crescem e podem fazer de você uma má pessoa, e geram péssimo karma. Por isso eu digo sempre aos meus alunos: cuidem do que leem, o que veem, o que conversam, como quem convivem. Porque se você ler coisas, olhar coisas que incentivam as paixões, elas só aumentarão.