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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Raiva e tristeza


P: Jogo vídeo game, Fifa, e quando perco fico com raiva, triste por perder do computador, como devo fazer?

R: Você deve jogar se concentrando no fato de que o jogo é todo ilusão e que a raiva que surge é uma tolice sua. Pratique meditação e retorne. Quando não mais surgir nenhum sentimento, nem de alegria por ganhar, você realmente terá conseguido algo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Quais são as graduações dos monges?


Foto em Ryumonji, com mantos pretos noviços e monges aprendizes, com um manto verde o abade, com mantos amarelos monges plenos, ao centro um Roshi, com um koromo marrom abaixo do manto amarelo.


Boa pergunta, pois algumas pessoas me escreveram entendendo que o Hossenshiki, ainda raro em nosso meio, dá alguma graduação especial, não é o caso, explico as graduações iniciais na escola Soto Zen abaixo, com a ajuda de texto de Monja Isshin e de Coen Sensei:

Monges-noviços (jôza), possui um registro mas é um registro provisório que depende de completar um período mínimo de treinamento monástico. Na realidade, é um estudante. Não pode oficiar cerimônias, exceto em casos especiais com licença expressa. Usa um manto preto.

Monges-aprendizes" (zagen) noviço que completou o período de shuso (monge líder), faz a cerimônia de Hossenshiki, passa a ter o registro permanente como "unsui" - "monge-em-treinamento" mas não é reconhecido como "monge plenamente formado". Oficia algumas cerimônias substituindo monges plenamente formados no caso de necessidade. Continua com o manto preto.

Monges plenamente formados" (oshô) - depois da Transmissão do Darma, cerimônia em que se reconhece alguma realização espiritual, o monge pode fazer a cerimônia de Zuisse, em que homenageia os ancestrais patriarcas da ordem nos templos sede Eiheiji e Sojiji. É somente nestas cerimônias que a escola dá o seu reconhecimento formal ao monge, o novo membro da escola. Então passa a usar um manto amarelo.

Depois disto, há diferentes niveis de qualificação: monge formado, abade de um templo, abade de um mosteiro, Professor, Roshi (velho mestre) etc...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Shôjin ryôri



A monja Gyoku En lança livro sobre a culinária "shôjin ryôri", praticada nos mosteiros zen-budistas, que prega concentração total, silêncio e organização e evita desperdício no preparo de alimentos.
(Monja Gyoku En foi ordenada noviça por Saikawa Roshi e formalmente registrada na Escola Zen Soto ZenShu, a maior das escolas zen budistas)

FLÁVIA MANTOVANI
DA REPORTAGEM LOCAL

Quem já entrou numa cozinha no momento em que é preparada uma refeição para muita gente sabe que tem grande chance de encontrar uma cena próxima ao caos. Mas não se o que estiver sendo feito for algo da culinária "shôjin ryôri". Não importa se o banquete é para duas ou 50 pessoas: barulhos tradicionais como o de panelas batendo, gente correndo ou cozinheiros gritando dão lugar a silêncio e concentração.
É como se o ato de cozinhar ganhasse ares monásticos. E é disso que se trata: a "shôjin" é a culinária dos mosteiros zen-budistas e tema do livro "O Zen na Cozinha" (ed. Sustentar, 128 págs., R$ 30), recém-lançado pela monja Gyoku En -nome de batismo Magda-, 58.

Segundo ela, o silêncio e a concentração em cada tarefa podem transformar o ato de cozinhar numa forma de meditação. "Costumamos cozinhar batendo papo, com a TV ligada, mas, na culinária "shôjin", deve-se exercitar a plena atenção e deixar os pensamentos passarem. Podemos meditar no nosso dia-a-dia."
Apesar de vários de seus princípios estarem em voga -como a valorização de alimentos orgânicos, da época e da região e o reaproveitamento de talos e cascas-, a culinária "shôjin" é milenar: seus fundamentos foram escritos em 1237 por Mestre Dôgen, autor de "Shobogenzo" (do japonês, tesouro do olho da verdadeira lei), tratado sobre a prática nos mosteiros zen-budistas.
O trecho relativo à culinária "shôjin", chamado "Tenzô Kyokun" (instruções ao cozinheiro zen), traz ensinamentos sobre temas como a renovação dos menus de acordo com as estações, o cuidado diário com os objetos e a importância da limpeza e da organização.
Esses dois últimos princípios, aliás, são muito ressaltados. "As cozinhas dos mosteiros são simples, mas muito organizadas, limpas e eficientes. Cada coisa tem seu lugar. Quando o "tenzô" [monge cozinheiro] entra, nunca se perde e tem tranqüilidade para atuar", conta Gyoku En.

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Com a decisão de tornar a alimentação mais natural, Magda decidiu aprender a meditar, e foi assim que chegou ao zen-budismo. Praticante assídua, só decidiu se tornar monja tempos depois. Mesmo antes da ordenação, já cozinhava em mosteiros, nos retiros. "Eles sempre me davam algo para moer: milho, arroz. Era cansativo e eu era muito elétrica. Mas precisava treinar a atenção."
Em um mosteiro no Japão, Gyoku En ficou encantada com o requinte na apresentação das refeições. Os vários pratos são servidos em recipientes individuais. "Eles se preocupam com o ponto certo, cortam bonitinho, põem uma vagem em cima da outra, colocam um molhinho. E a cerâmica usada é maravilhosa. "Shôjin" é assim, bonita de ver", exemplifica.
Além da atenção para que a comida fique al dente, os cuidados incluem usar fogo brando e temperos sutis. "Cada alimento deve conservar seu próprio gosto. Essa história de mascarar sabores é desta civilização."
Prega-se, ainda, a moderação ao comer: segundo o livro, ao sair da mesa, o ideal é estar com 20% do estômago vazio.
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Além de frutas e verduras, o cozinheiro zen utiliza ingredientes como soja, brotos e algas marinhas. Não há pão, e o açúcar e o óleo vegetal entram em pequena quantidade.
Segundo Gyoku En, inspiração e criatividade conseguem transformar uma gama limitada de ingredientes em pratos requintados: opções como o arroz de gengibre, o sushi de cará e a salada de nabo com caqui maduro, receitas que estão no seu livro; ou o chocolate rústico que ela fez com açúcar mascavo e bagas de cacau doadas para um mosteiro; ou a pizza com massa de milho, molho de tomate da horta e queijo do leite da vaca criada por monges. "É uma culinária que nutre o corpo, a alma, o espírito", diz.
A monja é hoje diretora espiritual do Dojo Cazazen - Comunidade Zen Budista de Brasília. Foi depois de dar cursos de "shôjin" que decidiu escrever o livro. Segundo ela, seus princípios podem ser seguidos mesmo por quem não é zen-budista. "Basta querer. De repente, a a pessoa tem uma cozinha muito bagunçada e quer deixá-la mais organizada. Ou, se alguém quiser tentar a atenção plena, pode começar hoje mesmo."

Fonte (para assinantes): http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq2808200805.htm
(Cortesia de Michel Seikan)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Sangha Zen Budista de Joinville



Sob a liderança de Antonio Carlos San, um engenheiro dedicado há já uma década a prática do zen, a Sangha Zen Budista de Joinville se consolida. A foto é da reunião de ontem, segunda feira, por enquanto o grupo se reúne para meditar na casa de Antonio Carlos (na foto com o símbolo na camiseta) com a hospitalidade de Luzia, sua espôsa, (com a cachorrinha ao colo).

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Mais um casamento budista



Cada vez mais casais procuram um casamento zen budista em Florianópolis, neste sábado foram Álvaro e Tamíris. Os motivos são os belos e emotivos votos entre os nubentes associadas a descomplicação da cerimônia, visto o casamento zen budista não ser um sacramento e sim uma bênção pública que não exige sequer que os noivos sejam praticantes zen budistas. Basta que desejem fazer seus votos um ao outro à frente de um monge ordenado por uma escola budista reconhecida.

sábado, 25 de outubro de 2008

Votos de Coen Sensei sobre Hossenshiki


Que o pinheiro cresça tão alto quão profundas forem suas raízes.
Congratulações
Coen

(Ao fazer o Hossenshiki o monge planta uma muda de pinheiro)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Oriokys



Com suas tigelas (oriokys) à frente, praticantes iniciam as dedicações da refeição no Sesshin aberto de Florianópolis, Saikawa Roshi está ao centro da mesa, todas as orações são feitas em português. A sala é o refeitório da casa de retiros N. Sra. de Fátima, dos jesuítas, que a alugam para grupos diversos, por esta razão as belas imagens católicas ao fundo.
(Clique sobre a foto de Michel para amplia-la)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Jukai




Cinco alunos de Florianópolis e três da Sangha Àguas da Compaixão de POA receberam suas investiduras leigas (rakussus) de Saikawa Roshi no Sesshin Aberto de outubro 2008. Nesta cerimônia, chamada Jukai, os praticantes tomam 16 preceitos de prática e se refugiam em Buddha no Dharma e na Sangha. Recebem também nomes de praticantes, que são guias espirituais para o resto da vida.
Na foto coletiva, em que aparece a maior parte dos 36 presentes ao sesshin, estão sentados à frente, da esquerda para a direita: Meiyo San, Isshin San, Saikawa Roshi, Genshô, Handa Sama.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Por quê há novas ordenações oficiais pela Escola Soto Zen?

O que sucedeu no Brasil e em outros países foi que pessoas foram ordenadas, privadamente, sem registro pela Soto Shu internacional, por monges que não tinham como registra-las, por, por exemplo, não terem um templo próprio, condição essencial.
A medida que o zen se organiza no ocidente faz-se um esforço para recomeçar seguindo as regras milenares estabelecidas por Buddha, registrando e dando treinamento apropriado aos que foram ordenados sem cumprir as regras mantidas desde os tempos de Buddha 2500 anos atrás e que são identificados por seu idealismo e trabalho. Regras tais com raspar os cabelos, documentação apropriada e cumprir certos requisitos de treinamento.
Até o momento, apenas aproximadamente 10 % dos ordenados privadamente tem sido aptos ao reconhecimento e ordenação oficiais.
No Brasil, o Colegiado Buddhista Brasileiro não reconhece os monges ordenados fora das regras oficiais, seja em que escola for, entende que seria como reconhecer o direito de ser chamado de doutor a um "advogado" que não houvesse estudado na faculdade, feito o exame da ordem, colado grau.

Ordenação de Meiyo San, de Santiago do Chile




No sesshin aberto de Florianópolis foi ordenado por Saikawa Roshi, como monge noviço, Pedro Perez Vargas. Monge Meiyo havia sido ordenado (privadamente, por um mestre europeu) na Suíça e agora tem seu registro oficial, é um excelente praticante com experiência em vários centros zen da Europa.
Na foto Handa Sama segura seu rakussu enquanto Saikawa Roshi lhe entrega seu manto de monge, o Kesa.

Monge Meiyo tem uma excelente educação européia, fala fluentemente 6 idiomas: romeno, alemão, espanhol, holandês,inglês e francês, é um excelente amigo, afável e com uma inteligência aguda. Na vida profana é um executivo de sucesso que já trabalhou em vários países.
Mais fotos da ordenação aqui

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O Shipei



O Shipei é portado pelo monge que recebe a ordenação de Hossenshiki ( Monge Líder)na foto ele (Genshô) está ao lado de Meiyo San, monge de Santiago do Chile e observado por Handa Sama , ambos excelentes amigos que o auxiliam na cerimônia de graduação.
Atrás alunos leigos graduados que após interrogarão o monge no Combate do Dharma, em que todos, monges e leigos, tentam deixa-lo embaraçado com questões doutrinárias à maneira zen.
Mais fotos aqui
As excelentes fotos são de Michel Seikan (agora com um nome do Dharma!)

domingo, 19 de outubro de 2008

Fotos do sesshin de outubro 2008 em Florianópolis


Foto Michel

Vista sul da casa de retiros onde realizamos o Sesshin (retiro) aberto da Comunidade Zen Budista de Florianópolis, pode-se ver fotos do retiro aqui

Poema de Monja Isshin

Do pico do Morro das Pedras,
neste dia encoberto e chuvoso,
surge uma claridade - a Luz de um novo Dragão,
alçando vôo para transmitir o excelente e profundo Dharma nas Dez Direções. Congratulações.

para Meihô Genshô, pelo seu Combate do Dharma (Hossenshiki)
(mei=claridade; hô=pico; gen=profundo; shô=excelente)

Monja Isshin

sábado, 18 de outubro de 2008

Poema do Monge Kogen

Poema de Monge Koun

Como não pude estar presente na Batalha do Dharma, envio meu poema de congratulações!


no céu vazio

plana a gaivota

o Dharma sutil

atravessa o Universo


congratulações!!!!!

Koun

Gasshô

"Felizes, seguros, que todos os seres tenham o coração pleno de bem-aventurança."

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Nambei Sesshin



Monges e postulantes em Sesshin de treinamento em Itapecirica da Serra, SP, no templo Eikoji juntamente com o Superior da América do Sul Saikawa Roshi, em outubro de 2008.

domingo, 12 de outubro de 2008

Convite para o dia 17 de outubro


Hossenshiki em um templo japonês.

Dia 17 de outubro (sexta) às 9h com a presença de Saikawa Roshi, mestre e superior da Escola Soto Zen para a América do Sul, e monges, do Brasil e do exterior, regularmente ordenados e reconhecidos internacionalmente pela Soto Zen, haverá a cerimônia de Hossenshiki (Combate do Dharma) de Monge Genshô. Ocasião em que receberá uma graduação de defensor do Dharma e responderá perguntas publicamente de alunos que o desafiam, a cerimônia é aberta ao público e os que a desejarem assistir devem se dirigir pela manhã do dia 17 à Casa de Retiros no Morro das Pedras.

Amigos, de novo entro em retiro, sem comunicações até 17 de outubro à noite.

sábado, 11 de outubro de 2008

Como viver no presente se precisamos planejar?


Para viver precisamos também planejar, este é o mundo relativo que é diverso ( e o mesmo) do mundo absoluto. Assim planejar é um ato do presente que contem o futuro.

Para entender a identidade entre relativo e absoluto o texto mais clássico é “Sandokai”:



Sandokai - IDENTIDADE DO RELATIVO E DO ABSOLUTO

A MENTE DO GRANDE SÁBIO DA ÍNDIA
ESTAVA INTIMAMENTE LIGADA DE LESTE A OESTE.
ENTRE SERES HUMANOS HÁ SÁBIOS E TOLOS
MAS NO CAMINHO NÃO HÁ FUNDADOR DO SUL OU DO NORTE.
A FONTE SUTIL É CLARA E BRILHANTE.
AS CORRENTES TRIBUTÁRIAS FLUEM ATRAVÉS DA ESCURIDÃO.
APEGAR-SE ÀS COISAS É ILUSÃO,
ENCONTRAR O ABSOLUTO AINDA NÃO É ILUMINAÇÃO.
UM E TODOS, AS ESFERAS SUBJETIVA E OBJETIVA
SÃO RELACIONADAS E AO MESMO TEMPO INDEPENDENTES.
RELACIONADAS E, AINDA ASSIM, FUNCIONAM DIFERENTEMENTE
EMBORA CADA UMA MANTENHA SEU LUGAR.
A FORMA FAZ COM QUE O CARÁTER E APARÊNCIA DIFIRAM.
OS SONS DISTINGUEM CONFORTO E DESCONFORTO.
O ESCURO FAZ DE TODAS AS PALAVRAS, UMA;
A CLARIDADE DISTINGUE FRASES BOAS E MÁS.
OS QUATRO ELEMENTOS VOLTAM À SUA NATUREZA,
ASSIM COMO UMA CRIANÇA PARA SUA MÃE.
FOGO É QUENTE, VENTO É MOVIMENTO,
AGUÁ É ÚMIDA E TERRA É DURA,
OLHOS VÊEM, OUVIDOS ESCUTAM, NARINAS CHEIRAM,
A LÍNGUA SENTE O SALGADO E O AZEDO.
CADA UM, INDEPENDE DO OUTRO.
CAUSA E EFEITO DEVEM RETORNAR À GRANDE REALIDADE,
AS PALAVRAS ALTO E BAIXO SÃO USADAS RELATIVAMENTE.
DENTRO DA LUZ HÁ ESCURIDÃO
MAS NÃO TENTE COMPREENDER ESTA ESCURIDÃO.
DENTRO DA ESCURIDÃO HÁ LUZ
MAS NÃO PROCURE POR ESTA LUZ.
LUZ E ESCURIDÃO SÃO UM PAR,
COMO O PÉ NA FRENTE E O PÉ DE TRÁS, AO ANDAR.
CADA COISA TEM SEU VALOR INTRÍNSECO E ESTÁ RELACIONADA A TUDO O MAIS EM FUNÇÃO E POSIÇÃO.
A VIDA COMUM SE ENCAIXA NO ABSOLUTO,
COMO UMA CAIXA À SUA TAMPA.
O ABSOLUTO TRABALHA COM O RELATIVO,
COMO DUAS FLECHAS SE ENCONTRANDO EM PLENO AR.
LENDO ESTAS PALAVRAS, APREENDA A REALIDADE.

NÃO JULGUE POR NENHUM VALOR.
SE VOCÊ NÃO VÊ CAMINHO, NÃO O VÊ MESMO AO ANDAR NELE.
QUANDO VOCÊ CAMINHA, NÃO É PERTO NEM LONGE.
SE ESTIVER DELUDIDO, ESTARÁ A RIOS E MONTANHAS DE DISTÂNCIA.
RESPEITAVELMENTE DIGO ÀGUELES QUE QUEREM SER ILUMINADOS:
"NOITE E DIA, NÃO PERCAM TEMPO!"

domingo, 5 de outubro de 2008

Será que o Nada que Eckart cita não é o nada?


O problema é este pensamento dual: existe – não existe, ele expressa a chamada mente dualista: em cima x embaixo, direita x esquerda, bom x ruim, pecado x virtude, esta mente que treinamos com a linguagem é falsa como instrumento para esta compreensão, funciona bem só até um certo ponto, como você está preso a esta mente não pode dar este salto. Grande parte do treinamento do zen é para explodir esta mente da linguagem. Curiosamente ela também é aplicada à linha do tempo: direita x esquerda, atrás x na frente, e isto aprisiona o homem em uma linha newtoniana de representação mental, assim acreditamos em passado e futuro como realidades.

(Amigos, estarei em retiro até sexta 10/10, não poderei postar no blog)

sábado, 4 de outubro de 2008

Meister Eckart


"A luz que Deus é brilha no escuro. Deus é que é a verdadeira luz. Para ver isto a pessoa deve estar cega e deve tirar para fora de Deus tudo o que é algo. Um mestre diz que aquele que falar de Deus através de qualquer semelhança, fala de modo impuro Dele. Mas falar de deus através do "nada", é falar de Deus corretamente. Quando a alma unificada entra na total auto-abnegação, encontra Deus como um Nada."
Meister Eckart
(Frade Dominicano do Sec XIII, muito considerado no meio zen budista , ele curiosamente, nasceu logo após à morte de Dogen Zengi, o monge que trouxe o zen para o Japão desde a China. Seus escritos tem grandes similaridades, tendo sido ambos grandes pregadores em suas próprias linhagens religiosas.)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Como é o chamado Nobre Silêncio praticado nos retiros zen budistas rigorosos?


Existe o mito de que os ocidentais, em especial os brasileiros, são incapazes de praticar o silêncio da prática espiritual tradicional. Na verdade os monges trapistas o fazem há séculos nos mosteiros católicos de sua ordem.
As instruções para os retiros praticados na Comunidade Zen Budista de Florianópolis estão abaixo, podemos dizer que os brasileiros, se bem instruídos à respeito, são perfeitamente capazes de seguir tais instruções:

SOBRE O NOBRE SILÊNCIO

Este é um sesshin com prática de silêncio, este significa silêncio de comunicação. Não nos cumprimentamos, não cochichamos, não dizemos obrigado ou desculpe, simplesmente prestamos a máxima atenção ao que estamos fazendo e nos empenhamos em ser perfeitamente gentis, sempre cedendo lugar aos outros ou esperando que passem. Evitamos olhar os outros nos olhos ou fazer qualquer gesto de comunicação, como sorrir ou acenar com a cabeça. Se um coordenador dá instruções, as ouvimos em silêncio e executamos o solicitado sem considerações egóicas ( nem em pensamento: está certo, podia ser feito de outra forma etc...)
Tome como princípio, em todo o sesshin, que você está voltado para sua descoberta interna e que qualquer agitação trazida por palavras, elogiosas ou não, será uma perturbação. Assim nunca ande em duplas, ou ceda a tentação de conversar, respeite o silêncio alheio, ande sempre sozinho e faça o que tem de fazer: meditar, ouvir e calar.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Vídeo conferência


Temos feito vídeo conferências com os grupos de prática do zen ligados ao Instituto Educacional Todatsu. Ontem foi a vez do grupo de Curitiba, muitas perguntas sobre assuntos ligados ao EU e a existência de deuses.
Já há grupos de meditação funcionando em Goiânia, Curitiba, Rio do Sul e Joinville, e dois em início de organização em Maceió e Salvador. Somente a vídeo conferência, com skype e câmera de vídeo (basta um computador,banda larga, microfone e câmera de vídeo) tem viabilizado assistir de forma econômica pessoas tão distantes. Afinal os discípulos de Buddha só podiam contar com suas vozes que atingiam poucas dezenas de metros. Graças a internet o Dharma pode ser propagado a milhares de km...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Como viver em um mundo dual sem ser dualista?

R: No mundo dual vivemos em dualidade, porem sem perder o absoluto. Na verdade relativo e absoluto formam uma unidade. Veja o Texto "Sandokai":



Sandokai - IDENTIDADE DO RELATIVO E DO ABSOLUTO

A MENTE DO GRANDE SÁBIO DA ÍNDIA
ESTAVA INTIMAMENTE LIGADA DE LESTE A OESTE.
ENTRE SERES HUMANOS HÁ SÁBIOS E TOLOS
MAS NO CAMINHO NÃO HÁ FUNDADOR DO SUL OU DO NORTE.
A FONTE SUTIL É CLARA E BRILHANTE.
AS CORRENTES TRIBUTÁRIAS FLUEM ATRAVÉS DA ESCURIDÃO.
APEGAR-SE ÀS COISAS É ILUSÃO,
ENCONTRAR O ABSOLUTO AINDA NÃO É ILUMINAÇÃO.
UM E TODOS, AS ESFERAS SUBJETIVA E OBJETIVA
SÃO RELACIONADAS E AO MESMO TEMPO INDEPENDENTES.
RELACIONADAS E, AINDA ASSIM, FUNCIONAM DIFERENTEMENTE
EMBORA CADA UMA MANTENHA SEU LUGAR.
A FORMA FAZ COM QUE O CARÁTER E APARÊNCIA DIFIRAM.
OS SONS DISTINGUEM CONFORTO E DESCONFORTO.
O ESCURO FAZ DE TODAS AS PALAVRAS, UMA;
A CLARIDADE DISTINGUE FRASES BOAS E MÁS.
OS QUATRO ELEMENTOS VOLTAM À SUA NATUREZA,
ASSIM COMO UMA CRIANÇA PARA SUA MÃE.
FOGO É QUENTE, VENTO É MOVIMENTO,
AGUÁ É ÚMIDA E TERRA É DURA,
OLHOS VÊEM, OUVIDOS ESCUTAM, NARINAS CHEIRAM,
A LÍNGUA SENTE O SALGADO E O AZEDO.
CADA UM, INDEPENDE DO OUTRO.
CAUSA E EFEITO DEVEM RETORNAR À GRANDE REALIDADE,
AS PALAVRAS ALTO E BAIXO SÃO USADAS RELATIVAMENTE.
DENTRO DA LUZ HÁ ESCURIDÃO
MAS NÃO TENTE COMPREENDER ESTA ESCURIDÃO.
DENTRO DA ESCURIDÃO HÁ LUZ
MAS NÃO PROCURE POR ESTA LUZ.
LUZ E ESCURIDÃO SÃO UM PAR,
COMO O PÉ NA FRENTE E O PÉ DE TRÁS, AO ANDAR.
CADA COISA TEM SEU VALOR INTRÍNSECO E ESTÁ RELACIONADA A TUDO O MAIS EM FUNÇÃO E POSIÇÃO.
A VIDA COMUM SE ENCAIXA NO ABSOLUTO,
COMO UMA CAIXA À SUA TAMPA.
O ABSOLUTO TRABALHA COM O RELATIVO,
COMO DUAS FLECHAS SE ENCONTRANDO EM PLENO AR.
LENDO ESTAS PALAVRAS, APREENDA A REALIDADE.

NÃO JULGUE POR NENHUM VALOR.
SE VOCÊ NÃO VÊ CAMINHO, NÃO O VÊ MESMO AO ANDAR NELE.
QUANDO VOCÊ CAMINHA, NÃO É PERTO NEM LONGE.
SE ESTIVER DELUDIDO, ESTARÁ A RIOS E MONTANHAS DE DISTÂNCIA.
RESPEITAVELMENTE DIGO ÀGUELES QUE QUEREM SER ILUMINADOS:
"NOITE E DIA, NÃO PERCAM TEMPO!"