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segunda-feira, 31 de maio de 2010

No século terceiro AC


(Bilingues (grego e aramaico) inscrições do rei Ashoka,o primeiro imperador budista da Índia, em Kandahar. Preservada no Museu de Cabul. Hoje desaparecida. Inscrição bidimensional)

"Dez anos de reinado concluídos, o rei
Piodasses (Ashoka) divulgou (a doutrina)
da Piedade (εὐσέβεια, eusebeia) para os homens,
e a partir deste momento ele fez
homens mais piedosos, e tudo floresce em
todo o mundo. E o rei se abstém de (matar)
seres vivos, e outros homens, e aqueles que (são)
caçadores e pescadores do rei tem desistido
da caça. E se alguns (foram) destemperados, eles
cessaram sua intemperança sob seu
poder, e reverentes com seu pai e mãe e
tambem aos anciãos, no futuro em oposição ao passado,
agindo deste modo, em cada ocasião, todos vão viver melhor
e mais felizes."

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Kyosaku


Não só a Soto Zen usa o kyosaku, as diferenças são assim:

Soto: o bastão bate nas costas na altura do trapézio, é usado pelas costas do praticante, este não vê o movimento do bastão.
Rinzai: O bastão é aplicado pela frente, os monges meditam de frente uns para os outros ao contrário da Soto em que se voltam para a parede.
Son: (zen coreano) Tanto de frente como de costas para a parede, usa-se também bater nos músculos intercostais ao longo da coluna, para isto o meditante que solicita o bastão tem que se inclinar até o chão.
Em todos os casos é muito relaxante para a musculatura das costas, e eficiente para limpar a mente em caso de turbulência e angústia.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Um amigo espiritual


KALYANAMITRA
Em nossa vida precisamos achar um companheiro espiritual. Se nós ainda não temos esta pessoa, deveríamos procurar. Nós podemos ter um mestre, mas um mestre não é bastante. Nós precisamos de um companheiro, e este amigo, este kalyanamitra, é nosso lugar de refúgio. Nós podemos achar este amigo em um Sangha: alguém em quem confiamos, alguém o qual, quando nos sentamos próximos a ele, sentimo-nos sólidos, nos sentimos livres, sentimos a solidez de nosso caminho de prática. Nós temos que chamar esta pessoa nosso kalyanamitra. Obrigado, meu amigo espiritual, por estar presente em minha vida. Um kalyanamitra, de acordo com o Avatamsaka Sutra, é alguém que nos ajuda a crescer em nossa capacidade para praticar solidamente, praticar diligentemente. Esta pessoa nos induz a desenvolver nossas raízes saudáveis, porque todos nós temos raízes saudáveis, todos nós temos as sementes do amor, de perdão, de alegria, de sabedoria e de felicidade. Estas sementes estão presentes nas almas de todos nós, mas nosso kalyanamitra é a pessoa que tem a capacidade de diariamente molhar essas sementes, ajudar essas sementes a crescer. Se não temos um kalyanamitra, as sementes boas em nossa alma, em nossos corações, não continuarão se desenvolvendo. Então eu preciso de meu kalyanamitra da mesma maneira que uma árvore precisa da luz do sol todos os dias. Se ainda somos jovens, deveríamos saber que precisamos de um companheiro espiritual. O Pai e a Mãe nos deram à luz fisicamente, mas esses que nos ajudam a crescer no caminho de prática são nossos amigos espirituais.
(extraido de"Vivendo Juntos em Harmonia1"Ensinamentos do Mestre Thich Nhat Hanh)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Diferenças entre o zen cristão e o budista



Uma diferença marcante na prática da meditação cristã e o zen é que na cristã (pelo menos em seu início) sempre há alguém aqui e o Senhor está em outro ponto, nós o invocamos "Maranatha" (Vinde Senhor) mas não perdemos a dualidade nem o eu. Indo mais longe, seria necessário , como S. João da Cruz, morrer para si mesmo, e assim, extinta a individualidade, não sermos mais nós quem vive , mas sim o Senhor que vive em nós, como falou S. Paulo, o apóstolo.
No caso de um praticante do zen a instrução seria: abandone tudo, e sente sem nenhum objetivo, não busque insights, tampouco a divindade, morra simplesmente para si mesmo e então o espaço se abrirá naturalmente.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Ordenação monástica feminina no budismo



P: Qual o motivo da predominância masculina no budismo?

1) Nos tempos de Buda, foram admitidas as mulheres na ordem e ordenadas monjas, sendo pacífico não haver distinção entre mulheres e homens na capacidade de alcançar a iluminação. Embora seja fácil achar passagens sexistas em textos, a tese budista da igualdade dos seres não encoraja esta posição.
ex:
"A primeira monja foi Prajāpati. Khemā era a monja com mais sabedoria. Entre as monjas com mais poderes sobrenaturais, Uppalavannā era a maior. Nas regras de disciplina, Patacāra era a maior. Dhammadinnā era a maior na exposição dos ensinamentos. Em poderes meditativos, Nandā Sāvikā era a maior. Sonā era a maior no esforço. Em clarividência, Sakulā era a maior. Bhaddā Kundalakesā foi a mais rápida a atingir a realização. Bhaddā Kapilāni era a maior na lembraça de vidas passadas. Nos grandes poderes sobrenaturais, Bhaddā Kaccāna era a maior. Entre as que atingiram o poder superior, Kisāgotamī era a maior. Sigālamāta era a maior em devoção." (Dharmanet)

2) Criou-se uma linhagem de ordenação feminina, sendo sua primeira matriarca a tia de Buda, sua mãe adotiva. Esta linhagem foi prosseguindo até o sec 13 quando a invasão muçulmana que praticamente extinguiu o budismo na Índia deixou a sucessão feminina interrompida. Não sobreviveram mulheres que pudessem prosseguir a linhagem. Muitas linhagens masculinas também se extinguiram com o tempo, mas sobreviveram suficientes para o prosseguimento do budismo de ordenação em linha contínua até Buda.

3) Dois comportamentos então sucederam: escolas que daí em diante só ordenaram homens nas linhagens masculinas, tais como as do sul da Ásia, ficando as mulheres sem esta possibilidade, e escolas que passaram a ordenar mulheres em linhagens e com mestres homens tal como sucede com o zen até hoje.

4) O motivo da predominância masculina no budismo deve ser encontrável nas mesmas origens do que sucede nas atividades humanas normais,.(composição musical, pintura, matemática, filosofia etc...) sendo que no momento presente, no ocidente já encontramos mais mulheres ensinando o zen e famosas como mestras do que homens.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O que é um sesshin?



Que é um sesshin?

Desde a época do Buda Sakyamuni os sesshins são o coração do Zen, um período dedicado à prática intensiva de zazen. O Sesshin quer dizer entrar em contato com o verdadeiro espírito, tornar-se íntimo consigo mesmo, com o corpo e o espírito, abandonar o egoísmo e se harmonizar com os outros. A ação de todos os Budas é realizada não só através do Zazen, mas em cada movimento, em cada uma das ações do cotidiano. Durante um sesshin, cuja duração varia de um a vários dias, cada ação é uma continuação do zazen. Esta prática orienta todas as actividades para as quais ela é a fonte. Ela consiste em concentrar-se em cada ação, com intensidade, viver plenamente o presente. Ao participar na prática dos sesshins pode-se transferir este aprendizado para a vida cotidiana. Ao concentrar-se em cada momento, nossa vida se transforma em uma linha harmoniosa. O Zen é o ensinamento da eternidade e eternidade não é senão uma sucessão de momentos.

Do blog "Mas que Palabras"

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Data do Vesak


"Vesakha, Vesak, Wesak, Vishakha Puja, Vaishaka, Buddha Purnima, Saga Dawa e Fó Dàn são alguns dos diferentes nomes atribuídos à mesma ocasião: a celebração de nascimento, iluminação e morte de Buddha.
.........
Como já escrevi em outra ocasião, Vesak é o nome equivalente a Visakha (ou Vaishakha), que é o primeiro ou segundo mês do ano, dependendo se você está ao Sul ou ao Norte da Índia, respectivamente.

Vesak é a nomenclatura usada no no Sri Lanka, onde se fala o cingalês. Não sei dizer porque se tornou a expressão mais conhecida entre nós – talvez por ter sido no Sri Lanka que surgiu a World Fellowship of Buddhists, em 1950, e, com ela, o acordo entre várias comunidades budistas para que Vesak-evento fosse celebrado sempre na mesma ocasião em diferentes localidades: a Lua Cheia de Vesak-mês.

A Índia possui uns 30 calendários regionais, todos lunisolares – vão de uma Lua Nova a outra – mas por considerarem diferentes inícios para o ano, eles não coincidem uns com os outros, necessariamente, e muito menos com o calendário gregoriano, que é solar. É importante que isso fique bem claro.
...................
Para 2010, Vesak será comemorado no dia 27 de maio entre os indianos, assim como o Saka Dawa (ou Saga Dawa), que é o evento equivalente no Budismo Tibetano e que acontece no quarto mês do calendário deles (Saka Dawa significa exatamente isso, “Quarto Mês”). Em 28 de abril estaria perfeitamente alinhada com as comemorações de Myanmar e Camboja."

( Extratos do texto de Marcelo Bueno publicado em http://zephyrus.blog.br/2010/05/01/quando-comemorar-vesak/#ixzz0oSa5ndaC )

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Verdade, ciência, budismo


Algumas observações:
Talvez o problema esteja em se supor que existe uma "verdade", (mesmo para o zen em si, nada pode ser declarado do tipo " tenho a verdade", embora alguns budistas fiquem tão convictos de sua escola e conhecimentos que querem impor a outros suas interpretações particulares ou de sua escola) um dos grandes benefícios do método científico foi partir do princípio de que o que a ciência faz é descrever aproximações cada vez mais acuradas dos eventos de maneira a que possam ser criticados por novas observações e assim aperfeiçoados constantemente, isto cria um problema que também aparece várias vezes nos textos que foram postados na lista, o de que a ciência provaria alguma coisa, o que ela pode fazer é provar que uma determinada tese é, a luz das observações possíveis até o momento, bastante acurada, mas certa ou definitivamente provada seria um contrasenso científico, pois isto impediria um novo e mais profundo aperfeiçoamento e ampliado conhecimento.
Seria perigoso que o budismo estivesse alinhado com a ciência de "hoje", e com a de amanhã? O budismo não tem este compromisso, transitou pela história, felizmente, sem defender uma visão em particular e assim evitou este conflito, seu campo de atuação é outro e posso, como budista, descartar qualquer visão particular que tenha algum mestre budista, descrições míticas nada mais são do que isto, e os textos budistas estão cheios de interpolações, os sutras cresceram impressionantemente de tradução em tradução, cada escola acrescentando o que lhe aprouvesse, e muito do que é atribuído a Buda não sobrevive a uma exegese, boa razão para o zen enfatizar a conexão direta e entender os textos como a útil sabedoria "dos outros", Abhidharma, que são comentários com muitas versões diferentes, dependendo da escola, incluso.
Quanto a este assunto Ken Wilber (adorado por uns e detestado por outros) propõe que certos métodos simplesmente não se aplicam a certos temas, por exemplo, o método científico da anatomia é excelente dentro de seu objetivo, porém se aplicado ao estudo da consciência ou do amor é inútil, a maior parte do que se lê de estudos sobre o funcionamento cerebral na meditação tem a profundidade da observação de que os amantes dilatam suas pupilas quando veêm o ser amado, ora, dizer que esta verificação explica o amor é quase uma grosseria, é um fato interessante, mas do âmbito da fisiologia, deve ser usado para estudar a manifestação da emoção em fisiologia, mas não para estudar o amor, coisa que passaria ao quadrante de estudo da psicologia talvez.
Assim o estudo da religião em si está em um quadrante diferente do da ciência exata, é interessante ver suas interconexões mas a teoria dos quadrantes descarta a possibilidade de que , em algum tempo, instrumentos pouco sutis possam examinar o que é pura sutileza. Nada disto descarta a ciência e seus siddhis (poderes) maravilhosos é só que o budismo em si está transitando em outro terreno, o próprio Dalai Lama (como o Rev. Wagner observou, respeitado líder de algumas escolas budistas, não de todas...) usou a afirmação de que se a ciência provasse a inexistência de renascimentos ele aceitaria, mas, ao que me lembre, observou a seguir que duvidava que este tipo de prova fosse acessível ao método científico.
Pessoalmente penso que a questão sequer se coloca, e que o âmbito da ciência tem limites naturais de investigação, do mesmo modo que existem os problemas matemáticos indecidíveis.
Outra coisa: a declaração de que o zen está além dos textos é tradicional, porém acharemos inúmeros textos de mestres zen, livros , estudos etc... a declaração se refere a transmissão última, mas não descarta o estudo, vamos achar em Dogen Zenji, a afirmação de que o estudo dos sutras é essencial à prática. Frequentemente estas declarações sobre o zen são contraditórias e precisam ser lidas em seu contexto, elas formam um quadro completo em que pode-se ver, sim, que o estudo dos textos é necessário, em outras ocasiões um obstáculo e que a transmissão em si está separada de tudo isto, mas que dificilmente alguém chega a ela sem passar pelos passos preliminares. Ou seja, com estudo não se vai longe, mas sem estudo não se vai a lugar algum.
Genshô

(Resposta na lista budismo no ano de 2005)

terça-feira, 18 de maio de 2010

Redemoinhos


P: Se o "eu" deixa de existir quando abandona os "agregados", como o carma pode "seguir" o que resta, se é que resta algo? O que resta não é, usando uma palavra neutra, o "um"?

R: Imagine um redemoinho dentro da água, ele tem um impulso próprio, uma manifestação que o destaca dentro da vacuidade (a água nesta analogia), é vacuidade sem tirar nem por, mas só tem uma individualidade porque tem movimento. Se este redemoinho se desfaz mas seu movimento desencadeia outro redemoinho mais tarde, ao sabor da corrente, o novo redemoinho tem uma nova identidade e características muito semelhantes pois detem a mesma energia cinética, porém não é o mesmo redemoinho, é outro. (Ou será que é o mesmo? é ou não é?)

P: Se sim, como o carma pode seguir nova manifestação (outro "eu") do "um"?
Se não, então o que resta quando, simplificando, morremos?

R: Resta o carma. (a energia que gera o redemoinho, e ela não consegue evitar se manifestar como redemoinho e com as mesmas marcas
(características)) ela não precisa um eu para se agarrar, assim como o redemoinho não precisa de um eixo em torno de que girar, ele gira e por isto imaginamos um eixo, e damos um nome a este eixo: EU)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Alguem para retornar



P: Qual é a prova de que o Nirvana é eterno, de que existe este estado último, quando inúmeros agregados nascem e renascem constantemente formando a cadeia de samsara?

R: Eternidade não é um atributo de coisa alguma em um universo cíclico, Nirvana não é um lugar portanto nem podemos dizer que " existe" trata-se de um estado de esgotamento de energias cármicas, impulsos que levam a novas manifestações.

P: Pode-se ter a certeza do eterno, mas como se pode ter certeza absoluta de que não haverá mais enredamento nenhum, de nenhum nível, em samsara mesmo após o Nirvana?

R: Por definição Nirvana seria um estado sem enredamento, portanto se os há não se tem um Nirvana.

P: Por que mesmo um ser que alcançou o Nirvana não pode ser tomado de um estado súbito de inconsciência e 'esquecimento' e retornar ao samsara, sem se dar conta de nada?

R: Porque não existe isto de um ser, uma individualidade, só existem os impulsos cármicos, se um ser dissolveu-se no Nirvana ele está extinto, exatamente o caso tradicionalmente atribuído a Buda Shakyamuni.

P: O que refuta esta idéia? O que refuta a idéia de que estivemos alcançando a liberação e retornando a samsara eternamente, sem perceber nada? Neste caso, o Nirvana seria apenas um breve momento, que nenhum iluminado saberia identificar até onde iria.

R:Se alcançamos a liberação, a alcançamos simultaneamente de todo o conceito de ser um ser separado, um indivíduo, portanto não há ninguém para retornar.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Desejos


P: Por favor, diga-me: se a causa de todo o sofrimento é o desejo, qual a atitude mais adequada em relação a ele: tentar eliminar o desejo ou lidar com ele por meio da moderação?

R: Apenas faça zazen, querer acabar com os desejos também é um desejo.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Wendy Egyoku Nakao Roshi



Tive o prazer de ser hospedado no Zen Center de Los Angeles dirigido por ela, e de ter acompanhado em São Paulo esta brilhante praticante do zen que é Egyoku Roshi, seu sorriso é cativante como mostra a foto. (Monge Genshô)

Roshi Wendy Egyoku Nakao, nasceu Wendy Lou Nakao em Honolulu, Hawaii, em meados do século passado. De ascendência Portuguesa - Japonesa, ela cresceu na Grande Ilha do Havaí. Ela frequentou a Universidade de Washington em Seattle, Washington, onde recebeu o bacharelado em Estudos do Leste Asiático e um mestrado em Biblioteconomia. Em Seattle, em 1975, começou a praticar zazen depois de um desafio. "Alguém apostou cinquenta dólares que eu não conseguia ficar quieta e manter a calma durante uma semana. Aceitei o desafio e fiz um sesshin de sete dias. Foi absolutamente horrível, mas eu fui fisgada."

Após três anos de zazen em Seattle, Egyoku mudou-se para o Zen Center de Los Angeles em 1978 para estudar com Taisan Maezumi Roshi. Ela foi ordenada por ele em 1983, e serviu como monge líder em 1988. Durante a sua formação no ZCLA, atuou em várias funções, inclusive como editora do The Ten Directions e Chefe do Centro de Administrativo. Ela era a assistente pessoal do Roshi Maezumi no momento de sua morte, em 1995.

Em 1996, ela recebeu a transmissão do Dharma de Roshi Bernie Glassman Roshi primeiro sucessor do dharma de Maezumi Roshi, em Yonkers, Nova York. A pedido de Glassman Roshi, ela voltou ao ZCLA como o Sacerdote Chefe e Professora em 1997, e foi instalada como o terceiro abade do ZCLA em 1999.

Ela é Roshi do templo e de duas linhagens de ensino que vem através Maezumi Roshi, cujo fundo incomum é que ele era um monge Soto, que estudou o sistema de koans Rinzai. Teve a orientação de seu professor de Dharma e de Transmissão Glassman Roshi cuja ação social e de pacificação é também um fator importante na evolução de seu estilo de ensino.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dharma com Pipoca no CEB de Florianópolis

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Se você desejar uma cópia do filme clique aqui

15/5, sábado, das 17h às 20h

Exibição do filme "Zen", que retrata a vida do mestre zen budista Dogen Zenji. Com a presença do Monge Genshô (monge zen budista da escola Soto Zen, discípulo de Saikawa Roshi) que comentará o filme.

Sinopse

Filme baseado em fatos reais, ambientado no Japão e na China. Retrata a vida do mestre zen budista Dogen Zenji, durante o turbulento período Kamakura. Seus pais morreram quando ele ainda era muito jovem, e o último desejo de sua mãe era que ele se tornasse um monge e trabalhasse para o bem de todos os seres. A experiência de ter perdido seus pais, deu uma visão especial a Dogen para a natureza fugaz da vida e desencadeou a sua busca pela iluminação. Ele viajou para a China e treinou para se tornar um mestre budista, mas quando retornou ao Japão para difundir o que ele aprendera como uma forma nova de budismo, foi recebido com muita resistência e repressão.

Veja o trailer.

Ficha técnica

Título original: Zen
Diretor: Banmei Takahashi's
Língua original: Japonês
Legendas: português
Duração: 127 min.
Lançamento: 01/2009

Local: CEBB Florianópolis

Informações: floripa@cebb.org.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. | (48) 8823.4789 com Alessandra | (48) 9157.9394 com Bruno

terça-feira, 11 de maio de 2010

Encontrando Um Ente Querido Perdido


Encontrando Um Ente Querido Perdido

"A mesma coisa acontece quando perdemos alguém que amamos. Quando as
condições que os mantêm vivos não são mais suficientes, eles se
retiram. Quando perdi a minha mãe, sofri muito. Quando se tem somente
sete ou oito anos é difícil pensar que, um dia, iremos perder nossa
mãe. Com o tempo, todos nós crescemos e perdemos as nossas mães. Se
você souber praticar, quando esse dia chegar, você não sofrerá muito.
Você perceberá rapidamente que ela estará sempre viva em você.
No dia em que minha mãe morreu, escrevi no meu diário “Um grande
infortúnio aconteceu na minha vida!”. Sofri por mais de um ano a sua
morte. Mas uma noite, nas montanhas do Vietnã, eu estava dormindo no
meu eremitério e sonhei com ela. Vi-me sentado ao seu lado e tendo uma
conversa maravilhosa. Ela parecia jovem, linda, com seu cabelos
soltos. Foi tão agradável esse momento que foi como se ela jamais
tivesse morrido. Quando acordei, era umas duas horas da manhã e eu
estava com uma forte sensação de que nunca havia perdido a minha mãe.
A impressão de que ela ainda estava comigo era muito clara. Nesse dia
eu compreendi que a idéia de perder a mãe era apenas uma idéia. E era
óbvio nesse momento que ela sempre estaria presente em mim.
Abri a porta e saí. Toda a colina estava banhada pela luz do luar. Era
uma colina coberta por plantações de chá e minha cabana estava atrás
do templo, a meio caminho entre o topo e a base. Ao caminhar
lentamente sob o luar e por entre as fileiras de chá, percebi que
minha mãe estava ali comigo. Era ela a luz do luar me acariciando,
como tantas vezes tinha feito antes, doce e gentil...Foi maravilhoso!
A cada vez que os meus pés tocavam a terra, eu sabia que ela estava
ali, comigo. Compreendi que esse corpo não era somente meu, mas uma
continuação viva não só da mãe, mas do meu pai, dos meus avós e
bisavós. De todos os meus ancestrais. Estes pés, que antes eu via como
“meus”, eram, na verdade, “nossos”. Juntos, eu e minha mãe estávamos
deixando pegadas no chão molhado.
Daquele momento em diante, a minha idéia de que eu havia perdido a
minha mãe, desapareceu. Tudo o que tenho que fazer é olhar a palma da
minha mão, sentir a brisa na face ou a terra sob meus pés para me
lembrar que ela estará sempre aqui, comigo, disponível a qualquer
momento.
Quando você perde um ente querido, você sofre, mas se observar
profundamente, terá a chance de perceber que a natureza dessa pessoa
não é nem nascer e nem morrer. O que existe é apenas a manifestação e
a cessação da manifestação a qual prepara uma nova manifestação. Você
precisa estar muito atento para reconhecer a continuação de alguém.
Mas com prática e um pouco de esforço, você conseguirá.
Assim, tomando a mão de alguém que conhece a prática, faça uma
meditação caminhando juntos. Preste atenção às folhas, flores e
pássaros e às gotas de orvalho. Se você parar e observar, será capaz
de reconhecer a pessoa amada muitas vezes e de diferentes formas. E
assim, você sentirá a alegria de viver."

Thich Nhat Hanh (Mestre zen budista da escola Thien do Vietnam)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Seguindo


“ ‘Seguir um mestre bondoso, alicerce de todas as perfeições, É a própria raiz e base do caminho.
Dê-me o poder de ver isto claramente
E de me esforçar para segui-lo.

A única preciosa vida humana ganha
Tem grande potencial, mas é facilmente perdida.
Dê-me o poder de lembrar constantemente disto E de não esquecer de conservar sua essência.

Devo lembrar-me de que é fácil encontrar a morte, Uma vez que o espírito palpita em carne como bolha na água; E, após a morte, os atos bons e maus Seguem o indivíduo como a sombra acompanha o corpo.

Compreendendo que isto é verdadeiro,
Poderei descartar todo o nível de erro
E gerar infinita bondade.
Dê-me força para ser, portanto, continuamente consciente.

Desejo sexual é porta para o sofrimento
E não é digno de uma mente lúcida.
Dê-me o poder de perceber as imperfeições de samsara E de dar vida ao grandioso desejo por liberdade bem-aventurada.

E capacite-me com a consciência e vivacidade Que nasce dos pensamentos puros, Para que eu possa viver, de acordo com o dharma sagrado, Os caminhos que levam à libertação pessoal.

Assim como caí nas águas de samsara,
................
E dê-me força para pacificar desejos mentais desvirtuados E decifrar o significado último da vida, Para que, em meu fluxo mental, eu possa encontrar O caminho que combina concentração e visão.

...........

Capacite-me para que os mestres que desdobraram o sublime caminhem em meu interior E os amigos espirituais que me inspiraram possam viver bastante; E que miríades de interferências interiores e exteriores Acalmem-se para todo sempre.

...........

– ‘Yonten Shigyurma’ (Alicerce de todas as perfeições)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Que é Hishiryo?


Texto de T. Deshimaru sobre hishiryo:

Que é Hishiryo? É pensar sem pensar, não pensar, mas pensar. É o além do pensamento, o pensamento absoluto. Não pensamos, mas o inconsciente se eleva, e pensamos inconscientemente, a partir do tálamo, do cérebro central. O verdadeiro pensamento aparece, o pensamento sem pensamento, para lá de todo pensamento.

Querer cortar os desejos, as ilusões é impossível, a nossa vontade, por si só, é impotente. Por intermédio do zazen, todavia, os desejos, pouco a pouco, deixam de perturbar-nos, diminuem por si mesmos, inconscientemente, naturalmente. Não se deve tentar nem cortá-los, nem segui-los. Nem cortar, nem seguir: isso é Hishiryo.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Relativo e absoluto



P: Olhando profundamente a impermanência, por vezes experimento um sentimento de melancolia que tem origem na tendência de desvalorização dos eventos em razão de serem todos eles efêmeros. Há uma vaga tristeza que brota da visualização do fim de todas as coisas que amamos e que é reforçada pelo vazio da existencia intrínseca que a tudo abarca e nos diz que tudo não passa afinal de aparências. O que fazer quando isso ocorre?

R: O relativo e o absoluto são uma coisa só, pense nisto até entender profundamente.
O monge na foto, escolheu eliminar-se de modo a causar grande impacto e chamar a atenção do mundo para a perseguição que esmagava o budismo zen no Vietnã do Sul durante a guerra. Tudo é impermanente sim, mas ao mesmo tempo tudo está interconectado e ele está aqui agora conosco.
Olhe suas mãos, elas são os seus próprios ancestrais e o testemunho de toda a vida na terra, somos impermanentes e eternos, mergulhe nesta eternidade e interdependência e toda a fugacidade vai mostrar que a beleza das ondas do mar é seu ir e vir, mas o oceano está lá sempre, você não é somente onda, você é oceano. E, claro, o mar se manifesta em ondas.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Visita da Escola Gelugpa


Em um zazenkai em Florianópolis recebemos a visita de uma monja da escola Gelugpa (mesma do Dalai Lama) que compartilhou conosco o almoço no Daissen Restaurante Vegetariano, na sede da Comunidade Zen Budista.