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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Interconexão e Oportunidade



Como dizia Adam Smith, no Riqueza das Nações: a soma dos pequenos egoísmos individuais leva à riqueza da nação. Mas a pergunta moral é: é lícito que eu execute um ato, que eu aja de uma determinada maneira? Você tem de se perguntar: se todas as pessoas agissem como eu, fizessem isto, o que aconteceria? É uma pergunta lógica… vamos supor que todos se tornassem monges, quisessem mendigar comida e não trabalhar mais, o que aconteceria? Colapso total. A existência de monges (que, do ponto de vista econômico, são parasitas) só é possível se a sociedade tiver riquezas suficientes para sustentar essa parasitagem. E este sempre foi o problema do surgimento de instituições religiosas, em toda a história da humanidade, porque ela depende de excedentes alimentares. Só quando há excedente alimentar você consegue alimentar o xamã da tribo… senão, ele vai ter que sair atrás de comida também.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

A Revolução Humana (parte 2/2)




Nós temos essa discussão frequentemente sobre a questão dos animais: as pessoas colocam no Facebook um sujeito que maltratou um cachorro - é um criminoso, é isso, é aquilo etc. Eu sempre tenho vontade de colocar um comentário assim: “você já foi a um matadouro? Você comeu galinha hoje na refeição? Vitela, quem sabe? Parece que sua piedade é só para cães e gatos, não é?” 

Há grandes doses de hipocrisia nesse nosso comportamento. Como ser humano, você perguntaria se é natural matar e comer os outros? Claro que é, perfeitamente natural. Afinal de contas, nós chegamos até aqui matando e comendo os outros seres. Foi assim. Mas a pergunta é: nós ainda somos aquele tipo de animal ou estamos nos transformando num outro tipo de ser? A nossa consciência está nos cobrando um outro tipo de comportamento? O que é que está acontecendo? Estas são as perguntas que tínhamos que fazer. 

Mais do que cultural, natural. Caçar é mais do que cultural: é natural. No entanto, se você perguntar aqui nesta sala se alguém é caçador, se alguém sai com armas atirando nos animais, a resposta é não. Mas nosso comportamento continua sendo semelhante.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A Revolução Humana (parte 1/2)




Aluno: eu penso que esta questão de subir na carreira é algo cultural e não da natureza humana.

Monge Genshô: nós podemos observar isso na natureza. Há uma ciência chamada Etologia, que nos permite distinguir bem estas questões. Quando temos alguma dúvida sobre seres humanos, podemos olhar para os macacos. E se você observar uma tribo de macacos, notará que tem o chefe dos macacos, o mais poderoso dos macacos, que dá cascudos nos macacos mais fraquinhos, e que fica com todas as fêmeas para ele. Não tem? Então, vamos dizer assim, não é bem uma coisa da natureza humana pois nós somos herdeiros de comportamentos que, digamos assim, foram geneticamente vitoriosos. 

Todos nós somos descendentes dos maus. Não somos descendentes dos que ficaram passivos, dos budas, dos monges budistas celibatários dos tempos de Buda, porque eles não tiveram filhos. Nós somos descendentes dos soldados que iam e conquistavam outros países, que estupravam, ou seja, somos descendentes dos maus. E nós deveríamos reconhecer isso em primeiro  lugar. E o comportamento animal também é esse. Os animais que derrotaram os mais fracos, que se reproduziram, os primatas, nós somos uma espécie deles. Então, uma coisa que nós temos que fazer logo é reconhecer nossa verdadeira natureza, e não colocar a culpa na cultura. Olhar para dentro de nós mesmos e dizer: esse é o meu comportamento básico. Agora eu, como homem, como é que eu, adquirindo consciência, mudo meu comportamento?


(continua)