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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Qual a diferença entre a salvação cristã e a iluminação budista?


Sorriso de monja zen. Myoren San, de Parma , Itália, em Yokoji, 2010.

O objetivo no cristianismo tradicional não é a extinção do ego, é a salvação da condenação pelos pecados, esta é conseguida pela intermediação do Salvador, que carrega os pecados do mundo sobre si, para que o arrependimento seja suficiente sem que a punição sobrevenha. Neste diferente contexto a alma vai diretamente ao paraíso, os que recusam a salvação são condenados por toda a eternidade ao inferno. A alma é individual e isto jamais muda, o paraíso é estar na presença de Deus.
Como já vimos a iluminação budista é a extinção do eu individual, a descoberta de nossa verdadeira natureza. Não há uma divindade envolvida nisto, nem mandamentos, nem pecado, nem salvadores, nem castigos divinos nem prêmios divinos.

domingo, 29 de agosto de 2010

Zen Planalto


Clique na imagem para ampliar.

- Comunidade Zen Buddhista de Formosa: Av. Brasília, 1235-Formosinha - Academia ATRIUM. Práticas às quinta-feiras 19:30h
- Comunidade Zen Buddhista Guará: QI 04 Bl B Sala 111 - Instituto Equilibrium-Guará -Brasília-DF.Práticas às segunda-feiras 18:00.
- Comunidade Zen Buddhista Lago Sul: QI 07 Bl B Sala 201 - Escola de Decoração Nida Chalegre. Práticas aos sábados as 16:00 (inicio dia 4/09/2010)


Contato: (61)8218.9464 - E-mail:comunidadezenplanalton@yahoo.com.br - MSN: zenplanalto@yahoo.com.br

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Templos e títulos no Zen Soto


Cerimônia de refeição em Yokoji, diferentes cores de manto indicam os professores.


São 4 categorias de templos: junhochi, hochi, kakuchi e templo-sede.

Com a Cerimônia de Transmissão do Dharma - graduação "dempô" ou talvez "rikishô" - o monge pode tornar-se responsável por um "junhochi" templo ( mas isto não é garantido ou automático). É monge plenamente formado, mas ainda não foi "confirmado" e registrado formalmente na ordem Soto Shu como tal, para isso é preciso a cerimônia de Zuise.
Depois da transmissão, é feito o Zuise (necessário ir aos templos sede porque isto é feito junto aos túmulos dos mestres ancestrais). Há um prazo de 2 anos para fazer o Zuise (que pode ser extendido por mais 5 anos).

Zuisé - graduação "oshô" - ficou formalmente registrado como monge plenamente formado na ordem Soto Shu.

No caso de um "osho" tornar-se "jûshoku" (monge responsável por um templo "hochi" ou "junhochi"), aí pode ser chamado de "mestre" - Shinsanshiki é a cerimônia de tornar-se oficialmente monge responsável de um templo oficial.

Somente o monge responsável de um templo dá ordenações. Assim, mesmo tendo Zuisé, mas estando trabalhando num templo sem ser o monge responsável, não dá ordenações e não é chamado de mestre. Sensei é aplicável quando um monge que possui a formação completa tem alunos segundo explicação de Saikawa Roshi.

O monge-responsável de um templo "kakuchi" deve ser "dai-oshô". A graduação que o Saikawa Roshi tem como professor, é "dai-kyoshi" (koromo amarelo). Esta graduação é concedida a 150 pessoas. O significado de "dai-kyoshi" é "Grande Professor de Darma" -

Os abades dos dois templos-sede são "zenji" e têm a graduação de "daikyosei" como professores de darma (a graduação máxima).

(extratos de explicação redigida por Monja Isshin e adaptada para leigos por Monge Genshô)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Os seis paramitas


"Os sutras dizem que os seis paramitas são: caridade, moralidade, paciência,devoção, meditação e sabedoria. Os paramitas referem-se à purificação dos sentidos.
Cultivar os paramitas significa purificar os seis sentidos superando as ilusões que
adentram a mente pelos seis sentidos.

E domar a mente, buscar a tranqüilidade,praticando consciência é sabedoria nos ajudaram a transpor muitos obstáculos. Esses seis paramitas são os transportes. Tais como botes ou jangadas, eles transportam seres para a outra margem. Portanto, eles são chamados de balsas.

Quem quer que negue entrada aos três venenos e mantém as portas de seus sentidos puras, corpo e mentes calmos, interior e exterior limpos, constrói um mosteiro.

A mente é a porta para cada mundo e a mente é o vau para a outra margem.
Aqueles que sabem onde a porta está não se preocupam em alcançá-la. Aqueles que
sabem onde o vau está não se preocupam em atravessar o “Rio”."
Texto de Tokushi San

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Transmissão - Cerimônia



Dois "Oshos" saem do zendô com suas tigelas, vestem o manto amarelo característico dos que tem esta graduação e fizeram as cerimônias aos ancestrais correspondentes. Angô de certificação de professores, Mosteiro de Yokoji, 2010.

P: Qual a diferença entre a transmissão e a iluminação?

R: A transmissão de mente a mente não depende de formalidades, o que ocorre é que formalmente existe uma certificação dada por mestres que a receberam a seus discípulos, esta transmissão formal tem registro e é dada somente a monges, neste momento eles são chamados de "Osho" , podem ser chamados de "mestre" se forem responsáveis por um templo oficial.
Isto não impede que leigos obtenham a iluminação, mas esta não é registrada nem permite atividades dentro da instituição zen restritas aos oshos assim reconhecidos , um exemplo é a possibilidade de ordenar monges, para os que possuem um templo, ou, em um grau bem mais alto de mestrado (Roshis) de dirigir angôs.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Zazenkai no Rio de Janeiro



Participantes do zazenkai no Rio no domingo passado. Com a liderança de Jouken San e o apoio inestimável de sua espôsa Mila e do praticante Francisco Casaverde um grupo cada vez mais forte de se reune para meditar.
Durante um dia ouviu-se palestras e sentou-se calmamente enquanto do lado de fora a cidade vivia com sua beleza e seus problemas.

Abaixo um texto interessante de Jouken San, encontrável juntamente com outros aqui:

"Esta é uma adaptação de uma história tibetana.

Havia uma velha senhora, muito devota a Buddha, que tinha um profundo desejo de obter uma relíquia de Buddha, um dente de Buddha. Havia na época um pujante comércio de relíquias de Buddha, algumas com certificados de autenticidade que datavam de séculos. O filho era um ocupado comerciante, que sempre prometia a sua mãe que conseguiria uma dessas relíquias em suas viagens aos grandes centros. Devido às suas ocupações acabava sempre se esquecendo. Um dia sua mãe lhe falou que acabaria morrendo se não ganhasse uma relíquia.

O filho foi de novo a uma grande cidade, mas depois de vários compromissos novamente se esqueceu. No caminho de volta, viu um cachorro morto na estrada e lembrou-se de sua velha mãe. Tomado de terror pela idéia que sua mãe morreria se não tivesse a tal relíquia, decidiu fazer uma loucura: pegou um dente do cachorro morto e enrolou-o cuidadosamente em uma rica seda dourada. Ao chegar em casa entregou-a a sua mãe, recomendando-lhe que a colocasse no altar e tratasse dela com todo o cuidado, pois era uma relíquia muito preciosa. A mãe foi tomada de indescritível alegria.

O filho foi novamente viajar por algumas semanas. Logo acometeu-lhe um terrível arrependimento pela mentira, e resolveu que contaria a sua mãe toda a verdade quando retornasse, mesmo que isso a fizesse sofrer. No caminho de volta para casa, reparou num movimento de peregrinação de pessoas fora do comum naquela direção. Ao aproximar-se de casa, uma multidão de pessoas aglomerava-se no entorno. Comentavam até sobre milagres que estavam acontecendo. Quanto mais se aproximava da casa, maior era o clima de veneração e paz.

Quando finalmente conseguiu entrar em casa, encontrou sua velha mãe, muito feliz. Perguntou-lhe o que estava ocorrendo e ela lhe respondeu: "O que você esperava de uma autêntica relíquia de Buddha?" Ainda sem acreditar no que estava acontecendo, entrou na sala do altar e tomou um susto - o dente do cachorro brilhava!"
Postado por Jouken San

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Novos grupos zen no planalto


Na foto um momento da ordenação monástica de Sodô San por Saikawa Roshi.

Sodô San, recentemente ordenada noviça na Ordem SotoZen, tem se empenhado em iniciar novos grupos de prática do zen em Brasília e Formosa. Os grupos estão sob a orientação de Monge Genshô e ligados à Comunidade Zen Budista de Florianópolis.

- Comunidade Zen Buddhista de Formosa: Av. Brasília, 1235-Formosinha - Academia ATRIUM. Práticas às quinta-feiras 19:30h
- Comunidade Zen Buddhista Guará: QI 04 Bl B Sala 111 - Instituto Equilibrium-Guará -Brasília-DF.Práticas às segunda-feiras 18:00.
- Comunidade Zen Buddhista Lago Sul: QI 07 Bl B Sala 201 - Escola de Decoração Nida Chalegre. Práticas aos sábados as 16:00 (inicio dia 4/09/2010)


Contato: (61)8218.9464 - E-mail:comunidadezenplanalton@yahoo.com.br - MSN: zenplanalto@yahoo.com.br

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Um Exorcismo Zen


A Subjugação de um fantasma -

Uma jovem e bela esposa caiu doente e finalmente chegou às portas da morte.

"Eu lhe amo tanto," ela disse ao seu marido, "Eu não quero lhe deixar. Prometa que não me trocará por nenhuma outra mulher! Se não o fizer, eu retornarei como um fantasma e lhe causarei aborrecimentos sem fim!"

Logo após, a esposa morreu. O marido procurou respeitar seu último desejo pelos primeiros três meses, mas então ele encontrou outra mulher e se apaixonou. Eles tornaram-se noivos e logo se casariam.

Imediatamente após o noivado um fantasma aparecia todas as noites ao homem, acusando-o por não ter mantido sua promessa. O fantasma era esperto, também. Ela lhe dizia tudo o que acontecia e era falado entre ele e sua noiva, mesmo as mais íntimas experiências.

Sempre que dava à sua noiva um presente, o fantasma o descrevia em detalhes. Ela até mesmo repetia suas conversas, e isso aborrecia tanto o homem que ele não era capaz de dormir. Alguém o aconselhou a expor seu problema a um mestre Zen que vivia próximo à vila. Enfim, em desespero, o pobre homem foi buscar sua ajuda.

"Então sua ex-esposa tornou-se um fantasma e sabe tudo o que você faz," comentou o mestre, meio divertido. "O que quer que você faça ou diga, o que quer que você dê à sua amada, ela sabe. Ela deve ser um fantasma muito sábio... Realmente você deveria admirar tal fantasma! A próxima vez que ela aparecer, barganhe com ela. Diga a ela exatamente o que direi a você..."

Naquela noite o homem encontrou o fantasma e disse o que o mestre havia
instruído:

"Você sabe tanto de mim que eu nada posso lhe esconder! Se você me responder apenas uma questão, eu prometo desfazer meu noivado e permanecer solteiro."

"Na verdade, eu sei que você foi ver um mestre Zen hoje! Diga-me sua questão." Disse o fantasma.

O homem levantou sua mão direita fechada e perguntou:

"Já que sabe tanto, diga-me apenas quantos feijões eu tenho nesta mão..."

Neste exato momento não havia mais nenhum fantasma para responder a questão.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Treino e resultado

Na Sangha de Florianópolis,DaissenJi, o Professor Bueno ministrou seu curso de Sumi-e e Aikidô no fim de semana, Jikiho San fez as refeições na cozinha do Daissen Restaurante, as fotos mostram o clima de harmonia e o belo resultado do aprendizado.




"A palavra sumiê significa “pintura a tinta” em português, e consiste numa técnica de pintura em preto-e-branco originada em mosteiros budistas da China durante a dinastia Sung (960-1274). Levada pelos monges zen ao Japão a partir do século XIV, o sumiê tinha essencialmente temáticas espiritualistas que representavam elementos budistas, como o círculo, que indica o vazio interior, ou da natureza, como as rochas e a água.
Para o artista, o mais importante é retratar a essência do elemento a ser pintado, e não a mera reprodução de sua aparência exterior. Adotando esses princípios, o sumiê exerce uma dicotomia interessante. Preto-e-branco, concreto e abstrato, água e terra, controle e espontaneidade são manifestações presentes nessa arte, que, a partir do século XV, passou a retratar também pássaros, flores e paisagens."
Postado por Michel Seikan Mais fotos aqui

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Angústia


Kanzeon, bodisatva da compaixão, Mosteiro de Yokoji/ 2010.

P: Estou lhe escrevendo apenas nos momentos de angústia e desespero, peço desculpas desde já. O caminho não está sendo fácil, até hoje tudo que eu tinha passado era apenas uma repetição, dia a dia (acordo, medito, vou trabalhar, estudo, medito novamente e durmo), mais hoje foi um dia especial, acabei ultrapassando meu tempo de
meditação, o que me deixou irritada (não sei o motivo), fui trabalhar e a sensação de angústia e medo me tomaram novamente, como se as minhas máscaras tivessem caído e a sensação de não existência foi horrível, como se estivesse entrado num estado de depressão, acho que estou entrando... não estou legal, tem sido muito difícil para mim me ver só, hoje a dor está insuportável. Realmente não sei o que está ocorrendo comigo, peço-lhe auxílio.

R: Na realidade isto mostra um momento de grande oportunidade na prática. Eu o vivi e ele foi tão assustador que parei de meditar durante dois meses.
Quando o relatei a um professor ele disse: - Perdeu grande oportunidade!
Nesta hora você devia descobrir de onde vem este medo!
Na realidade é nosso eu fabricado que tem receio de ser destruído, quer manter suas máscaras, como bem disseste, mas logo ali, após a sua destruição, há uma grande felicidade, uma descoberta de que somos muito mais do que pensáramos. Nesta hora você tem que morrer sinceramente, mergulhar até o fundo, sentar e não levantar como Buda, dizendo que vai vencer esta batalha contra seu maior inimigo, seu próprio eu que quer sobreviver no engano.
Você é a própria unidade, esta é a hora de mergulhar nela, sendo una com ela, em lugar de separada, pequena e solitária. Se for muito difícil, visualize o Buda em pessoa a sua frente e deixe que ele tome com a mão sua mão e a conduza para um lugar puramente luminoso. Lá esta imagem desaparecerá e você apenas se deixe envolver na luminosidade calorosa e plena, onde não há mais nenhuma forma de solidão.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Sumi-e e Aikidô


Clique na imagem para ampliar.


Convite aberto;

A Comunidade Zen Budista de Florianópolis convida a todos para participarem do Workshop de Sumi-e & Aikido com o renomado professor José Roberto Bueno.

Local: Sede da comunidade - praça Getúlio Vargas (praça dos Bombeiros), 62 - centro de Florianópolis
Data: 13 e 14 de agosto
Horário: 09:00 às 18:00hs
Investimento: 110,00 (almoço incluso)

Maiores informações no cartaz anexo ou pelos tels 9968-4599 ou 9164-5492 com Suely.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Individualidades


Mais uma sessão de meditação, Sesshin da Comunidade Zen Budista de Florianópolis.

P: Eu não entendo como todas as coisas são ilusórias mas existe uma realidade subjacente, mas sei que posso compreender se o senhor me explicar.

R: Existe uma realidade, porém você só tem acesso a ela através de intermediários, como as sensações e as interpretações de seu cérebro, seus conceitos etc...portanto tudo que você percebe é ilusório, transformado, um mundo de aparências.

P: Existe um texto em que Shiva fala: "Eu como por todas as bocas, eu respiro por todos os corpos, eu sofro por todos os corpos". Isto poderia se aplicar?

R: Não, porque há um Shiva falando, ele é também uma construção mental dos seus crentes.

P: É como se houvesse uma fusão de indivíduos, como se não existisse realmente individualidades separadas? É como se o eu que estivesse escrevendo esse texto fosse um outro você? O budismo aceita essa idéia de fusão de individualidades?

R: As individualidades são manifestações como sonhos, porque você a sente ela se manifesta em fenômenos como são nossos corpos, mas em termos absolutos ela é evanescente como uma bolha de sabão, não sobrevive à morte.

P: À medida que eu digo "Eu sou o universo", logo existem seres em outros seres do universo que tem a minha individualidade além de mim?

R: Todas as individualidades são ilusórias, o que realmente somos é a própria corrente de causa e efeito.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Ouvir o Dharma



“O Dharma incomparavelmente profundo e de uma sutileza infinitas é raramente encontrado mesmo em milhões de milhões de ciclos universais.Possamos nós agora ouvi-lo,aprendê-lo e guardá-lo.Ouçamos cuidadosamente as palavras do Tatághata.”

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O poder das palavras



Akiba Roshi lê mensagem com palavras de agradecimento dada por seus alunos no Mosteiro de Yokoji, no Angô de Certificação de Professores da Soto Shu de 2010.

As palavras tem imenso poder, elas podem desencadear crimes, como as palavras de ordem ditas a uma multidão de fanáticos, podem consolar os que sofrem, podem provocar visões interiores revirando nossos conceitos de tal forma que avassaladoras ondas de emoção nos invadam, podem produzir o perdão e o agradecimento, podem abençoar e podem elevar o homem a grandes alturas através de orações.
No entanto estamos em um tempo em que tornou-se moda as pessoas se expressarem com palavras baixas, insultos grosseiros à sensibilidade, referências as mais abjetas as coisas que produzem nojo ou as atividades humanas mais degradantes tornaram-se as interjeições de muitos. Eles pontuam sua conversa, sem nem pensar no significado do que dizem, criando um hábito que torna sua maneira de falar a mesma das reuniões de criminosos ou dos seres mais degradados da espécie humana, como se inconscientemente quisessem ser como eles.
Com a desculpa da força de expressão abdicam do elevado em troca do baixo. Ora, se as orações e os mantras tem alguma força por serem muito repetidos, também o tem as palavras de baixo calão, também elas produzem efeitos e atraem o que é mau do universo inteiro para o entorno do que as pronuncia. Assim como orar eleva, dizer palavrões rebaixa. Eles são orações e mantras ao contrário, a linguagem do próprio inferno, se você quer atrair o ambiente e os seres dos infernos já sabe agora como deve falar, se quiser atrair os seres celestiais e seu ambiente de felicidade e harmonia use as palavras da beleza e da paz.
É você que constrói seu universo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O Kesa


Saikawa Roshi entrega o Kesa ao noviço na cerimônia de ordenação monástica.

5. O Estado de Espírito

Da mesma maneira que o Buddha usou tecidos os mais vis para fazer uma vestimenta nobre, quando você se decidir a começar um Kesa, o tecido que você comprar já é um Kesa. Respeite-o assim como mais tarde você respeitará o Kesa que você usará.

Quando estiver costurando o Kesa não o deixe pelo chão. Procure colocá-lo em lugar apropriado e alto. Sobretudo, quando você começar um Kesa, guarde-o sempre presente em vosso espírito. Não espere anos para usá-lo. Mantenha-se concentrado nele mesmo que no início a tarefa pareça árdua e difícil.


O Ponto

Quando se começa um Rakusu ou um Kesa, é bom treinar um pouco a fim de bem compreender o ponto.

Tome um pedaço do tecido e trace uma linha a giz. Enfie a agulha no avesso do tecido e puxe-a acima da linha. Depois torne a enfiar atrás, à direita ligeiramente um pouco abaixo (debaixo da linha) a um ou dois milímetros. Puxe a linha com flexibilidade fazendo um ponto e não um traço. A distância entre os pontos é de um a cinco milímetros.


“O ponto deve ser o menor possível, mas não é preciso que ele se torne decorativo. O importante é costurar a si mesmo. Não se preocupe se o ponto saiu bom ou ruim”.
Kodo Sawaki, Livro do Kesa

Para costurar as partes dobradas (segunda costura) ou as molduras não faça traço a giz, mas costure diretamente de um a dois milímetros da borda.


Os nós de arremates

Sobre o Rakusu ou Kesa não se deve ver nós, mas se não se fizer uso de nós a costura pode desfazer-se rapidamente. O melhor a fazer é esconder o arremate no interior do tecido passando o ponto duas vezes sobre o mesmo lugar.

Mestre Deshimaru dizia que o avesso deve ser tão belo quanto o lado direito porque este reflete o nosso espírito.


Fonte: Grands Classiques Zen – Lê Livre Du Kesa. Traduit e commenté par maître Taisen Deshimaru. Paris.

Tradução: Álvaro Leonel da Cunha

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O Ino



Na foto Ryoten San, monge de Eihei Ji, treina para o papel de Ino no mosteiro de Yokoji, esta é uma função difícil em que se tem que liderar as recitações, dar o ritmo, e dizer as dedicatórias com precisão, normalmente demanda o treinamento de um ano para poder ser responsável nas grandes cerimônias públicas.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Kechimyaku



Na ordenação monástica o noviço recebe um documento, o Kechimyaku, a ser guardado cuidadosamente, e que só deve ser exposto como cópia, no qual consta a sua linhagem simbólica, desde os dias de hoje até Shakyamuni Buda, no caso presente 93 nomes, percorrendo quase 2 600 anos de história da transmissão do zen.
Na foto Saikawa Roshi e e o noviço Tokushi San, em ordenação monástica em Florianópolis.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Unsui - o início do caminho monástico



Monja Isshin, escreve em seu blog sobre os noviços na escola Soto Zen, íntegra aqui.
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"Neste momento, tornaram-se “unsui” (雲水, nuvem-água), que significa um ser que vai indo e vindo com a leveza da nuvem sem estar preso a nada ou ninguém, com a fluidez da água que se adapta a qualquer recipiente mas que tem a força de vencer qualquer rocha.

Estão na fase inicial de suas trajetórias como “unsui”, na graduação de “jôza”, que pode ser traduzido aproximadamente como “noviço”. Nesta fase, o “unsui” é um estudante-de-monge, que no Japão não teria qualquer autoridade para ensinar, orientar, coordenar – ou até nem mesmo permissão de aparecer para o público em geral. É a fase de “cale a boca e limpe o chão” – uma fase de valor inestimável no nosso treinamento.

Aqui no Ocidente e especialmente no Brasil, infelizmente, a situação é bem diferente. Poucos alunos neste país têm a oportunidade de ter uma convivência direta e constante com os seus professores. Acabam sendo “alunos à distância”, com poucas oportunidades de estar na companhia do professor. Acho isto muito triste, pois representa obstáculos enormes, quase intransponíveis, ao desenvolvimento da compreensão do Darma e prática corretas destes alunos. Muitos noviços brasileiros arcam com responsabilidades demais, cedo demais – até liderando grupos de prática, supervisionando aulas do Darma ou workshops de prática – quando na verdade são “estudantes” eles mesmos.

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Como ‘unsui’ (monges-em-treinamento), eles devem passar pelas etapas de monge-noviço (jôza), líder dos noviços (shuso, quando é realizado o Hossenshiki – Cerimônia de Combate ao Darma) e monge-aprendiz (zagen), até finalmente completar o seu treinamento, se tornando monge plenamente formado (oshô, recebendo Shihô, Transmissão do Darma, a ordenação superior).

É uma caminhada longa que, às vezes, pode ser bastante difícil. Desejo aos meus “sobrinhos do Darma” muita Paz e Tranqüilidade nas suas jornadas e ofereço toda a minha solidariedade. Que possam atingir a Libertação do Sofrimento, o Nirvana, como ensinado pelo Buda."
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Shura



"Este resto de cabelo chama-se Shura, somente um Buda pode removê-lo, você me autoriza a raspa-lo?"

Na cerimônia de ordenação um pequeno trecho de cabelo resta intocado, o mestre o raspa depois de pedir licença três vêzes, o resíduo é guardado como uma lembrança dos votos que o postulante faz para ser declarado noviço.

domingo, 1 de agosto de 2010

Cortando os cabelos



Monjas e Monges raspam suas cabeças desde os tempos de Buda como demonstração de seu desapego as opiniões do mundo e a própria vaidade, para uma noviça esse pode ser um momento de grande alegria, como é o caso de Sodô San na sua ordenação monástica em Florianópolis.



Postulantes repetem o voto de arrependimento antes de se comprometer com os 16 votos básicos do zen budismo e serem ordenados monges noviços.

Voto de Arrependimento

De todos os atos negativos alguma vez cometidos por mim,
Devido a meu apego, aversão e ignorância sem início,
Nascidos de meu corpo, boca e mente,
Agora, de todos eu me arrependo.

Um album de fotos aqui