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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Nome no Dharma



Significado dos kanjis do nome de Dharma de Saikawa Roshi, atual Superior Geral para a América do Sul do Soto Zen, e de seu templo no Japão...

Dôshô - "dô" de "caminho" e "shô" de "luz, brilho"
Hôsenji - "ji" de "templo", "hô" de "tesouro" e "sen" de "fonte, nascente"

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Conduta sexual - Preceito budista


P: O que pode ser caracterizado como conduta sexual inadequada?
Vivemos num tempo de muita liberdade de comportamento sexual.
Para mim seria a sexualidade desvinculada do afeto, objetivando só o instinto e o prazer.
Pediria, por gentileza, esclarecimentos.

R: Use o critério do sofrimento. Se causa sofrimento a alguém é conduta inadequada. Se envolve enganar é inadequado, se não produz conforto e bons sentimentos é inadequado e assim por diante.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Mais um amigo que se vai



Herr Korner faleceu na Alemanha dia 21, lembro de seu abraço e olhar amigo. Sua filha Stephanie, que aparece na foto, foi e é uma amiga muito especial, marcante na sua passagem pelo Brasil, e durante um bom tempo sentou em zazen com a Sangha de P. Alegre na década de 90. Herr Korner marcou sua vida com afeto fiel e constante aos seus, calmo e afável, mostra seu ser nos seus olhos claros. Dia 29 terá seu funeral.
Sentiremos sua falta.

Amor e apego


P: Sentimentos também não são apegos?

R: A amizade e amor verdadeiros podem ser desapegados, por que não? Um bom pai encoraja o filho a ir fazer longa viagem boa para sua vida, lhe dói a cama vazia, mas seu amor é forte o suficiente para permitir ao filho alçar vôo.
A fonte do sofrimento é o apego, o sentimento altruísta é desapegado.

domingo, 25 de outubro de 2009

Costurar seu manto



Os alunos do zen são instados a costurar seu próprio manto, no caso dos leigos trata-se de fazer uma miniatura de um manto budista cosendo retalhos de pano em tiras até conseguir um resultado harmônico, bem codificado pelos modelos tradicionais. Em uma cerimônia própria ele será dado ao aluno que faz votos públicos, os votos de um bodisatva. Com dizeres escritos por um mestre em seu verso de seda branca ele será usado pendurado sobre o peito. A tarefa de costurar é especialmente difícil para quem nunca a realizou, leva muitos dias e as desistências são frequentes, refletem o espírito do zen de tornar realmente difícil qualquer graduação e assim valoriza-las, os que não conseguem a tempo não tinham suficiente determinação para merecê-la.
Na foto vemos um aluno aprendendo com uma encarregada de ensino de costura, a tradicional costura de seu rakusu.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

"Depressão budista"


"Plena de encanto é a vida"

P: Estava conversando com um amigo sobre a depressão "budista", que como não vemos mais verdadeira felicidade nas coisas externas a nós, nas pessoas, objetos, lugares , as situações perdem muito de seu atrativo, causando assim um desinteresse por elas. Como não buscamos mais a felicidade/satisfação no mundo e sim em nós, não conseguimos nos empenhar com real vontade na busca por coisas mundanas, além do que precisamos para sobreviver, nem traçar objetivos, sem que enxerguemos neles um enorme vazio.
Assim há um grande desinteresse pelo mundo e por outro a difculdade de se vivenciar a atenção plena, ainda mais quando se está emocionalmente mal e se quer uma solução mais imediata, pelo menos para abrandar um pouco essa "depressão". O senhor poderia falar algo sobre isso?

R: Este mundo é o que nós temos, tenho profundo interesse por ele e por realizar coisas novas e mais significativas, é por isso que continuo na carreira de monge, estou praticando para ajudar mais pessoas, e me comprometo a libertar todas que puder. Este é um grande trabalho e uma tarefa plena de profundo encanto e compensações de alegria.
Se for necessário ganhar dinheiro, fazer empresas, viajar para mais aprender, qualquer coisa ligada ao mundo e a vida, para melhor realizar o Dharma, farei isso. Só há vazio se olharmos só para nosso umbigo esquecendo todos as seres que nos rodeiam e procuram escapar desta roda.
A vida é plena de maravilha e encanto, suave e bela desde que nos voltemos para as necessidades de libertação dos outros seres.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Além de um eu


P: Em um texto sobre o zazen li esse trecho e não compreendi.

"A menor noção de guardar, de permanecer na consciência, é um obstáculo.
A harmonia com o sistema cósmico é o abandono de tudo. Somos unidade e recebemos então a energia do cosmo."

Fonte:FUKANZAZENGI, OS PRINCÍPIOS DO ZAZEN DE MESTRE DOGEN (1200 - 1253)

R: A noção de guardar qualquer sentimento de apego, de pertencimento, de posse, mesmo de pensamentos é um obstáculo, e abandonando tudo podemos penetrar na unidade, nossa face original, além da ilusão desta manifestação pessoal fenomênica de um eu.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Seshin


Eles sorriem depois de...

Meditar como Buddhas...

Acordar de madrugada com chuva...


Recitar os Sutras...

Trabalhar para ajudar os outros seres...

Caminhar simplesmente...

Viajar em seus carros para o retiro...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Desejo de paz


P: Desejar estar em paz também é apego? Também é "coisa" do ego?

R: Você já está em paz originalmente, é paz a nossa natureza original, luminosa, sem dentro nem fora, sem certo ou errado, não sujeita a nascimento e morte, o que lhe tira a paz são ilusões deste fenônmeno humano em que você se encontra manifestado. E naturalmente qualquer desejo é egóico.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Samu



"Bem, se o Samu não é “trabalho”, então o quê é? Para quê serve?

Vejo um continuum na nossa prática que vai desde o Zazen até o Samu, nos preparando para levar a nossa prática para o mundo “lá fora”, onde não estamos mais cercados por praticantes, por pessoas unidas pela mesma busca espiritual – a nossa Sanga, mas onde estamos cercados por pessoas de todos os tipos e crenças.

No Zazen, a meditação sentada, vamos entrando em contato com o nosso “centro”, com o estado de Paz e Tranquilidade que está aí dentro, disponível para todos nós. Temos poucas distrações, poucos estímulos para nos distrair, facilitando o nosso mergulho interno, facilitando o nosso cultivo deste estado de Paz e Tranquilidade.

Então seguimos para o Kinhin, onde treinamos a manutenção deste mesmo estado de Paz e Tranquilidade numa ação levemente mais complicada. Precisamos estar atentos ao equilíbrio do corpo ao andar, combinando os nossos passos não apenas com a nossa respiração mas também com o ritmo do grupo, mantendo a mesma distância entre a pessoa à nossa frente e a pessoa atrás de nós. Lidamos com mais estímulos – as sensações nos pés ao andar, o “cenário” que muda quando mudamos de lugar na sala… No Kinhin também já começamos a entrar em contato com as nossas preferências, na medida em que aparecem aqueles pensamentos como “ele está andando muito rápido” ou ficando irritados ao achar que a pessoa na nossa frente está andando muito devagar. Treinamos não nos deixar ser levados por estes pensamentos e sentimentos.

Depois disso vamos para a Prática do Cerimonial, onde recitamos sutras e participamos de atividades “pré-estruradas”, com poucas variações. Esta prática é freqüentemente muito mal-compreendida, interpretada como mero “ritual” sem valor. Mas é uma prática riquíssima onde não apenas praticamos harmonizar a nossa voz com a voz do grupo (”recitar as sutras com os ouvidos”) mas também incorporamos os ensinamentos dos sutras através da recitação e treinamos manter o estado de Paz e Tranquilidade – e a plena atenção – ao realizar ações e movimentos cada vez mais complicados – na medida em que passamos a treinar as diferentes posições que fazem parte do cerimonial (sogei, mokugyo, doan, jisha, dennan, etc.). Enfrentamos o nosso medo de errar, os nossos sentimentos mistos (talvez até com rebeldia) ao lidar com a exigência de precisão nos movimentos e a exatidão nos toques com os instrumentos, etc. Entramos em confronto com a nossa falta de atenção ao errar algum detalhe sempre que nos distraímos e deixamos de manter a plena atenção. É aí que muitos praticantes ou partem para o “piloto automático” e ritual “morto” ou entram na resistência, fugindo da prática, sem imaginar o quanto estão perdendo.

Finalmente, chegamos ao Samu, a Prática da Atividade Diária, que pode ser entendida como a Meditação em Ação ou a “Medit-Ação”. Frequentemente realizada através das atividades “comuns” como servir o chá, varrer o chão, cozinhar, lavar janelas, também inclui toda e qualquer atividade diária como realizar tarefas no computador, costurar, arrumar uma sala, fazer a contabilidade e o controle financeiro do grupo, escrever cartas, instalar uma estante, etc., etc. e etc. Até mesmo estudar pode ser uma prática de Samu. Pode-se dizer que somente ficariam excluídas as atividades de entretenimento, como assistir filmes ou ouvir música.

Mas o que diferencia estas atividades como “Samu” das mesmas atividades no sentido comum, frequentemente rotuladas como “trabalho”? Ao realizar estas tarefas com o espírito da “prática de Samu”, estamos treinando manter, agora em atividades das mais variadas, aquele mesmo estado de Paz e Tranquilidade que descobrimos no Zazen e que praticamos manter no Kinhin e no Cerimonial. Quando fazemos o nosso Samu junto com outros membros da Sanga, temos o apoio de pessoas com quem temos afinidades, que seguem os mesmos valores e realizam a mesma prática. No entanto, na hora do Samu, entramos em contato com as nossas preferências, os nossos julgamentos. Somos cheios de “eu quero/não quero”, “gosto de fazer isto/não gosto de fazer aquilo”. Por exemplo: “não quero lavar janelas, quero cozinhar!” “Não quero cozinhar, mas aceito secar pratos!” E quantas opiniões descobrimos ter: “quero fazer do meu jeito”, “aquela pessoa faz errado”, “não gosto de trabalhar junto com fulano”, “aquilo é serviço de mulher!”. Descobrimos a nossa tendência de querer tagarelar ou o nosso hábito de fazer as coisas “no piloto automático” em lugar de silenciosamente manter a plena atenção na nossa atividade. Temos a oportunidade de treinar voltar para o nosso centro, mergulhar no estado de Paz e Tranquilidade, sair das dualidades de nossas preferências, julgamentos e opinões e fluir com a atividade, aprendendo a simplesmente fazer a atividade que está à nossa frente.

Que bela preparação para levar a nossa prática “ao mercado”, ao mundo “lá fora”, à nossa convivência com os outros na nossa família ou em nosso local de trabalho!"

Trecho de texto de Monja Isshin, você pode ler a íntegra aqui

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Apego e amor


Apego é "uma forma imatura de amor", declara o psicanalista Erich Fromm. A psicanálise prefere falar de simbiose quando há um desejo inconsciente de fusão total entre duas ou mais pessoas, impedindo assim a manifestação da identidade de cada uma. No amor - principalmente o amor entre pai, mãe e filhos - há um sentimento amadurecido em que a união cuida preservar a integridade de cada um, a própria subjetividade. Enquanto que a simbiose é um tipo de relação que imobiliza o outro, controlando-o segundo interesses egoístas, o amor verdadeiro também deseja inconscientemente de dois fazer UM, mas quando é "trabalhado" ambos sabem respeitar o espaço e a identidade de cada um.

A experiência diz que o amor - qualquer forma de amor - perdura se considera e respeita o outro como ele é. Já o apego, por não deixar o outro ser, termina sufocando o seu desenvolvimento e a própria troca afetiva. Quando os pais vivem apegados aos filhos, podem terminar impedindo o livre curso de seu desenvolvimento psíquico e de sua própria capacidade de distinguir apego de amor.

............
Algumas famílias se fecham em si mesmas, impedindo seus membros se afastem ou pensem diferente delas. Famílias fortemente apegadas, simbióticas, receosas de que seus membros construam a própria personalidade podem ser tão problemáticas quanto uma família dividida, esquisita ou indiferente. A família precisa manter vínculos amorosos entre seus membros, mas deve evitar apegos egoístas.


_Raymundo de Lima
*Psicanalista e professor

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Programação de retiro curto - Seshin Zen


PROGRAMAÇÃO DE SESHIN - 16 à 18 DE OUTUBRO 2009 - Florianópolis

SEXTA-FEIRA

19:00 - Chegada e organização
20:00 - Janta e Instruções
21:00 – Zazen 40’ - Início do silêncio
21:40 - Preparação para dormir
22:00 - Apagar as luzes e dormir


SÁBADO

04:00 - Shinrei (Alvorada)
04:20 - Zazen (meditação formal sentada)
05:00 - Kinhin (meditação em movimento)
05:10 - Zazen (meditação formal sentada)
05:50 - Choka (cerimônia matinal de recitação de Sutras)
06:30 - Refeição da manhã (café da manhã formal)
07:30 - Samu
08:00 - Intervalo (caminhada ou alongamento)
08:30 - Zazen 30’
08:40 - Kinhin 10’
08:50 - Zazen 30’
09:20 - Intervalo
09:30 - Palestra do Dharma
10:30 - Zazen 40’
11:10 - Kinhin 10’
11:20 - Zazen 40’
12:00 - Refeição do meio-dia (almoço formal)
13:00 - Descanso, permitido banho rápido (deitados nos quartos em silêncio)
15:00 - Zazen 40’
15:40 - Kinhin 10’
15:50 - Intervelo
16:00 - Palestra do Dharma
17:00 - Zazen 40’
17:40 - Kinhin 10’
17:50 - Zazen 40’
18:30 - Refeição leve da noite (informal)
19:30 - Exercícios de alongamento
20:00 - Zazen 40’
20:40 - Kinhin 10’
20:50 - Zazen 40’
21:30 - Chá preparação para dormir
22:00 - Apagar as luzes e dormir


DOMINGO

04:00 - Shinrei (Alvorada)
04:20 - Zazen (meditação formal sentada)
05:00 - Kinhin (meditação em movimento)
05:10 - Zazen (meditação formal sentada)
05:50 - Choka (cerimônia matinal de recitação de Sutras)
06:30 - Refeição da manhã (café da manhã formal)
07:30 - Samu
08:00 - Intervalo (caminhada ou alongamento)
08:30 - Zazen 30’
08:40 - Kinhin 10’
08:50 - Zazen 30’
09:20 - Intervalo
10:30 - Palestra do Dharma
10:30 - Zazen 40’
11:10 - Kinhin 10’
11:20 - Zazen 40’
12:00 - Refeição do meio-dia (almoço formal)
13:00 - Intervalo arrumar os pertences pessoais
13:20 - Zazen 40’
14:00 - Encerramento

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Futurismo búdico


Texto humorístico/imaginativo, algo no estilo de Jorge Luís Borges, publicado no blog "Cortar em Um" (link ao lado) de autoria de Lucas Seigaku da Sangha de Florianópolis:

[excertos do Dicionário Etimológico Languas Pósodernas (3) - amglês, brasílico e guatemedjuco, de Posbor e Glia, d.a. Meeklândia, 00.04560,78, 2173. Com exceção das citações e dos itálicos, a tradução é do texto original.]

SATORIR

Etimologia breve
Origem

A primeira citação do verbo "satorir" data de 2043, na dissertação de nirvanado de Filómeno Bolshoi, na Bodsátvica Academia Budista (BAB) de Palmas, no estado de Tocantins do (então) Brasil. Em sua primeira acepção, de "atingir o satori", foi usado com extrema cautela por Bolshoi; porém, a simplicidade de uso fez com que, paulatinamente, o neologismo fosse cada vez mais citado em obras posteriores. No decorrer de apenas 10 anos, as citações em obras congêneres cresceu em ritmo geométrico, de 3 para 567. O próprio "ó-mula-das-serras-azuis" Guigui Camargo o utilizou com este mesmo significado (e com inconfundível declinação incorreta) na sua célebre frase: "Dizem que satorio... e eu só rio".

[....]

Uso popular

Com a Anistia Leonina de 2079, podemos ouvir, no discurso do neuroteólogo Menes Meneses: "... e asque propêm ilusôs, digam-lhes: estamo atentos e satoriados." Nesta acepção de "não ser, de maneira alguma, suscetível de ser iludido; desperto", foi que "satorir" passou para o discurso popular, assumindo significados mais do que comportava sua original conotação espiritual. Os versos de Tina Lamberte gravaram a palavra nas almas mais ardentes: "Satoró, satoró, satoró / caim tus ropas e eu ací [....]"

Em meados de 2150, "satorir" tinha cerca de 23 significados distintos, entre eles "estar livre de doenças oftamológicas", "ter uma visão justa de mundo", "comportar-se de acordo com padrões éticos inalienáveis", "experimentar um estado de êxtase químico", e outros. Substantivado, o verbo passou a fazer parte de nomes de indústrias (Satoria, indústria de produtos de limpeza e vinho), AVIs (SATORI, SaTorystória, Meeklândia), distinções diplomáticas e religiosas, celebrações e festas civis, nomes próprios (Satorélena, Sator), veículos orbitais (o Satór't de Glivon Kelvin) e práticas sexuais heterodoxas.

[....]

Em 2167, a Associação dos Mundos Cristãos do Sol protestou veementemente contra a inclusão de 45 neologismos com o radical "sator-" no léxico mexicano, alegando a sua "muta granda igaliánza colo palevar 'satan' [....]"; pedido este negado.

Usos atuais

Palerta Umbar nont askeó me ta define inaxata ta relation beetraim tattoo paries. Aldo me fenso que neam satored, tara sebim considera ta moron lata caralió.
Wicca Tsur-lilú


Domentetoigostasatorantuum, sarapiquáratara?
Pustacamustainstitusta (HILI - Highly-Inflected Languages Institute)


Ai, ce calour... poesce estote satoriremos a la uontás pir pir pintim caipir, cé Deus!, deusdará manhatam préstel di carne.
Blec Maria Coleridge

.................

*****
[segue a conjugação do verbo satorir extraído da Gramática? Universal? Brasileira?, de 2147; famosa por incluir as já obsoletas e abandonadas formas verbais em tu e vós, vestígios do final da época colonial do século XX]

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Trilha zen na Lagoa do Peri



Foto de praticantes de Florianópolis que neste fim de semana participaram da Trilha da Lagoa do Peri.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Daido Loori Roshi - Falecimento


É com muita tristeza no coração que comunico que faleceu, hoje, dia 9 de setembro às 09:30 da manhã, o mestre zen Daido Loori Roshi, fundador e abade do Zen Mountain Monastery, Fire Lotus Temple e Mountains and Rivers Order of Zen Buddhism. Passei uma breve temporada no Zen Mountain Monastery quando estava fazendo treinamento avançado nos Estados Unidos e considero este mosteiro um grande modelo para o trabalho que busco desenvolver aqui no Brasil.
Monja Isshin



John Daido Loori, Roshi is the spiritual leader and abbot of Zen Mountain Monastery and the Zen Center of New York City. Trained in koan Zen as well as in the subtle school of Master Dogen's Zen, he is a dharma heir of Hakuyu Taizan Maezumi Roshi. He has received transmission in both the Rinzai as well as Soto lines of Zen Buddhism. Abbot Loori lives at the Monastery year round and is very active in its day-to-day activities, making him highly accessible to students. Devoted to maintaining authentic Zen training, he has developed a distinctive style, called the Eight Gates of Zen, based on the Eightfold Path, involving both monastic and lay practitioners in a program of study that embraces every aspect of daily life. Zazen and a strong teacher-student relationship form the core of the training, supported by art practice and other areas of study, as was traditional during the Golden Ages of Chinese and Japanese Zen.

Abbot Loori is the founder and director of the Mountains and Rivers Order, an organization of Zen Buddhist temples, practice centers, and sitting groups in the U.S. and abroad. He is also president of Dharma Communications, a right-action enterprise devoted to making Buddhist teachings widely available through the production of video tapes, books, meditaion supplies, and a quarterly journal, Mountain Record. Drawing on his background as scientist, artist, naturalist, and Zen priest, Abbot Loori is an American master who speaks directly to students from the perspective of a common background. He is the author of numerous books, including True Dharma Eye: Zen Master Dogen’s 300 Koans, The Zen of Creativity, The Eight Gates of Zen and editor of The Art of Just Sitting and Sitting with Koans.

Incompletude


"Buda salientou que o sofrimento humano se origina do nosso desejo de coisas materiais e emocionais, de coisas transitórias e impermanentes, que jamais poderão nos satisfazer plenamente. Porém, ainda que lutemos por essas coisas, por pensar que nos trarão felicidade, elas não são objeto do nosso verdadeiro desejo. O que realmente queremos é algo que preencha um vazio íntimo. O desejo de coisas impermanentes é expressão do desejo de se sentir completo."

(Les Kaye, In: O Zen no Trabalho,p. 122-123, Cultrix)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Como começar um grupo de meditação?


A vida se mostra a cada passo, o que se deve fazer nesse caso é simplesmente sentar em um dia certo por semana, quem quiser vir vem e senta conosco, não precisas ter nenhuma responsabilidade de orientar, mesmo porque para tanto é necessário um treinamento especial, só de manter o dia disponível, sem se preocupar se isto significa uma coisa bem sucedida, assim jamais pense em ter um grupo que senta com você, pense em sentar apenas naquele dia, muitas vezes sentei sozinho no início, e isto é excelente para a prática, não alimente nenhum objetivo, fique vazio de tudo, simplesmente mantenha a rotina, o que suceder sucedeu, portanto não há motivo para qualquer insegurança. Você verá que nada é mais forte para sua prática do que isso...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Apreciar a vida


"As coisas mudam. Para as pessoas em geral,isso traz muito desencanto. Não se pode confiar em coisa alguma. Não se pode ter nada. E você verá o que não gostaria de ver. Encontrará alguém de quem não gostará. Se quiser fazer algo, poderá descobrir que é impossível. Desse modo, se sentirá desanimado pelo modo como as coisas se encaminham. Como Budista, você está mudando o fundamento de sua vida. As coisas mudam é o motivo pelo qual você sofre nesse mundo e se sente desencantado. Ao mudar sua compreensão e seu modo de vida, poderá apreciar completamente sua nova vida a cada momento. A temporalidade das coisas é o motivo pelo qual se aprecia a vida. Ao se apreciar desse jeito, sua vida se torna estável e cheia de significado.
Portanto, a questão é mudar a sua compreensão de vida e praticar com a compreensão correta."

"O único caminho é apreciar sua vida.(...) É por isso que praticamos o zazen. A coisa mais importante é ser capaz de apreciar a vida, sem ser enganado pelas coisas."
Fonte:Suzuki, Shuryu. Nem Sempre é Assim: Praticando o Verdadeiro Espírito do Zen. São Paulo: Religare, 2003.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Ali estou eu?


P: Se tenho muitos defeitos, mas não gosto mais tanto deles, poderia destruí-los. Se o fizesse, quem seria eu?

R: O eu é uma construção permanente, nunca é exatamente o mesmo pois é produto de uma operação mental, basta perder a memória que você não saberia responder a pergunta "quem sou ?" ( na verdade, ao responder esta pergunta, as pessoas costumam enfileirar rótulos, como nome ou hábitos, respondê-la verdadeiramente é um ato iluminado) se você altera suas características simplesmente mudou a percepção que tem de si mesmo também.
Usamos o eu como fantasias em um baile de máscaras, quando você retorna para casa tira sua fantasia, e olhando para ela pendurada em um cabide você diz: - Ali estou eu?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O que pode ser perturbado?



P: Se tudo é impermanência, pode haver permanente paz interior(impertubabilidade)?

R: Se não houver mais ego o que há para ser perturbado?

domingo, 4 de outubro de 2009

Zazen no Parque



"Os mais observadores podem ter deduzido, pela foto, que Michel Seikan deu as caras pelo parque no domingo, e vocês têm razão. Nada que um bom olhar e, certamente, uma boa câmera não possam fazer, como pode ser conferido no álbum de fotos improvisado do Zazen no Parque e no total dos álbuns da CZBF que contam, em sua maioria, de fotos dele.


O dia de sol brilhante rapidamente deu vez ao crepúsculo, e o frio desceu do céu claro, sem nuvens. Desta feita nem os mosquitinhos ousaram aparecer. Sentei-me em zazen ao som de New York, New York que uma bandinha - praticamente de sopro - tocava animadamente. Animados também estavam os passantes, e o som da banda e as palmas das pessoas me colocaram rapidamente em ritmo de quermesse.


Michel Seikan também é graduando em gestão ambiental e aproveitamos, depois do zazen - ao qual ele chegou atrasado, menos 10 no seu dharma score - para conversar um pouco sobre o parque. Diz ele que este parque ecológico, na verdade, tem menos de 30 anos em sua vegetação, e não é mata atlântica nativa; fez parte de um projeto de reflorestamento relativamente recente, porém mais velho do que eu.


Quem mora em Florianópolis talvez relembre da triste notícia pela qual o parque ficou mais lembrado: a queda de um eucalipto em cima de pai e filho, em um dia de ventania forte, em 1994. Depois disto o parque ficou praticamente abandonado durante sete anos, sendo reaberto somente em 2001. Atualmente o número de pessoas - adultos e crianças, pais e filhos, casais de namorados, adolescentes barulhentos - que visita o parque nos domingos mostra que tal tragédia é apenas uma lembrança, cada vez menos nítida.


(A probabilidade de um eucalipto cair em cima da sua cabeça, caro leitor, é muito pequena. E, para tranquilizar ainda mais, o dharma score nom ecziste: é melhor que você chegue na hora, mas se chegar com atraso somente sente-se ao meu lado.)"

Texto de Lucas Seigaku, ele faz zazen no Parque Ecológico do Córrego Grande domingos às 17h,mais detalhes aqui leia também os excelentes textos de Lucas aqui

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Os erros alheios


Hui-Neng

"Ilustres ouvintes, quem busca a imperturbabilidade deve sempre ignorar erros alheios, indiferente a mérito ou demérito, bondade ou maldade de outrem.
Tal atitude está de acordo com a imperturbabilidade da essência da mente. Uma pessoa não iluminada pode ficar físicamente imperturbada, mas assim que abre a boca critica méritos, deméritos, habilidade, fraqueza, bondade e maldade alheios, saindo do caminho reto. Por outro lado, falar sobre nossa própria mente ou sobre pureza também é um empecilho no caminho. O que é sentar em meditação? Na nossa escola, sentar significa obter liberdade absoluta e estar mentalmente imperturbado em qualquer circunstância externalizada, seja ela boa ou não. Meditar é realizar internamente a imperturbabilidade da essência da mente."

O sexto patriarca zen viveu na China de 638 a 713, durante a dinastia Tang

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Zen e Bodhidharma


O grande Mestre Bodhidharma (Daruma Daioshô) é tomado como o responsável por ter trazido o zen da Índia para a China, ele é normalmente representado com barba, estranho na tradição em que os monges e monjas budistas, desde os tempos de Buddha, raspam barbas e cabelos para demonstrar seu desapego da aparência mundana e qualquer resquício de desejar agradar os olhos alheios.
Assim perguntei em um mondo público a Saikawa Roshi:
- Por que Bodhidharma tinha barba? O mestre, (antes do golpe ritual com o bastão no ombro do interrogador):
- Nem ele sabia! (Bodhidharma, tendo superado o eu, não prestava atenção em si mesmo)