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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Sonho e Realidade


SONHO E REALIDADE
Nida Chalegre

Do sonho resta a memória

Da realidade também

Quando passa

o momento real

como no sonho

fica apenas a

lembrança


Sonhar e viver

é a mesma coisa

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Zazen


Quando praticamos zazen, nossa mente sempre segue a respiração. Quando inalamos, o ar entra em nosso mundo interior. Quando exalamos, o ar sai para o mundo exterior. O mundo interior não tem Limites e o mundo exterior também é ilimitado. Nós dizemos "mundo interior" e "mundo exterior", mas, na verdade, só há um único mundo. Nesse mundo sem limites, a garganta é uma espécie de porta de vaivém, O ar entra e sai como alguém passando por uma porta de vaivém. Se você pensa "eu respiro", o "eu" está a mais. Não há um você para dizer "eu". O que chamamos "eu" é apenas uma porta de vaivém que se move quando inalamos e exalamos. Ela simplesmente se move, eis tudo. Quando sua mente está pura e calma o suficiente para seguir esse movimento, não há nada: nem "eu", nem mundo, nem mente, nem corpo. Só uma porta que vai e vem.

Assim, quando praticamos zazen, tudo o que existe é o movimento da respiração e, no entanto, estamos cônscios desse movimento. Não devemos nunca nos distrair. Mas estar consciente do movimento não significa estar consciente do eu pequeno, e sim da nossa natureza universal, ou natureza de Buddha. Esta consciência é muito importante porque em geral somos unilaterais. Nossa compreensão habitual da vida é dualista: você e eu, isto e aquilo, bom e mau. Na realidade, tais discriminações são, elas próprias, a consciência da existência universal. "Você" significa estar consciente do universo na forma de você, e "eu" significa estar consciente do universo na forma de eu. Você e eu somos portas de vaivém. E necessário este tipo de compreensão; porém, nem sequer deveria chamar-se compreensão já que é, isto sim, a verdadeira experiência da vida através da prática do Zen.
Shunryu Suzuki

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O tempo e o zen


O filósofo japonês e Mestre Zen Eihei Dogen Zenji (1200-1253) em seu célebre texto Uji (Ser-Tempo), coloca uma interpenetração ou quase identidade entre “ser” e “tempo” e fala desse ponto do tempo:

“Tempo não apenas passa - ainda que mesmo então ele não seja separado do eu - mas ao mesmo tempo está contido em cada instante presente, mesmo aqui e agora em mim, e em cada um daqueles pontos do meu ser-tempo os outros tempos estão incluídos. Ainda que meu instante presente seja sempre um ponto na passagem do tempo, este ponto único inclui os outros pontos passados e futuros.”

Para um Zen Budista, o tempo e o ser têm uma indissolubilidade, cada ser-tempo vive seu ser-tempo e o tempo próprio é uma experiência única e distinta do ser-tempo de outros. E o tempo não passa como um fluir de ir e vir, ele apenas e completamente é. O ser, nos seus movimentos, muda, e não o tempo, no entanto ele é fluido. Este contem toda a experiência, incluindo um passado distorcido não importante e um futuro sobre o qual a afirmação de “provável” não tem sentido, apenas um "possível"de tamanho infinito. “Existe somente o presente imediato, no qual todo o tempo e todo o ser está englobado” (Dogen).

George Vittorio

sábado, 27 de dezembro de 2008

Cobranças


P: O que se faz quando se quer estar com pessoas amadas (pais idosos) mas os encontros são sempre queixosos , carregados de cobranças e nos fazem sentir sempre exauridos?

R: Nos exaurimos se aceitarmos que são cobranças, se os olharmos com a compreensão dos sentimentos deles e dermos o amor que temos para dar, que não é tudo que eles querem mas que é aquilo que temos, este encontro será de doação e nossos ouvidos ouvirão as queixas mas não nos sentiremos culpados por elas. Concordamos, podemos dizer: pai , mãe , este é o presente que eu tenho para lhe dar...minha presença, estou aqui por vocês...e continuarei voltando no meu ritmo possível, porém não posso levar em conta todas estas palavras pois elas são exigências que não posso cumprir pois não tenho tanto aqui para entregar, e meus filhos me demandam mais, e para eles eu darei muito mais do que eles me darão no futuro, assim como acontece aqui entre nós...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

As três peneiras

Há muitos séculos atrás, num mosteiro budista, após a cerimônia noturna, o Monge Abade se retira para o seu merecido descanso e enquanto tomava calmamente o seu chá, à luz de apenas uma lamparina de óleo. Fazendo entreabrir a porta de correr, feita apenas de madeira e papel de arroz, entra um dos monges instrutores do templo, reverenciando profundamente o mestre.

Indagado pelo Abade sobre o motivo de sua visita a essas altas horas da noite, o monge lhe diz que o motivo de sua visita é contar ao mestre sobre alguns comentários que estão correndo no templo sobre um outro instrutor.

O Venerável Abade, então, lhe diz em sua profunda sabedoria:

- Calma! Antes de me contares algo que ouviste sobre outra pessoa, gostaria de lhe perguntar: Já fizeste passar essa informação pelas Três Peneiras da Sabedoria?

- Peneiras da Sabedoria, Venerável Mestre? Espanta-se o monge.

- Sim, as Três Peneiras da Sabedoria. Tudo o que ouvires falar sobre os outros, deve passar pelas Três Peneiras da Sabedoria, antes de ser retido, acreditado e repassado. Ouça com atenção e me responda: Tens absoluta certeza de que o que te contaram é realmente verdade?

- Não, não tenho certeza Venerável Mestre. Apenas sei o que me contaram. – Disse meio sem jeito o monge.

- Então, se não tens certeza, a informação já vazou pelos furos da primeira peneira que é a da profunda investigação da Verdade. Agora ela repousa sobre a segunda peneira, e por isso eu lhe pergunto: - O que tens a me dizer é algo que gostaria que dissessem sobre ti?

- De maneira alguma, Mestre! É claro que não! Diz o monge.

- Então tua estória acaba de passar pelos furos da segunda peneira que é a da compaixão, pois nunca deverias dizer ou fazer a alguém aquilo que não quisesses que fizessem ou dissessem de ti. Agora, tua estória repousa sobre a terceira e última peneira, e por isso lhe faço a última pergunta: - Achas que me contando essa estória sobre o seu irmão e companheiro de mosteiro, ela será útil a ele de alguma maneira?

- Não, Mestre, - respondeu já ruborizado o monge -. Refletindo profundamente, sob a Luz da Sabedoria, vejo que nada de útil poderia surgir dessas estórias e boatos.

- Então, essa estória acaba de vazar pela terceira peneira, para dissolver-se na terra. Nada restou para contar. E assim, lembra-te sempre que devemos ser como as abelhas que mesmo no mais imundo dos pântanos, buscam sempre as flores para delas retirar o doce néctar e nunca como as moscas que mesmo em um corpo sadio, buscam as feridas para delas se alimentar.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Pérola resplandecente


Todo este Universo
em todas as direções
através do espaço e do tempo
é uma pérola resplandecente.

Nem vasto, nem estreito,
nem quadrado ou redondo
não duas ou três,
mas apenas uma pérola resplandecente.

O corpo existe agora e a mente existe agora
igualmente, todo o Universo é uma pérola resplandecente
não se trata de grama ou árvores aqui ou ali,
nem de montanhas e rios em todos os pontos cardeais
trata-se de uma pérola resplandecente

Mesmo que a aparência do seu girar e do seu não girar
pareça estar mudando constantemente,
tudo é apenas a pérola resplandecente.

(Dogen Zenji 1200-1253)
(Cortesia Koun)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Fim de ano



I -

No mundo inteiro é fim de ano

clamores de homens e mulheres

só, em minha choça de ervas, na calma

mais perfeita

como agradecer a Buddha?

Me sento em zazen e queimo incenso



II –

O tempo passa suavemente, é fim de ano

debaixo do céu, uma escarpa severa

dez mil montanhas, as folhas das árvores

tem caído

mil sendas, quase ninguém

toda noite queimo folhas secas

de vez em quando escuto o ruído

do vento e da chuva

olhando para trás me vem o passado

tudo não é mais que um sonho


Monje Ryokan Taigu (1758 - 1831)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Ordenação de Rui Ikkô



Com o nome monástico de Tai Zui Ikô (Monge Ikô), foi ordenado como noviço na ordem Soto Zen, o líder do grupo zen de Campina Grande, Paraíba, Rui Ikô. A ordenação foi feita por Monja Coen ao final do Rohatsu Sesshin em São Paulo. Noviços preparados, regularmente ordenados segundo as tradições, com seus crânios raspados como Ikô San, dão ao budismo zen a esperança de florescimento e propagação do Dharma sem que este enfraqueça.

Palestra e Aikidô




Hoje estarei, por convite de Monja Isshin, fazendo uma palestra na Associação RS Aikikai, para alunos de Aikidô e interessados no zen budismo das Sanghas irmãs Águas da Compaixão e Sangha Aikikai . Os que desejarem comparecer são bem vindos.

Hora: 19:00 h - início de meditação às 19:15 h, após palestra com perguntas e respostas.

Local:
Dojô Porto Alegre Aikikai da Associação RS Aikikai
Av. Cristóvão Colombo, 378
Bairro Floresta (em frente ao Shopping Total) - Porto Alegre, RS

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Escrituras budistas



Na foto acima vemos uma coletânea (Triptaka)de escrituras buddhistas, abrange os discursos de Buddha, as regras monásticas criadas por ele e comentários filosóficos, o tamanho dos textos disponíveis deixados por Buddha é impressionantemente maior do que o disponível em outras tradições, normalmente limitadas a um único volume.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Fim de ano


Fotos: Michel Seikan. Local cedido por Guilherme Gimyô.

Confraternização de fim de ano, membros da Sangha de Florianópolis passeiam no campo em Águas Mornas. No local cachoeiras, animais, montanhas. A prática centra-se na palavra correta: nada dizer que possa ferir, nem por brincadeira, não contar anedotas maliciosas, nem criticar mesmo pessoas ausentes, só falar o que eleva e produz harmonia.
Uma sequência de mais de 90 fotos aqui

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Nem esotéricos nem exotéricos


Diz Dôgen Zenji no Shobogenzo Zuimonki:

"Meu Mestre disse: Hoje aqui, amanhã desaparecidos! A questão da vida e da morte é o mais importante para nós! Se quisermos aprender ou praticar o que seja nesta vida que se esvai a cada momento, devemos praticar o Caminho. A prosa e a poesia são de uma inutilidade absoluta, para nós praticantes Zen. É melhor desistirmos dessas coisas o quanto antes! Estudando o buddhismo, não devemos nos enfronhar em muitos assuntos, menos ainda em quaisquer ensinamentos, esotéricos ou exotéricos. Isto também vale para as palavras dos buddhas e ancestrais."

Do blog Tentando não fugir

Comentário: Nem ensinamentos secretos ou públicos são importantes, o relevante é a prática, pergunta-se então porque escrevemos e falamos sobre o Dharma, é que é o único instrumento que temos. (M.Genshô)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Individualidade e ilusão


Como o carma pode funcionar para cada indivíduo, se a individualidade é apenas ilusão? A parte que me causa problema é imaginar que a individualidade é totalmente ilusória. Se o que o que o senhor diz é a verdade, parece que se anularia a noção de progresso: o universo daria sempre no mesmo. Para que ter consciência se, na cena final, na vitória final,vai-se compreender que o ego e a individualidade são sustentados pela desejo ardente de defender o ''eu''? O ser consciente chega a essa realização e a consciência, com esse valioso conhecimento e com vidas de experiência, se apaga?

Muito interessante a pergunta. Até porque é exatamente assim que o universo parece se comportar. Ele não parece ser infinito. Se o fosse, quando você saísse ao relento, à noite ,o céu seria branco, reluzente como o sol, porque para qualquer ponto que você olhasse, veria uma estrela e, na infinitude, não haveria pontos sem luz.

Para o Budismo, os universos são cíclicos e múltiplos. Não se destinam ao surgimento de seres, simplesmente acontecem ''big bangs'' e colapsos finais em que tudo desaparece, ou em entropia, ou em implosões. Mesmo assim, tais explicações não importam ao Budismo, que não tem como objetivo dar explicações científicas, mas visa à libertação. Obtida esta, o próprio Budismo deve ser abandonado, como um barco que serviu para atravessar um rio.

O carma tem repercussões nas ondas de manifestação individuais, que não são o mesmo ''eu'', tal como a chama que acende uma vela não é a mesma chama. Mas, de outro ponto de vista é a mesma chama... Assim são as vidas, chamas que são passadas, sem individualidade, mas guardando suas características.

Os tempos universais têm progresso, mas ele não é contínuo e há retrocessos. Não tenho dificuldade em imaginar a onda de um criminoso nazista se manifestando em um cachorro sarnento em um país miserável por milênios, até que seu carma se esgote... Também basta colocar o pé na Alemanha para ver que os jovens alemães de hoje sofrem o carma que herdaram do passado de seu país. Temos o carma de nosso país, de nossa família, de nossa onda individual, de nosso planeta...

A unidade a que pertencemos tem tudo. Nós é que nos perdemos nesta pequenas e limitadas manifestações individuais. Nada há para ser perdido. Nem para ser obtido. A iluminação é libertação desse eu aprisionado, limitado, sem conhecimento. Um universo cessa quando seus carmas se esgotam, quando a energia se equilibra sem distinções. Querer guardar algo, obter algo para um eu individual é a cegueira básica que impede a iluminação.

A iluminação já está aqui, agora, só não a vemos porque a ilusão do eu deseja obter sabedoria, poder, vitórias, conhecimentos, mergulhando-nos em um sonho sem fim. É por isso que despertar desse pesadelo é que faz de um homem um Buda. Buda, afinal, quer dizer, Desperto, O que acordou.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Individualidade


Se no futuro não teremos individualidade, qual a razão para passarmos, durante esta vida, por um período em que a individualidade nos parece tão importante?

Me diga por qual motivo você acha que é necessária uma razão para seu ego além do simples fenômeno.
Se bem entendo me parece que você deseja que haja um plano, um propósito para sua existência individual.
No zen diria que isto é apenas mais uma manifestação egóica, a individualidade é uma ilusão proporcionada pelo fenômeno da consciência, se assim é desejar um propósito para nossa existência é mais uma maneira de desejar sua permanência, ou seja a permanência da ilusão. Resta considerar que morrendo com nossas ilusões e desejos atuais nossos impulsos se manifestarão criando uma nova existência que de novo, ao se dar conta de si, se sentirá uma individualidade nova, já aconteceu com você, e é esta vida, repetir sem fim é o destino dos que não se libertam, a imensa maioria de nós.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

No alto do Copan.


Uma vez por mês, às 7 da manhã, um grupo de budistas da escola zen se encontra para meditar em um local inusitado: o heliponto do Edifício Copan, no centro. "Nosso desafio é ficar em estado de atenção, percebendo os barulhos internos e externos, sem reagir diante deles", conta um dos praticantes, o cineasta Bruno Mitih (o terceiro da esq. para a dir.). A sinfonia de buzinas e o vento no alto do prédio de 32 andares são desafios sublimados pela experiência de zerar os pensamentos da mente. "Não focamos um ponto, não fazemos exercícios de respiração e não repetimos mantras." A prática costuma ser encerrada com as oito badaladas do sino da Igreja Nossa Senhora da Consolação, na vizinha Praça Roosevelt. (Veja SP)

Uma vez por mês, o edifício Copan, um dos principais cartões-postais de São Paulo, se transforma num inusitado templo budista. É toda terceira sexta-feira do mês, às 7h, quando monges zen da escola Busshinji sobem os 37 andares até o heliponto para praticar a meditação sentada – zazen, sendo “za” sentar e “zen” meditação.

Em fileira, de pernas cruzadas, colunas ereta e atenção na respiração, eles têm à frente centenas de prédios e, no horizonte, o pico do Jaraguá, na zona norte. .......................

A meditação do alto do prédio surgiu com o cineasta Bruno Mitih, 41, budista há quatro anos. “A primeira idéia foi levar a prática do templo para a rua, e o edifício Copan se apresenta como a montanha dos budistas zen da cidade”.

O professor-monge Jisho Handa, 53, vê o Copan como representação de São Paulo; por isso a escolha. “No heliponto estamos num dos pontos mais altos do centro e a observamos num ângulo de 360°. Assim, expandimos nossas energias.”

O objetivo do grupo, diz Handa, é levar harmonia e compaixão ao maior número de pessoas possíveis. “Vivemos numa cidade cheia de desordem e injustiça. Queremos criar uma sintonia com toda a cidade e inconscientemente a cidade medita conosco, como se fosse uma onda de rádio.”

A meditação no alto do Copan é aberta a interessados.

Segundo o sindico do Copan, Afonso Celso dos Prazeres, 69, a idéia foi aceita já no primeiro pedido do grupo. “Sou solidário a qualquer demonstração de ajuda a cidade”, diz. “Inclusive faço meditações em casa."
(Danilo Verpa - repórter-fotográfico. Blog Sangha Margha)

sábado, 13 de dezembro de 2008

A consciência humana


Foto de Cássia Popolin

Qual seria, segundo o Buda, o papel da consciência em relação à própria manifestação da vida? O que é a consciência humana frente à dos demais seres?

Esta consciência, produzida pelo funcionamento do corpo e mente, é apenas um constructo temporário, uma ilusão que produz a sensação do 'eu'. Se é disto que estamos falando, a consciência é produto da vida, e não o contrário.

Você pensa que é 'fulano', mas isso ocorre porque sua mente esta funcionando a partir do que aprendeu, qualquer acidente, como um derrame cerebral, pode anular esse efeito e sua percepção de 'eu' com seus agregados.

A diferença da consciência humana é a sua 'clareza'. O que caracteriza os animais é a falta dela. Mas mesmo entre os animais, há muitos níveis de clareza e de percepção, assim como há entre os humanos.

Podemos imaginar o momento em que o cérebro humano atingiu complexidade suficiente para dar-se conta de sua existência, prever a sua morte. Podemos também supor que um cérebro artificial chegue um dia a essa complexidade e desenvolva uma clareza ainda superior. Talvez seja apenas uma questão de tempo.

Para o Budismo, nada impede que um ser superior seja criado por nós e nos suceda. Não nos imaginamos à semelhança de um criador. Magnífica hipótese que permitiria às manifestações cármicas instrumentos ainda superiores de compreensão e clareza.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Nagas



Os Nagas são criaturas mitológicas que aparecem frequentemente nas escrituras buddhistas hindus, e nesta cultura são representados como criaturas com corpo de serpente e cabeça humana. São diversos das representações de serpentes, que também na cultura hindu são símbolos da sabedoria ( isto surge no ocidente no símbolo da medicina também, o caduceu). Os chineses traduziram a palavra naga por lung, que significa dragão, erro que se perpetua até hoje em numerosos textos buddhistas chineses e japoneses traduzidos no ocidente, já que os nagas não são dragões.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A morte de Sudata


Stupa em homenagem a Anatapindika.


Trecho do livro Velho Caminho, Nuvens Brancas - biografia do Buddha escrita por Thich Nhat Hanh ( Editora Bodigaya 2007), nele o Venerável monge Shariputra orienta um dos principais discípulos leigos do Buddha, Sudata, também conhecido como Anatapindika (que significa aquele que cuida dos pobres e abandonados), em seu leito de morte:


“Discípulo leigo Sudata, vamos contemplar juntos assim – meus olhos não são eu, meus ouvidos não são eu, meu nariz, minha língua, meu corpo e minha mente, não são eu.”

Sudata seguiu as intruções de Shariputra. Então, este prosseguiu: “Agora vamos continuar a contemplar – aquilo que vejo, não é eu; aquilo que ouço, não é eu; aquilo que cheiro, provo, toco e penso, não é eu.”

Shariputra, então, mostrou-lhe como contemplar as seis consciências sensoriais – ver não é eu; ouvir não é eu; cheirar, provar, tocar e pensar não é eu.

Ele continuou: “O elemento terra não é eu. Os elementos água, fogo, ar, espaço e consciência não são eu. Não me encontro aprisionado ou restrito pelos elementos. Nascimento e morte não podem me tocar. Sorrio, porque jamais nasci e jamais morrerei. O nascimento não me dá existência. A morte não me remove a existência.”

(Cortesia de Kashin)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Vazio é nihilismo?


Não entendo isto de tudo ser vazio. Se nada existe, tudo é ilusão, então também nao existimos?

Essa questão do vazio não é o nihilismo (nada existe). O vazio de que falamos no Budismo é um vazio de condicionalidades. Poderíamos até usar a palavra Deus como sinônimo de 'vazio', mas seria um deus que não cria, não interfere, sem pessoalidade, não seria um Algo. É naturalmente mas não existe por si mesmo, é a própria forma, só se manifesta como forma. Por isso, a palavra vazio fica melhor.

É evidente que existimos, pelo menos relativamente, e tudo que você vê também existe. O problema é que você vê através de um filtro de concepções que já estão em sua mente, assim como vemos formas nas nuvens: elas não existem, mas existem dentro de você.

Se sua mente se esvaziar de concepções, você será capaz de ver a realidade pura. Esta seria uma mente vazia, uma mente desperta, como Buda, o desperto.

Praticamos a meditação para despertar, porque estamos vivendo como em um sonho, uma vida de ilusões. Mas se ficarmos no estágio de 'limpar' a mente, permanecemos lutando contra ela e não podemos vencê-la.

Hui Neng nos deixou essa profunda lição, dizendo que mesmo a mente com a qual lutamos não passa de uma ilusão, de um agregado de pensamentos em sucessão. É preciso enxergar o 'vazio' que está além desses pensamentos. Penetrado esse segredo, todo o universo que vemos se altera, não deixa de existir, mas seu significado é outro, porque os olhos do espectador se esvaziaram das condicionalidades.

As nuvens passam a ser nuvens verdadeiramente, de uma beleza arrasadora que antes não possuíam. Ou melhor, possuíam, mas isso era invísivel para os olhos que nelas viam formas inexistentes, como em tudo: vemos significados que estão em nós, interpretações produzidas pelas nossas marcas cármicas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

É preciso imobilidade no zazen?


A imobilidade é conveniente, quanto menos movimento de corpo menos de mente.

Porém se o desconforto for muito grande toda a mente se focará nele, e então é melhor trocar de posição.

Mais adiante, na prática da meditação, existe a técnica de tornar-se “um com a dor”.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Podemos escolher, a cada momento, nosso caminho?


Sim, podemos mudar de caminho a cada momento, mas na prática o impulso que tomamos, a trilha que estamos seguindo tem o poder de nos conservar em um rumo. Para o bem e para o mal precisamos tomar uma decisão e fazer algum esforço para mudar de trilha.

Sim, ninguém escolhe na hora, o que acontece é que já fizemos anteriormente muitas escolhas que geram carma e que nos arrastam, e assim parecemos ser livres, mas é mera aparência. Escolher pessoas e lugares pode mudar toda a nossa vida, por esta razão é preciso ser muito cuidadoso com aquilo com que optamos, depois de algum tempo fica muito difícil mudar de caminho.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Sarkozy mostra o caminho de um líder independente



Suportando as acerbas críticas chinesas e suas ameaças de boicote comercial aos produtos franceses, o presidente Sarkozy demonstra que um verdadeiro líder sabe trilhar um caminho independente. Em contraste, o Brasil, mostra a face de um país que treme ao bater dos pés de qualquer ameaça meramente verbal. Jamais tomou uma atitude clara em favor de oprimidos se isto pode ameaçar seus interesses comerciais.
Um líder budista, como o Dalai Lama, passou no país várias vêzes sem um reconhecimento oficial, não importando seu peso moral. (Monge Genshô)

"O presidente francês, Nicolas Sarkozy, reuniu-se neste sábado (6) pela primeira vez com o Dalai Lama, líder espiritual do budismo tibetano, no porto de Gdansk, norte da Polônia, apesar de duras queixas por parte da China e da ameaça de Pequim de boicote a produtos franceses.

Sarkozy se encontrava em Gdansk, onde participou na cerimônia do 25º aniversário da entrega do Prêmio Nobel da Paz ao presidente polonês, Lech Walesa, fundador do histórico sindicato Solidarnosc.

O presidente francês se reuniu por cerca de meia hora com o Prêmio Nobel da Paz-1989, no primeiro encontro de um presidente francês com o líder tibetano, exilado desde 1959 em Dharamsala, norte da Índia."

"Desde que o encontro foi anunciado, há várias semanas, a China pressionava a França para voltar atrás, chegando a cancelar uma cúpula China-União Européia (os franceses ocupam atualmente a presidência rotativa do bloco), que deveria ter acontecido no dia 1º de dezembro em Lyon, centro-oeste da França, e uma cúpula bilateral, que seria realizada no palácio do Eliseu.

Agora, Pequim ameaça instituir um boicote aos produtos franceses. A China já havia feito pressões semelhantes em julho e agosto, quando o presidente francês informou que não sabia se compareceria à abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Após uma visita de Sarkozy à capital chinesa no fim de 2007, empresas francesas obtiveram contratos no valor de 20 bilhões (US$ 25 bilhões) de euros com o país. Sarkozy também expressou seu desejo de que a China assuma o lugar que lhe corresponde no cenário político do mundo.

"Necessitamos da China para resolver os grandes problemas no mundo, e que a China dialogue, como el presidente Hu Jintao dialogou com o Dalai Lama", assegurou. Indagado sobre a crise entre a França e a China, o presidente francês tentou acalmar os ânimos."

"É preciso tratar tudo isso com grande serenidade, com calma. É preciso fazê-lo a longo prazo, levando em conta seu conjunto de acontecimentos e dando a importância que tiverem".

(France Press)

sábado, 6 de dezembro de 2008

Novo Templo Niyngma em Três Coroas (RS)



Começa hoje consagração de novo templo em Três Coroas, ele pertence a escola Niyngma, a mais antiga das escolas budistas tibetanas, caracterizada por seus rituais coloridos e cheios de sons.

Réplica do Palácio Terra Pura de Padmasambava já está pronta para a inauguração
Do alto do topo do morro Águas Brancas, lamas e praticantes do budismo tibetano vindos da Ásia, da Europa e dos quatro cantos da América abençoam de até quarta-feira o novo templo construído no Centro Budista Khadro Ling, em Três Coroas.

A réplica do Palácio Terra Pura de Padmasambava está pronta para sua consagração, cerimônia de inauguração de um templo. Durante esses cinco dias, mestres e seus discípulos estarão reunidos em volta do Terra Pura, em tendas.

Cerimônias com até sete horas de duração estão programadas para todos os dias. Cerca de 500 praticantes do budismo tibetano no Brasil e no mundo devem presenciar o momento simbólico. A cerimônia segue um ritual: mestres e discípulos acompanham textos de mantras, oferendas e orações.

O novo templo com três andares é preenchido com estátuas que representam Padmasambava: mestre iluminado que introduziu o budismo no Tibete.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Começar de Novo


Quem escreveu este texto o fez na Argentina, após uma grande enchente, mas seus sentimentos são idênticos aos de muitos habitantes de Santa Catarina durante as catástrofes das últimas semanas.

COMEÇAR DE NOVO
Eu tinha medo da escuridão
Até que as noites se fizeram longas e sem luz
Eu não resistia ao frio facilmente
Até passar a noite molhado numa laje
Eu tinha medo dos mortos
Até ter que dormir num cemitério
Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires
Até que me deram abrigo e alimento
Eu tinha aversão a Judeus
Até darem remédios aos meus filhos
Eu adorava exibir a minha nova jaqueta
Até dar ela a um garoto com hipotermia
Eu escolhia cuidadosamente a minha comida
Até que tive fome
Eu desconfiava da pele escura
Até que um braço forte me tirou da água
Eu achava que tinha visto muita coisa
Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas
Eu não gostava do cachorro do meu vizinho
Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar
Eu não lembrava os idosos
Até participar dos resgates
Eu não sabia cozinhar
Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças
com fome
Eu achava que a minha casa era mais importante que as
outras
Até ver todas cobertas pelas águas
Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome
Até a gente se tornar todos seres anônimos
Eu não ouvia rádio
Até ser ela que manteve a minha energia
Eu criticava a bagunça dos estudantes
Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos
solidárias
Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos
anos
Agora nem tanto
Eu vivia numa comunidade com uma classe política
Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora
Eu não lembrava o nome de todos os estados
Agora guardo cada um no coração
Eu não tinha boa memória
Talvez por isso eu não lembre de todo mundo
Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer
a todos
Eu não te conhecia
Agora você é meu irmão
Tínhamos um rio
Agora somos parte dele
É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus

Vamos começar de novo.
(Anônimo)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A você que gosta de escutar coisas inspiradoras sobre o budismo




Kodo Sawaki Roshi

Dizem: "Quando eu escuto Sawaki falar, a minha fé esfria". Agora eu vou realmente colocar a fé deles no gelo; este tipo de fé é nada mais do que superstição.
Dizem: "as palestras do Sawaki não despertam fé alguma em mim". Elas não despertam superstições, isso sim.

Não importa quanto bem se faça, tudo o que os homens fazem é mau. Se você dá, o dia todo você pensa "Eu dei!". Se você faz uma prática religiosa, pensa "Eu pratiquei, eu pratiquei!" Se você faz algo bom, nunca se esquece: "Eu fiz o bem, eu fiz o bem!" Isto quer dizer que deveríamos fazer algo mau, então? Não; mesmo quando fazemos o bem, é mal que obramos. Quando fazemos algo ruim, é pior ainda.

Se você faz algo bom, você começa a se preparar para cada coisa má que possa ver nos outros. Quando você faz algo mau, fica quieto, pois o seu traseiro coça. As pessoas não calculam somente quando se trata de dinheiro; em tudo que fazem elas tentam barganhar, para cima ou para baixo. Isto por que seus corpos e mentes não foram abandonados. Somente quando corpo e mente são abandonados é que este negócio não tem mais importância. Abandonar mente e corpo significa imensurabilidade, sem-limites.

"Faça o bem, evite o mal". Não há dúvida quanto a isto, mas é tão claro o que é bom e o que é mau? Bem e mal andam de mãos dadas.

Zazen está além do bem e do mal. Ele não é educação moral. Zazen localiza-se onde o comunismo e o capitalismo terminam.

Kodo Sawaki Roshi

(Cortesia de Lucas Brandão)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Workshop zen/psicologia em Curitiba


Workshop Zen Budista com Foco na Ancestralidade
Data: 19 ; 20 e 21 de dezembro 2008
Curitiba - Paraná

Objetivos Específicos:

• Identificar a linha ancestral de cada um
• Conhecer a ancestralidade do ponto de vista budista
• Reconhecer e desenhar a “arvore” ancestral
• Praticar a meditação zen budista
• Compreender sua ancestralidade e integrar-se a ela, ser um com ela;
• Refletir e reconhecer que você é seus ancestrais.

Carga Horária
20horas
Sexta à noite (4 horas)
Sábado dia todo (8 horas)
Domingo dia todo (8 horas)


Valor do investimento

O valor do investimento será de R$ 190,00.Este valor inclui instrutoria do Monge Genshô e da Piscóloga Renata Reginato; material didático,cofee break

Procedimento de Inscrição

Deposito bancário
Bradesco - ag. 426 cc. 126917-8
Enviar comprovante de deposito para
renata@pulsarpsicologia.com.br
Fone: (41) 3323-1009

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Posso iniciar um grupo de estudos buddhista em minha cidade?




Você quer praticar o Zen, porém em sua cidade não existe nenhum centro budista. Você conhece outras pessoas que tem interesse em começar a estudar o budismo, ou mesmo ainda não conhece ninguém. Será que você mesmo pode começar um centro de estudos buddhistas? Sim, e isso é um belo início de prática!

A prática individual é incompleta comparada à prática em grupo. Esta é mais rica e forte. A prática em grupo possibilita a troca de experiências, auxiliando a superação das dificuldades. Os praticantes mais antigos podem ajudar os mais novos, principalmente dando um bom exemplo. Os mais novos também auxiliam aos mais antigos, permitindo que esses possam treinar a prática de ajudar aos outros. Sentar em meditação em grupo é mais fácil, ver que os outros estão persistindo ajuda a não desistir. Isso aumenta a disciplina e força da prática. Ver a dificuldade dos outros ajuda a aceitar a própria dificuldade. Ver a evolução e superação dos outros ajuda a evoluir e a se superar.

A prática em grupo ajuda a despertar a mente de boddhisatva - que pratica para ajudar aos outros. Praticar para si próprio é uma forma incompleta de prática. No buddhismo Zen um grupo de prática buddhista bem estabelecido é informalmente denominado de Sangha, que é considerada uma das Três Jóias - juntamente com o Buddha e o Dharma (conjunto de ensinamentos buddhistas, a lei, a doutrina).

Criar um grupo de prática pode parecer difícil, mas os primeiros praticantes do Zen muitas vezes tinham que percorrer centenas de quilômetros a pé à procura de professores e dos ensinamentos! Hoje a tecnologia permite uma maior facilidade de acesso ao conhecimento e orientação à distância, porém a prática em grupo, o contato pessoal com professores experientes e qualificados (o tanto quanto for possível) e a participação em retiros de prática sempre serão essenciais.


2. Estudo

No Zen, a prática da meditação é o "estudo" mais importante. A prática de meditação sentada é chamada de Zazen. A técnica de meditação típica da escola Soto Zen é chamada de Shikantaza – apenas sentar-se.

O estudo de textos deve ser feito com extrema cautela. É muito fácil para um iniciante interpretar equivocadamente um ensinamento budista, seja pela inexperiência, pela complexidadade do tema ou pela tendência humana de se adicionar opiniões e interpretações pessoais a temas pouco compreendidos. Por esta razão os líderes de grupos não são considerados professores e não estão autorizados a ensinar, são organizadores e facilitadores da reunião de interessados. A melhor forma é a simples leitura dos textos, levantamento das dúvidas e encaminhamento delas para praticantes mais antigos ou preferencialmente a professores do Dharma qualificados e reconhecidos, no caso de dúvidas mais complexas. E novamente, a prática da meditação é o estudo mais importante.

(Trecho do manual para fundação de grupos de estudo, em preparo pelo Instituto Educacional Todatsu, redação de João Destri)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Existe uma "presença" subjacente ao universo?


Simplesmente, não é uma presença.
"A forma é vazio, o vazio é forma, a forma nada mais é do que vazio, o vazio nada mais é do que forma." (Sutra do Coração da Sabedoria)
Toda forma, ou manifestação, é o próprio Vazio, e este só se manifesta como forma.
Toda manifestação é vazia de um EU subjacente, permanente.
O Vazio é uma qualidade de tudo, mas Não É um Algo.

sábado, 29 de novembro de 2008

O que é o Culto aos Antepassados no buddhismo?


"Nas famílias japonesas o "Culto aos Antepassados" e as "Celebrações de Homenagem Póstuma" se tornaram quase uma obrigação que é mantida de geração para geração e poucos conhecem o seu verdadeiro significado e sua verdadeira origem. Fazem desse culto um fardo pesado a ser carregado pelos descendentes que nem sempre se sentem satisfeitos com isso e acabam por mantê-lo apenas devido a um medo supersticioso de que se não realizarem os cultos de maneira correta e nas datas corretas os "espíritos" dos antepassados não se sentirão satisfeitos e poderão voltar como "espíritos perturbadores", causando doenças, acidentes e inúmeros problemas familiares.

Esse ponto de vista nada tem a ver com o Budismo. Parte dessa crença nasceu na China, na tradição do Confucionismo, que utilizava o Culto dos Antepassados como uma forma de manter a agregação e a estabilidade social. Outra parte muito forte desse medo foi herdado do antigo Shintoísmo (religião autóctone japonesa), onde a morte é vista como algo impuro e o "espírito" dos mortos têm que ser cultuados e purificados até chegarem à condição de "espíritos celestiais" ou até mesmo de "deuses" (Kami), do contrário, se tornarão espíritos errantes e perturbadores. Segundo o Budismo, esta não é uma maneira correta de pensar.

De acordo com o Budismo, a atitude correta em relação ao falecido é vê-lo, humildemente, como um mestre que nos ensina sobre o caráter transitório e finito de nossas vidas. Isso é chamado no Budismo de "impermanência". Além do mais, é graças aos nossos antepassados que nós estamos vivendo atualmente. Nós herdamos através de nossos pais essa vida que chegou até nós através de uma linhagem incalculável de pessoas que existiram antes de nós. Para o futuro também, através de nossos filhos, netos, bisnetos e etc., essa mesma vida será transmitida, como se fosse a semente de uma árvore, que gera uma nova árvore, que dará novos frutos e estes por sua vez novas sementes que gerarão novas árvores, assim infinitamente, enquanto houver condições da vida se manifestar."

Trecho de texto do Rev. Wagner Bronzeri
Íntegra aqui:

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Retiro da iluminação



Aspecto de meditação durante o retiro de iluminação de Buddha, no templo Busshinji em São Paulo, no ano de 2006.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Rohatsu Sesshin - 2008


Sesshin da Iluminação – Busshinji

Estão abertas as inscrições para o Sesshin da Iluminação (Rohatsu Sesshin) no Templo Busshinji, São Paulo. As atividades iniciam-se no dia 10, a partir das 9 horas. Na parte da manhã serão dadas instruções gerais e a maneira de se utilizar o oryoki, para as refeições formais. Serão entregues também os livros de orações. Após o almoço, às 13h15, haverá o ingresso do monge Shussô (líder dos alunos e demais monges) e a Cerimônia de Abertura.
As atividades diárias iniciam-se às 6 horas, estendendo-se até às 19h30. No total haverá dez sessões de zazen, de 40 minutos, 10 minutos de kinnhin, e 10 para o uso do banheiro. As refeições da manhã (Tempatsu) e o almoço (Tempatsu) serão realizados na Sala de Buda, na postura de zazen. O chá da tarde, igualmente, nesta posição. O jantar (yakuseki) será feito de maneira informal, na sala de chá.
No encerramento deste sesshin da Iluminação, atendendo a tradição deste templo e, igualmente, outros centros de prática, as atividades estender-se-ão até as 3 horas, da manhã de 17. Após a finalização, haverá uma cerimônia de encerramento e de iluminação do príncipe Sidharta, que se tornara o Buda. De acordo com a transmissão, Buda sentara-se no décimo segundo mês por sete dias, sendo que na manhã do sétimo, ele alcançara a libertação. Esta experiência é realizada também pelos alunos inscritos no Sesshin da Iluminação. Nesta manhã, o monge superior (Docho) submete-se ao shosan, quando alguns praticantes colocam questões (mondo) a ele, que são respondidas publicamente.
Na cerimônia, os praticantes têm a oportunidade de servirem-se de gomishuku (alimento dos cinco paladares), remetendo-se ao encontro de Sidharta com a camponesa Sujata. Diz a lenda que Sujata teria oferecido para o príncipe aquele alimento, assim pôde recuperar-se do desgaste e, fortalecido, logrou obter a iluminação.
Para este sesshin, o custo é de R$ 200. Não temos no momento infra-estrutura para acomodar os praticantes. Por isto, para aqueles vêm de lugares distantes, um hotel nas proximidades deve ser providenciado. Quanto a isso, a recepção do Templo Busshinji poderá fazer a reserva. Informações pelo telefone 11-3208-4515. Rua São Joaquim, 285, Liberdade, São Paulo.

Postado por Jisho no blog Sangha Margha

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Histórias de Vovô Tetsuo



"Histórias de Vovô Tetsuo"
Texto: Ricardo Sasaki e J. Carino
Ilustrações: Marcelo Andreo
ISBN: 978-85-7671-100-1
20 páginas – 17×25 cm
R$ 20,00
€ 6.60

"Um avô japonês, que viveu inclusive os dias terríveis da destruição de Hiroshima e Nagasaki, aproveita questões do dia-a-dia vividas por crianças e adolescentes para transmitir ensinamentos cuja fonte são textos milenares da sabedoria oriental. Diante das questões levantadas por seus netos, o avô Tetsuo conta histórias irresistíveis que contribuirão para a formação de pessoas felizes e éticas".

Acompanhe a sabedoria do Vovô Tetsuo e suas histórias a partir de situações cotidianas de seus dois netos, Luísa e Tiago. Com ilustrações coloridas e histórias baseadas nos tradicionais jatakas indianos.
Peça o seu aqui

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Shodoka




O tradicional texto zen conhecido como Canto da Libertação – Shodoka, diz:

“Se as pessoas ofenderem e difamarem você, deixe-os:

eles estão brincando com fogo, tentando queimar o céu.

Quando eu os ouço, suas palavras são gotas de néctar

que me mostram que esse momento está livre de conceituação.

Palavras ofensivas são bençãos disfarçadas,

e meus ofensores bons professores.

Esta mente tem espaço para difamação e ofensa

e é ela mesma compaixão e paciência sem originação.”

( Copiado do blog Tentando não fugir, escrito por João Destri, aluno do zen no RJ )

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Comunicado do CBB - Sobre Dana e a Orientação de Dharma

Colegiado Buddhista Brasileiro

Comunicado 001/2008 – Sobre Dana e a Orientação de Dharma

Estimados praticantes, estudiosos e simpatizantes buddhistas,

O Colegiado Buddhista Brasileiro (CBB), entidade voltada para o favorecimento do diálogo entre as tradições buddhistas e o mais correto e saudável exercício de entendimento sobre os fundamentos do Dharma no Brasil, gostaria de apresentar a todos os interessados sua posição acerca de questões relevantes que têm sido ultimamente levantadas por diferentes pessoas ao CBB sobre a natureza do exercício de Dana e a real condição de autoridade na orientação do Dharma por diferentes monásticos ou estudiosos seculares.

Este comunicado, no entendimento da diretoria fundadora do Colegiado, se faz necessário neste momento devido ao constante fluxo de dúvidas apresentadas diretamente ao CBB referentes a episódios associados ao exercício de eventos, cursos ou práticas buddhistas, nos quais a própria competência de conhecimento ou experiência na orientação buddhista por parte dos organizadores e o modo de solicitação dos recursos de contribuição para tais eventos são questionados.

O CBB apresenta suas considerações sobre o assunto sem, no entanto, pretender manifestar-se de forma legisladora ou julgadora em relação à liberdade de atuação das escolas buddhistas tradicionais, ou de estudiosos e pesquisadores não-buddhistas que pretendam se posicionar sobre o tema buddhista de forma acadêmica ou histórica.

Nosso objetivo, muito mais simples, é apenas esclarecer aos simpatizantes e praticantes pouco experimentados sobre os fundamentos do exercício ético e moral no buddhismo, deixando a cada um a responsabilidade de ponderar, analisar e atuar da forma mais consciente e amadurecida possível no momento em que irão decidir sobre sua participação em eventos e práticas, ou filiar-se a grupos e espaços de Dharma.

Para tal, o Colegiado Buddhista Brasileiro apresenta as seguintes argumentações:

I. Sobre o exercício de Dana

1. O exercício de Dana (Generosidade, Doação, Apoio), na tradição buddhista, representa essencialmente a ação consciente e atenta de ajuda e contribuição (seja material, de tempo ou outras) para que o Dharma possa ser estudado e exercido sob condições úteis e abrangentes a todos. Em Dana temos não somente a ação de ajuda e proteção (física, psicológica ou social) a pessoas em necessidade, mas também a ação justa e honesta para que o Dharma seja divulgado sob as bases tradicionais da ética buddhista, na forma e apoio às instituições e seu corpo monástico ou dos centros e espaços de prática.

2. É preciso fazer distinção entre monges solicitarem contribuição e centros cobrarem por atividades. Monges vivem de doações, são sustentados pelo mosteiro, e não deveriam pedir dinheiro em troca de ensinamentos. Centros atuam de forma diferente; sendo espaços sem vínculo formal com as regras monásticas (e muitas vezes sustentados por praticantes seculares), eles dependem de uma organização financeira onde as contribuições servem para favorecer as condições materiais dos professores e do próprio ambiente de estudos, os quais ali estão para facilitar o ensino do Dharma.

3. Assim, é igualmente preciso fazer a distinção correta entre um centro solicitar contribuição para realizar retiros, cursos etc (algo perfeitamente compreensível em relação às necessidades de despesas), e monásticos que porventura venham a pedir dinheiro. Um monge adota um estilo de vida e pode alertar as pessoas sobre o Dana, mas as pessoas não oferecem Dana para o monge ensinar, e sim para permitir que o monástico possa se manter na sua condição de monge ou monja. O dinheiro, portanto, não é dado ao monge pessoalmente, e sim à instituição buddhista. O buddhismo não faz barganhas com o Dharma; as organizações buddhistas não pedem dinheiro em troca da promessa de sabedoria, cura, iluminação ou qualquer tipo de prêmio espiritual. O Dana é solicitado (e deve ser conscientemente oferecido) para que as condições materiais e humanas das instituições possam se manter, e assim a prática possa sempre ser valorizada.

4. Portanto, os praticantes e estudantes precisam estar atentos ao fato de que as solicitações de contribuição não podem ser feitas de forma abusiva ou voltadas para lucro pessoal de monges ou monjas. As contribuições feitas pelos centros devem ser justas e adequadas às suas necessidades, e jamais podem se constituir excessivas. Os coordenadores dos centros de Dharma, sendo pessoas honestamente comprometidas com a prática ética buddhista, sempre estarão à disposição para facilitar os modos de contribuição dos praticantes, considerando-se as possibilidades e limites financeiros de todos.

5. Os praticantes e interessados precisam compreender que são, eles mesmos, livres para contribuir ou não. Ninguém pode exigir de outrem participação em eventos buddhistas ou centros de prática; a tradição buddhista não pratica pressão psicológica, material ou espiritual para manter pessoas entre seu corpo de estudantes ou praticantes. Ao mesmo tempo, nenhuma pessoa deveria se subordinar a qualquer espaço buddhista na pretensão de que, assim agindo, estarão garantindo algum tipo de retorno espiritual ou benefício místico. A prática do Dharma ocorre de forma livre, consciente e madura, ou então jamais será possível.



II. Sobre a correta orientação de Dharma no Brasil


6. Em relação à competência e autoridade daqueles que se apresentam como professores ou orientadores, é preciso esclarecer que a tradição buddhista brasileira possui uma profunda capacidade de formação de monásticos ou leigos dignos de serem respeitados como orientadores sérios e competentes. Entretanto, é preciso que as pessoas saibam reconhecer tal competência através da análise e observação atenta das ações destes professores de Dharma. Estes sempre serão pessoas coerentes em suas ações éticas e morais. Embora muitas vezes firmes e exigentes, também saberão ser pacientes e compreensíveis, sem nunca agir de forma irresponsável e arrogante.

7. O ensino correto buddhista se dá principalmente através do exemplo, e da dedicação dos seus professores com o próprio treinamento em Plena Consciência, base dos ensinos de Shakyamuni Buddha. Neste sentido, pretensos professores de Dharma jamais poderão agir de forma autoritária, agressiva, preconceituosa ou abusiva em relação a seus alunos e praticantes. Por outro lado, cabe aos praticantes reconhecer e respeitar a experiência e sabedoria dos orientadores – monásticos ou leigos – quando estas virtudes forem evidentes nas palavras e atos destas pessoas, agindo desta forma com respeito e atenção aos seus conselhos e posição.

8. Ninguém no âmbito da orientação buddhista deve se autodenominar "Mestre" ou assim deve ser chamado apenas por envergar manto monástico ou, sendo leigo, apresentar-se como alguém entronizado em sabedoria mística ou semelhante. O título de Mestre se constitui de grande significado, e somente é dado àqueles que representam no buddhismo o mais digno exemplo de amadurecimento na prática contemplativa e sabedoria no exercício do Dharma. Os praticantes precisam ficar atentos a pessoas que vaidosamente se autodenominam mestres ou líderes místicos, ou que pretendam criar em torno de si grupos de discípulos sem realmente demonstrar os mais básicos fundamentos em coerência e comportamento. Professores sérios tem linhagem clara e um mestre de escola tradicional que os autorizou; a citação de linhas múltiplas e extensos currículos de diferentes correntes místicas é um quesito a ser olhado com extremo cuidado, para não dizer com precaução.

O CBB, ao apresentar tais ponderações, espera ter contribuído para conscientizar todos os simpatizantes e praticantes, facilitando sua reflexão atenta no momento em que entrarem em contato com organizações buddhistas ou monásticos pertencentes às tradições reconhecidas.

O Colegiado se mantêm aberto a dar mais esclarecimentos a todos os interessados, através de seu e-mail oficial em: cbb@cbb.bodhimandala.com

Em nome do Dharma,


Assina o Sr. Presidente do Colegiado Buddhista Brasileiro,

Prof. Shaku Hondaku (Maurício Ghigonetto)


Assinam os membros da Diretoria Fundadora do Colegiado Buddhista Brasileiro,

Rev. Shaku Haku-Shin (Wagner Bronzeri)

Monge Meihô Genshô (Petrúcio Chalegre)

Prof. Dhanapala (Ricardo Sasaki)

Prof. Tam Huyen Van (Claudio Miklos)

_____________________

No Dharma,
Tam Huyen Van

(Claudio Miklos)
___________________________
Sarve Bhavantu Mangalam

http://tamhaovan.multiply.com

domingo, 23 de novembro de 2008

Tibetanos decidem apoiar tática do Dalai-Lama



Tibetanos decidem apoiar tática do líder espiritual dalai-lama

'Caminho do meio' reconhece Tibete como parte integrante da China, mas defende maior grau de autonomia

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo

AP

Líder espiritual dalai-lama
DHARAMSALA, Índia - Representantes da comunidade tibetana no exílio decidiram neste sábado, 22, na Índia manter a política do dalai-lama de buscar maior grau de autonomia para o Tibete por meio de negociações com o governo chinês, apesar da ausência de progresso nas oito reuniões realizadas desde 2002.

A votação foi realizada depois de uma semana de discussões de cerca de 600 delegados que integram o Parlamento do governo tibetano no exílio, liderado pelo dalai-lama. A posição adotada pelo grupo representa uma vitória do líder espiritual frente a correntes radicais que defendiam a mudança de política em relação à China e a busca de total independência para a região.

No fim de outubro, o dalai-lama afirmou que havia perdido as esperanças de conseguir avanços na direção de maior autonomia para o Tibete com os atuais líderes chineses e anunciou que o Parlamento decidiria o caminho a ser seguido. Alguns estudiosos da questão tibetana interpretaram as declarações como uma estratégia do dalai-lama de obter respaldo à sua posição, que sofria ataques crescentes de grupos radicais.

Chamada de "caminho do meio", a política que foi confirmada neste sábado pelo congresso reconhece o Tibete como parte integrante da China, mas defende um maior grau de autonomia para a região.

Os tibetanos temem perder o apoio da comunidade internacional caso passem a defender a total independência. A maioria dos países reconhece o Tibete como parte integrante da China, ainda que muitos defendam um maior grau de diálogo com o dalai-lama, principal líder espiritual dos tibetanos que vivem dentro e fora da China. A mais recente reunião entre representantes do dalai-lama e autoridades do governo chinês ocorreu entre os dias 31 de outubro e 5 de novembro e ambos os lados reconhecem que não houve nenhuma aproximação de posições.

Lhadon Thethorg, uma delegada da organização Estudantes por um Tibete Livre, manifestou seu descontentamento com a decisão à agência France Presse. "Nós estamos em um sistema democrático, mas a opinião da maioria nem sempre é a correta", afirmou. "Seja o caminho do meio ou a independência, as pessoas querem uma ação mais vigorosa."

sábado, 22 de novembro de 2008

Canção da Cabana coberta de relva


Canção da Cabana coberta de relva

(Sekito Kisen)

Construí uma cabana de relva onde não há nada valioso.
Após me alimentar, eu relaxo e tiro uma soneca.
Quando ela ficou pronta, novas ervas brotaram.
Agora nela se mora coberto por trepadeiras.
A pessoa na cabana vive aqui calmamente,
Sem se prender ao dentro, ao fora ou ao entre.
Nos lugares em que as pessoas do mundo vivem, ela não vive.
Os domínios que as pessoas do mundo amam, ela não ama.
Apesar de a cabana ser pequena, ela contém o mundo todo.
Em três metros quadrados, um velho homem ilumina formas e sua natureza.

Um bodhisattva do Grande Veículo confia sem dúvida.
As pessoas medíocres ou rasteiras não podem evitar divagar:
Essa cabana vai ou não se estragar?
Estragável ou não, o mestre original está presente,
sem se deter no sul ou norte, leste ou oeste.
Firmemente fundado na estabilidade, não pode ser superado.
Abaixo dos verdes pinheiros, uma janela luminosa –
Palácios de jade ou torres de rubi não podem ser comparados com isso.

Apenas sentar com a cabeça coberta, todas a coisas descansam.
Assim, esse monge da montanha definitivamente não entende.
Vivendo aqui ele não mais se esforça para se libertar.
Quem orgulhosamente providenciaria assentos, tentando seduzir convidados?
Vire ao contrário a luz para que brilhe no interior, então apenas retorne.

A vasta e inconcebível fonte não pode ser fitada nem evitada.
Encontre os mestres ancestrais, familiarize-se com suas instruções,
Junte relva para construir uma cabana, e não desista.
Deixe ir centenas de anos e relaxe completamente.
Abra suas mãos e caminhe, inocente.
Milhares de palavras, miríades de interpretações.
São apenas para libertar você das obstruções.
Se você desejar conhecer a pessoa imortal da cabana,
Não se separe desse saco de pele aqui e agora.

Tradução: Koun

(De sanghamargha.blogspot.com )

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Buddha ou Buda? Rakussu ou rakusu?

O Colegiado Buddhista Brasileiro decidiu recomendar as grafias conservando as raízes sânscritas ou pális, assim é recomendada a grafia Buddha, o que não significa obrigatoriedade, mas diminui algumas confusões.
Um exemplo é a palavra Gatha (verso) que escrita Gata, perde algo evidentemente. Quanto as grafias transliteradas de palavras tais como rakusu, embora a pronúncia seja de "ss", deve ser escrita com um "s", a razão é que se uma busca é feita na net só a grafia transcrita do japonês ao inglês leva a buscas ricas, por esta razão não devemos omitir os "Y" e dobrar os "s" para adaptar à nossa pronúncia usual em português.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

No buddhismo há uma crença a qual se converter?


O zen budismo não é uma religião de “acreditar” mas sim de despertar, e despertar significa despertar de todas as ilusões, inclusive das ilusões das crenças.

Existe sim algo a que se converter, é converter-se a possibilidade do homem acordar das ilusões através de um método de prática, porem como este é experiencial você precisa testa-lo por si mesma, não necessariamente tendo uma fé mas tendo confiança de que vale a pena ao menos testar, assim é o budismo, encoraja o homem a experimentar, não a se converter sem sentir os resultados de uma prática.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Aprender os sons



Num mosteiro, e nos retiros (sesshins) do zen, os eventos são marcados por sons, isto permite deixar de lado os relógios e apenas seguir os sinais sonoros, sem cogitar. Na foto, Sodô San, postulante a monja, ensina aos praticantes como tocar os instrumentos sonoros. A prática destas formas exigentes é um excelente instrumento para se aprender a prestar atenção ao momento presente e um grande auxiliar na prática meditativa.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Caminhada dos iniciantes no zen




A prática de caminhadas meditativas é presente no budismo desde o tempo de Buddha, trata-se de andar, em silêncio, esforçando-se para estar realmente presente, sentindo o chão sob os pés, os cheiros e o vento, respirando profundamente, tenta-se estar plenamente no momento sem cogitar do passado e do futuro.
Vemos os iniciantes do retiro zen de Florianópolis caminhando na trilha que vai dar na Lagoa do Peri, e na foto acima, no mirante próximo à sala de meditação, olhando o mar na excelente foto de Michel Seikan.
Mais fotos aqui

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sesshin para iniciantes



Foto do final do sesshin de iniciantes em Florianópolis, adicionados os participantes de Rio do Sul e Joinville o retiro atingiu um numero extraordinário para a prática do zen, 26 pessoas presentes. Neste retiro montado especialmente na casa de retiros N. S. de Fátima, foram enfatizadas as caminhadas meditativas, as refeições formais e as palestras, mas mesmo assim um bom numero de horas de meditação foi realizado.
Ficou demonstrado o grande interesse em iniciar na prática séria do zen, na fila da frente os praticantes mais antigos que trabalharam como monitores ajudando os novos praticantes.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Meditação no Hospital


Lembremos que o Ministério da Saúde recomendou a prática de meditação com finalidades terapêuticas, a iniciativa de membros do Templo Busshinji em SP está descrita abaixo, um exemplo a ser seguido:

"Através do zazen, podemos despertar qualidades naturais de alegria, compaixão, liberdade, harmonia e respeito para com todos os seres, favorecendo, assim, o desenvolvimento de uma comunidade pacífica e feliz.

Nesse sentido, iniciam-se a partir de 10 de novembro práticas de zazen no Hospital do Servidor Público Municipal, sob responsabilidade dos monges Jisho e Koun e do praticante Shokan. A prática é aberta ao público em geral (e não apenas a funcionários, pacientes e visitantes).

O Hospital conta com uma sala de meditação, com vários zafus e zabutons, num recinto agradável e apropriado para o zazen.

Todos estão convidados a participar e a divulgar essa iniciativa.

Local:
Hospital do Servidor Público Municipal
9º andar – Sala de Meditação.
Rua Castro Alves, 60 – Aclimação
Metrô Vergueiro
São Paulo

Horários:

Segundas e terças-feiras
7:00, 7:45, 8:30, 9:15."
(Do blog Sangha Margha)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Kenshô - A experiência mística


P: No livro os três pilares do Zen de Roshi Philip Kapleau encontramos uma crítica à escola Soto Zen com relação à importância da experiência do Kensho. O que o senhor diria disto?

R: É a tentativa de dizer que no Soto Zen não se valoriza a experiência mística, o Kenshô, porém isto não é verdadeiro. Coisas de competição entre escolas, mente discriminativa...o Kenshô é muito importante na escola Soto, a diferença é que não se faz um esforço determinado para obter experiências através da solução de koans, e festeja-las. Na escola Soto se entende que isto reforça o ego porque a pessoa quer muito atingir um algo especial, quem atinge uma pequena experiência fica orgulhoso e se distingue dos demais, na escola Soto se pensa que é preciso abandonar corpo e mente, inclusive o desejo de ser especial, conseguir uma iluminação, ser melhor que os outros. Só assim realmente se pode chegar a abandonar o ego.
Dogen Zenji abandonou o Japão, e passou por vários mestres na China se decepcionando com a decadência do ensino, respostas decoradas... falta de verdade na realização espiritual... e foi assim que trouxe o Soto da China, onde o encontrou com Tendo Niojo. Na sua iluminação discretamente anunciou a Niojo: "corpo e mente foram abandonados" (deixei cair...)e o mestre ao fim lhe disse: "também deves renunciar a idéia de que corpo e mente foram abandonados..."

No entanto os koans são sim usados na escola Soto, como auxiliares da prática e não como seu centro. Mesmo com todo o esforço percebo que é a vaidade e o ego o maior problema a afligir os praticantes, mesmo monges sofrem muito com isto. Outro ponto importante neste livro citado é que Kenshô e Satori aparecem como conceitos semelhantes, na escola Soto o Kenshô é a experiência mística, coisa boa mas bem longe da iluminação ainda, esta, o Satori, é a posse de uma estável realização espiritual, sempre disponível para quem chega lá, não é algo que pode se esvanecer facilmente como o Kenshô. E mesmo assim há vários níveis de iluminação, por exemplo você pode ter uma compreensão clara e ela ainda não se expressar em todas as suas ações, isto sim é um nível realmente grande e mesmo assim há níveis mais elevados.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Fotos de Ordenação Monástica de Jorge Kohô e Cerimônia de Jukai




Em Porto Alegre,através do ensinamento autorizado da Abadessa Coen Sensei, em outubro de 2008, foi realizada a Ordenação Monástica de Jorge Kohô, um praticante já antigo do zen, pessoa de múltiplas experiências e agradável convívio e da Cerimônia de Jukai (investidura leiga) de vários alunos do zen, provenientes das Sanghas de P. Alegre. Nossos cumprimentos efusivos a estes prezados amigos!
Mais fotos no site da repórter Thareja

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Por quê ordenações oficiais no zen? Perguntas


P: Por quê ordenações oficiais?

R: Porque desde os tempos de Buddha há regras para as ordenações, elas incluem concordância das famílias dos noviços jovens,raspar a cabeça para mulheres e homens, presença de monges testemunhas, ordenação por alguém que foi por sua vez devidamente ordenado e galgou o reconhecimento formal da instituição e de um mestre como realizado espiritualmente. Se uma pessoa, sem este reconhecimento ligado a uma linhagem sólida, faz ordenações, ou se são feitas fora das regras criadas por Buddha, elas simplesmente não são a continuação da linhagem de Buddha e portanto são inválidas.
Para entender melhor imagine encontrar um padre que clame ser um sacerdote católico, mas que você descobre não ter cursado o seminário, não ter sido ordenado por um bispo, não ser reconhecido nem registrado dentro da Igreja Católica, você o tomaria como um sacerdote legítimo?

P: Mas ouvi dizer que Buddha não criou uma religião organizada, que nunca foi buddhista, coisas assim!

R:Isto é desconhecimento dos próprios sutras buddhistas, eles contam detalhadamente que Buddha organizou seus discípulos com regras claras,( o Vinaya), estabeleceu uma extensa regulamentação, criou hierarquia entre seus discípulos, regras de subordinação, vestimentas distintivas, etc... tudo o que identificamos como uma religião organizada.

P: Como o senhor acha que ordenações irregulares, organizações paralelas, professores auto nomeados, serão problemas superados no futuro?

R: Isto não é novidade na história buddhista, já aconteceu no passado muitas vezes, as organizações paralelas tendem a enfraquecer com o tempo pois não tem raízes sólidas. Passados os séculos mal temos referências sobre suas existências, só as ordens oficiais e organizadas sobreviveram. No Brasil, e eu mesmo passei por esta experiência, pois fui ordenado sem registro inicialmente, monges nesta situação que tinham grupos de prática começaram a procurar registro, reconhecimento oficial e ordenações válidas, isto acabará ocorrendo no restante da América do Sul. Sempre que merecido a organização central os acolheu e regularizou a situação. Isto provê a estes religiosos a oportunidade de treinar e progredir além da situação de noviços (Jôza), dá a eles a oportunidade de viajar pelo mundo nas diferentes sedes da Soto Zen Shu, receber apoio em seu trabalho, ascender recebendo novas graduações e mesmo chegar a transmissão da luz, oficial, e vestir digna e corretamente o manto amarelo dos monges plenos (Osho).

P: Mas isto não faz da Soto Zen Shu a "Igreja" do zen?

R: Voltamos a questão inicial, as instituições tem defeitos e inevitavelmente são feitas de homens imperfeitos, porem elas é que realmente preservaram os ensinamentos e conseguiram passa-los adiante. As organizações paralelas independentes tendem a cair em lutas internas por poder, mal crescem um pouco, por esta razão não sobrevivem, falta-lhes a força da linhagem. A Soto Zen Shu,que traça sua linhagem de mestres desde Shakyamuni Buddha, não por acaso, há quase 800 anos sobrevive e criou universidades, centros, mosteiros, são 14 000 templos oficiais, e espalhou o ensinamento zen pelo mundo, sua plêiade de grandes mestres é impressionante, os descaminhos tiveram oportunidade de ser elaborados por uma forte crítica interna que está bem viva nos dias de hoje, esta vitalidade é a seiva da qual podemos todos nos nutrir para preservar o Dharma de Buddha.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Para quê cerimônias, sutras, formas..?


P: Eu compreendo a importância de se fazer Zazen corretamente, mas existe alguma importância em qualquer outra atividade senão a meditação? Sutras, textos, maneiras de se agir: tudo isso me parece tão pretencioso e não-sincero...

R: Sim, há outras maneiras de treinar, a pretensão surge na mente, assim treinar cerimônias é uma maneira de abandonar esta mente que julga e tem opiniões, treine com um grupo sério e um professor regularmente ordenado com uma linhagem clara, e sim, treine com o grupo também.
A convivência traz atritos e estes são os polidores do praticante, aqueles que se afastam por atritos, com os companheiros, são como pedras brutas de diamante que quebram nas mãos do polidor, tinham uma rachadura que só surgiu no polimento, isto é muito importante.

sábado, 8 de novembro de 2008

Novo Blog zen no Chile


El valor de la sangre - Claude Anshin Thomas monje zen
5 de Noviembre de 2008

Traductor: Javier Gil (artículo de medialens.org)

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El valor de la sangre

La soberanía, hecha añicos por la fuerza

“Mi trabajo en Vietnam consistía en matar a gente. Para cuando me hirieron por primera vez en el campo de batalla (dos o tres meses después de entrar en combate), yo ya había sido directamente responsable de la muerte de varios cientos de personas. Ahora no pasa un solo día sin que vea muchas de sus caras.”

Son palabras de Claude Anshin Thomas, al relatar sus experiencias como jefe de tripulación de helicópteros de asalto estadounidenses en la Guerra de Vietnam. Thomas recuerda un incidente en especial:

“Llegamos allí muy bien equipados… abrimos fuego y, sin darle más vueltas, destruimos el poblado por completo. Lo destruimos todo. Una auténtica masacre, una locura. No había nada allí que no fuera parte del enemigo. Así que matamos todo lo que se movía: hombres, mujeres, niños, ganado, perros, gallinas. Sin ningún sentimiento, sin ni siquiera pensarlo. Fue fruto de la locura. Destruimos casas, árboles, vehículos, todo. Lo único que quedó al terminar eran cuerpos sin vida, fuego y humo. Era como un sueño, no parecía real. Sin embargo, cada uno de los actos que cometimos fueron completamente reales.” (Thomas, At Hell’s Gate - A Soldier’s Journey From War To Peace, Shambhala, 2004, p.20)

Tal y como le sucede a cualquier veterano de guerra, sea del bando que sea, la guerra nunca terminó para Thomas. El sufrimiento que él causó y experimentó le llevó a experimentar nuevos casos de violencia, odio, autorechazo, abuso de las drogas y del alcohol, y desamparo familiar, situándole al borde del suicidio y de otros tormentos. En su libro, At Hell’s Gate - A Soldier’s Journey From War To Peace (A las puertas del infierno – El recorrido de un soldado de la guerra a la paz), Thomas describía cómo encontró la cordura mediante la propia aceptación de su sufrimiento, y mediante la compasión por los demás y por sí mismo. Tras haber sido ordenado monje budista Zen, Thomas ha dedicado su vida al activismo por la paz, visitando zonas en conflicto en todo el mundo y realizando un peregrinaje pacifista de 8.000 kilómetros que le llevó desde Auschwitz (Polonia) hasta Vietnam.

Thomas tiene un mensaje fundamental para todos nosotros sobre la verdadera naturaleza y origen de la violencia:

“Es importante tener en cuenta que los veteranos de guerra no son los únicos sobre los que recae la responsabilidad de las atrocidades de la guerra. Los que no son veteranos también aprueban la guerra, respaldan la entrada en la guerra, apoyaron el envío de tropas a Vietnam – y son precisamente los “no veteranos” quienes a menudo dan la espalda a los soldados a su regreso, en un intento por evitar su propia complicidad con la guerra… Pero si analizamos este asunto más de cerca, nos damos cuenta de que quienes no lucharon en el campo de batalla no son distintos a los que sí lucharon; todos somos responsables de la guerra. La guerra no es algo que sucede de forma ajena a nosotros; es una proyección de nosotros, sus raíces parten de nosotros mismos. Se forja dentro de todos nosotros.” (pp.50-51)
Do Blog http://www.sotozen.cl/

Íntegra aqui

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A investidura leiga: O Jukai


Qual o Significado de Jukai?
(texto de Monja Isshin copiado do blog: link )
Qual o significado da Cerimônia da Transmissão dos Preceitos para Leigos (Jukai ou Zaike Tokudo)?

Nesta cerimônia, o praticante do Zen Budismo assume formalmente seu voto de orientar sua vida de acordo com os Dezesseis Preceitos do Bodisatva. Neste momento, também assume um relacionamento com o Professor dos Preceitos e entra formalmente na “Família de Buda” (a Sanga), que, desde a época de Buda, é composta de quatro grupos: os monges, as monjas, os praticantes leigos e os praticantes leigas.

Não é uma ordenação - assim sendo, procuramos evitar o termo “leigo ordenado”, apesar do fato deste termo ter caído no uso comum no Ocidente. Os kanjis (ideogramas chineses) que formam o termo “zaike” (在家) significam “ficar no lar” e os kanjis para “tokudo” (得度) significam literalmente “obter a travessia”, ou “entrar no caminho para a outra margem” - a travessia para a outra margem, que é a Iluminação. Corresponde aproximadamente à confirmação católica ou o batismo protestante e não possui qualquer significado de “colação de grau” ou de algum tipo de “formatura”, nem confere qualquer tipo de “autorização” especial. O termo “monge leigo” definitivamente não existe, por ser uma contradição de termos.

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Durante a cerimônia, depois de afirmar três vezes o seu voto de seguir os Preceitos do Bodisatva, o praticante recebe o rakussu (possivelmente costurado por ele mesmo) assinado no verso pelo professor dos preceitos, um nome do darma e, possivelmente, um documento de “linhagem” simbolizando sua entrada na “Família de Buda”.

Dentro de seu grupo de prática, depois de receber o seu rakussu, o praticante geralmente passa a assumir um papel de “monitor”, ajudando a dar as orientações básicas às pessoas mais novas. Mesmo assim, sua prática deve sempre ser voltada para o aprofundamento de sua própria prática, o cultivo de sua própria mente e a caminhada em direção à Iluminação.

Ouvir a gravação da cerimônia com seus votos aqui

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O novo Centro de Treinamento do Zen em SP




Acima vemos o estágio das obras do novo Centro de Treinamento da Soto Shu em SP. Ele se localiza atrás do templo Busshinji, na Liberdade. Com este centro a escola zen budista mais importante do Japão começa um importante movimento, tornar possível formar monges e professores do Dharma, com o método tradicional da escola, sem que seja necessário morar no Japão e aprender sua língua (aprender a ler e escrever é uma tarefa de anos).
Novos centros como este existirão na França (La Gendroniére) e nos EUA, isto marca a internacionalização formal da escola zen depois de meio século de presença no ocidente. Esperamos inaugurar o centro de SP no primeiro semestre de 2009.

Apesar disso ainda falta verba para o total acabamento, como móveis, louças e decoração.
Você pode fazer uma doação para a construção do novo prédio do Templo Busshinji, ligue para 11 3208-4515 ou 3208-4345 e fale com a Sawa San.
(Copiada em parte do blog Sangha Marga)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O que é a ordenação monástica no zen


Qual o Significado de Shukke Tokudo?

A Cerimônia da Ordenação Monástica Soto Zen, Shukke Tokudo (出家得度), representa o momento quando um praticante leigo torna-se monge-noviço ou monja-noviça (Jôza 上座) e entra na primeira fase de seu treinamento, se preparando para cumprir o papel social de sacerdote.

Mas qual o significado de Shukke Tokudo? Para que alguém torna-se monge?

Os ideogramas chineses (kanjis) para “tokudo” (得度) significam “obter a travessia”, ou “entrar no caminho para a outra margem” – a travessia para a outra margem, que é a Iluminação, e os kanjis para “shukke” (出家) significam “sair do lar”. Assim, “shukke tokudo” significa “obter a travessia, saindo do lar, deixando os laços familiares”, enquanto que o “zaike tokudo” significa “obter a travessia, ficando no lar”.

Representa uma mudança na prioridade da vida do indivíduo. E qual é esta nova prioridade?

Tenho ouvido muitas pessoas afirmarem que a prioridade do monge deve ser o “servir os outros” ou “servir o Darma”. Tenho visto muitas pessoas buscarem a ordenação “para se tornar alguém”, “para ganhar um título, uma posição social”, “para salvar pessoas”. Tudo isto pode ser muito bonito – e certamente não diria que estaria completamente errado. Mas, se ao iniciar o caminho, o novo monge-noviço pensa demais em “servir os outros”, ele corre o risco de perder o foco correto e desviar a sua prática, por estar assumindo responsabilidades demais e envolvendo-se com tentativas de “servir os outros” cedo demais, antes de realmente estar corretamente preparado para isto. Neste processo, desvia a atenção do seu interior e a busca da realização de sua Natureza Buda e pode até acabar usando os ensinamentos budistas, mal-interpretados, para justificar e reforçar comportamentos neuróticos. Quantos bons candidatos acabam se perdendo nos jogos do ego condicionado nestas horas.

Quando pesquisamos os sutras clássicos e os ensinamentos de Mestre Dogen, a mensagem é muito clara: nós nos ordenamos monges para buscar a nossa própria iluminação, por um caminho mais fácil que o caminho do praticante leigo, com as suas preocupações com a família e o trabalho profissional. A iluminação é a prioridade do monge-noviço. Isto é verdade, mesmo na tradição Mahayana, com os Quatro Votos dos Bodisatva - servir e libertar os outros vem depois – depois que tenhamos atingidos algum nível de realização, depois da nossa própria libertação (mesmo que parcial), depois que tenhamos condições de servir os outros com Sabedoria e Compaixão – e a confirmação deste fato por parte dos nossos professores. Primeiro, temos que nos preparar adequadamente. (Copiado de http://monjaisshin.wordpress.com/2008/10/31/qual-o-significado-de-shukke-tokudo/ leia a íntegra do artigo de Monja Isshin no blog, clique no link abaixo)
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