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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A Relevância da Vida





Aluno: Como é possível se conectar sem se apegar e não se apegar sem que tudo se torne irrelevante?

Monge Genshô: Na verdade todas as coisas são irrelevantes. Diga-me uma coisa verdadeiramente relevante.

Aluno: A vida.

Monge Genshô: A vida é relevante. No entanto, o que a vida é se não, a cada momento, a própria morte? Você a todo o momento está morrendo. Quando você se levanta de manhã e olha no espelho, vê o trabalho da morte, não é? Mais uma ruga, mais um dente que está caindo. É assim, não é? Nós pensamos que somos relevantes, mas não somos. Estou falando a uma plateia de condenados à morte, só que ninguém sabe o tamanho da corda que está pendurada no pescoço - estamos todos caindo de um precipício, e daqui a pouco para um de nós aqui a corda estica. Nós não sabemos qual de nós vai morrer primeiro. 
Eu recebi um convite para o aniversário do meu irmão. Ele vai fazer 70 anos. Isso quer dizer que daqui a pouco eu vou fazer também. Qual é a expectativa média de vida no Brasil? 73 anos. Na média, daqui a três anos eu estarei morto. Nós não sabemos. A vida é relevante? Nada é mais relevante do que se libertar de todo o medo, agonia, porque, do contrário, o que sobra?

 O planeta vai acabar, a vida vai acabar, a nossa raça humana vai acabar. A Terra já sofreu cinco grandes extinções, e uma extinção um dia virá para nós. Quem sabe daqui a 200 anos todos nós já não seremos obsoletos e seremos substituídos por seres mecânicos que nós mesmos tenhamos criado... Seres meio mecânicos e meio inteligentes, com capacidades de raciocínios superiores que digam: olha só como há 200 anos eles eram primitivos!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

A História de Buda (parte 4: O Despertar)





Restabelecido, Shakyamuni senta-se e fica 7 dias em Zazen, enquanto nós ficamos 40 minutos. Ao amanhecer, surge a estrela da manhã, e repentinamente ele vê o seu engano, que foi ter acreditado em si mesmo todo esse tempo. Ele diz: "tu, meu eu, tu não me enganarás mais".

É neste momento, em que ele vê a estrela da manhã e desperta, que ele vira Buda. Até esse momento ele é só Shakyamuni. Aí você diz: seis anos, foi tão rápido! Mas foram seis anos que ele não fez mais nada além de jejuar, praticar, sem nenhum momento ceder a nenhum desejo pessoal de conforto, alimento ou coisas assim. Seis anos de prática realmente.

Então ele pôde se levantar, pois entendeu todas as coisas, a origem do sofrimento, a cessação do sofrimento, qual é o caminho para cessar o sofrimento, como é que o sofrimento nasce. Nós acreditamos em nós mesmos, e por isso sofremos. Nós acreditamos na permanência, por isso nós sofremos. Existe uma saída para o sofrimento, que é abandonar essas crenças falsas em nós mesmos e todas agregadas. A origem de todas as coisas é interdependente: nada surgiu do nada, nada foi criado. Todas as coisas dependem umas das outras e existe uma interdependência. Tão simples.