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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Cessando o Ciclo de Renascimento




A causa fundamental do descontrole que gera o ciclo de novas manifestações cármicas é o primeiro elo, a ignorância: a mente que se agarra à existência inerente. Sob o jugo da ignorância cometemos ações virtuosas e não virtuosas, as causas de nossos renascimentos em condições melhores ou piores. Tais ações denominam-se composição, constituem o segundo elo, e cada ação de composição imprime uma marca na nossa mente, samskara. A consciência que recebe essa marca é o terceiro elo, chamado vijnana. Essas causas projetantes vão criando os efeitos projetados às causas próximas e os efeitos estabelecidos dos dois últimos elos, que são os efeitos correspondentes às causas anteriores.

Se olhamos esses doze elos nessa sequência, compreendemos o processo de novas manifestações cármicas e porque surgem os seus sofrimentos. Os sofrimentos surgem basicamente da ignorância - força motora que desencadeia todo esse processo de repetição. 

A cessação completa da ignorância seria a extinção desse acorrentamento a uma repetição sem fim. Assim, os métodos budistas são investir um esforço para desenvolver a sabedoria, meditando sobre a vacuidade e desenvolvendo uma mente compassiva, que compreende a interdependência de todas as coisas, para que esses elos enfraqueçam e, por fim, cessem.

Então, ao atingir a extinção da ignorância, superamos o renascimento cíclico e interrompemos o continuum de sofrimento. A cessação desse continuum é a libertação ou o nirvana, o estado além da dor. Atingindo a libertação, não seremos mais projetados em novas manifestações cármicas controlados por delusões. Poderemos experimentar novas manifestações cármicas incontaminadas.


[Trecho extraído de palestra proferida em Florianópolis, 23/08/2016, por Meihô Genshô Sensei]

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Os 12 Elos da Roda da Vida (parte 3)




O nascimento leva à morte. O processo de envelhecimento chama-se jaramarana. Ele inicia no instante do nascimento e leva todas as condições de vida até a morte. Então esse último elo é o envelhecimento e a morte interdependente.

Esses doze elos revelam um processo que nos prende a um ciclo que se repete. Então você nasceu, tem uma existência, uma manifestação humana, e essa manifestação humana, se é ignorante, não consegue enxergar as características que nós falamos no início: impermanência, vacuidade de um eu que é ilusório, construído, que a existência é cíclica. Quando a pessoa não enxerga isto ela é ignorante.

A ignorância leva às marcas cármicas, samskaras; à consciência interdependente, vijnana; ao nome-forma nama-rupa; às seis fontes, sandayatana; ao contato, sparsa; à sensação, vedana; aos anseios, tanha; ao apego, padana; à existência interdependente, bhava; e a um novo nascimento, que vai gerar um novo envelhecimento, que vai gerar uma morte, que arrastando a ignorância repete todo o ciclo. Isto é, no fundo, uma descrição do nosso acorrentamento a ciclos repetidos.

[Trecho extraído de palestra proferida em Florianópolis, 23/08/2016, por Meihô Genshô Sensei]

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Os 12 Elos da Roda da Vida (Parte 2)


Bhava é a ação mental ou intenção causada pelos dois elos anteriores: o anseio e o apego. É a causa imediata de um novo renascimento de uma existência cíclica. Sua natureza determina se nós teremos uma manifestação virtuosa ou não. Se os nossos impulsos são negativos, essa próxima manifestação terá essas características. Se os nossos impulsos são positivos, a nossa próxima manifestação terá essas características positivas. Embora o anseio e o apego sejam delusões, na hora da morte eles causam uma mente com determinado direcionamento e podem definir em que tipo de lugar nós vamos renascer. Em que tipo de família, em que tipo de país, em que tipo de ambiente, em que tipo de reino, na linguagem budista.

Isso nos leva ao décimo primeiro elo, que é o nascimento interdependente, jhati. Este elo significa que esse quantum cármico reuniu suficiente energia para uma próxima manifestação, e isto faz com que ele ingresse nesta. Então há uma vida nascendo e este quantum se incorpora nessa vida nascente, e é isso que cria as diferentes condições mentais de nascimento, as personalidades etc. Elas só podem ocorrer se há afinidade entre a genética daquele ser e aquele quantum. Você não se manifesta numa genética não afinada com aquilo que você na realidade é.

(continua)

[Trecho extraído de palestra proferida em Florianópolis, 23/08/2016, por Meihô Genshô Sensei]