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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Professor e Mestre


Akiba Roshi, como mestre em Angô, Yokoji 2010.

P: Qual a diferença entre professor e mestre no zen?

R: Podemos ouvir o professor com bastante reserva e não somos obrigados a aceitar nada. Uma relação mestre/discípulo, não é uma relação professor/aluno, ela é, no Zen, uma relação em que escolhemos alguém para ser nosso mestre na vida e essa escolha deve demorar, não deve ser apressada. Normalmente os alunos visitam vários lugares, ouvem diferentes pessoas até encontrar um local onde se sentem conectados, se sentem bem, sentem que aquele lugar fala ao seu coração, que aquele professor especificamente está falando ao seu coração. Depois de um tempo bastante variável, pode ser que se estabeleça uma relação mestre/discípulo e nessa relação não existe
uma atitude crítica e sim uma aceitação ampla daquilo que está sendo ensinado, com um
mínimo de resistência. Três características definem o discípulo, silente, obediente e não resistente,dize-se Sunae este conjunto de atitudes que fazem o discípulo. Significa, eu ouço e fecho minha boca, sou silencioso, mesmo que eu não concorde,
fecho minha boca na esperança de que mais tarde eu entenda aquele ensinamento, agora não entendo, mas não protesto, fico silente.
(continua)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Marcas cármicas


Praticantes de Florianópolis em retiro.

P: Como funcionam as marcas cármicas?

R: A marca é uma tendência, ela precisa de condições para se manifestar, por exemplo, você cultiva raiva de alguém, pensa nisto e a marca fica mais forte, se um dia encontrar esta pessoa poderá brigar com ela pois alimentou esta tendência. Cada marca funciona assim, se não houver o encontro a raiva ficará como semente sem produzir um fruto até que a tendência a acumular raiva produza um efeito.
Isto pode ser extrapolado para todas as diferentes formas de imaginar marcas cármicas.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Silentes


Pássaros negros
Silentes
Reverentes.
Ao toque do sino
Às batidas do tambor
Ao som do mar
O zazen.
Num vôo curto
Na areia branca
O pouso.
Com passos lentos
No tapete de conchas
Recolhem lembranças
Deixam pegadas.


Gasshô
Rosana.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Saikawa Roshi - Nosso Superior Geral


Vista do retiro realizado no último fim de semana em Florianópolis.

Dôshô Saikawa Sôkan Roshi
Superior Geral da Escola Soto Zen para a América do Sul desde maio de 2005, Saikawa Roshi nasceu em Nagasaki, Japão no ano de 1949. Foi monge Theravada na Tailândia, voltou ao Japão e entrou na tradição Soto Zen ao receber ordenação de Shunmyo Sato Roshi em 1978. Treinou no Daihonzan Sojiji (1978-79) e Sojiji Soin (1979-81).
Depois de receber a Transmissão do Darma, foi Kaikyoshi no Zen Center of Los Angeles (1981-83), assistindo a Maezumi Roshi, e colaborando na formação do Zen Mountain Monastery (Daido Loori Roshi, abade) no estado de Nova Iorque.
Retornando ao Japão, tornou-se um dos oficiais professores no Templo Sede da Escola Soto Zen – Soji-ji, em Yokohama.
Tem alunos e grupos de Zazen nos Estados Unidos, Europa, Austrália, Japão, Brasil, etc. É professor de Transmissão do Dharma dos monges brasileiros Kôun (São Paulo) e Genshô (Florianópolis) e professor de numerosos outros monges-em-treinamento brasileiros. Foi professor da Monja Isshin de 2008 até 2010.
Dôshô Saikawa Sôkan Roshi é abade do Templo Hosen-ji em Yamagata-ken, Japão.
Em 2005, foi nomeado Kokusaifukyoshi (Professor Internacional) e assumiu o cargo de Sôkan (Superintendente) da Escola Soto Shu para a América do Sul e é o atual abade do Templo Busshinji em São Paulo.

Texto redigido por Isshin Sensei e publicado em seu blog.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Foto final do sesshin de inverno em Florianópolis

Na foto um aspecto da vista obtida do terreno doado para a comunidade no bairro Sambaqui com vistas a construção de um monastério zen budista para monges residentes.

Foto do final do sesshin de inverno em Florianópolis. Esteve conosco Seigen San, monge do Templo Busshinji, e praticantes de lugares distantes ligados a comunidade como Marcos de Londrina, e Marcos de Tocantins.


Mais fotos do retiro e do terreno podem ser vistas aqui

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O que posso perder?



"Muitas vezes colocamos nossa felicidade em “Se eu conseguisse isso ou se conseguisse aquilo”. Todas as coisas têm causa, a causa de nosso sofrimento é originária de nossos desejos e apegos. Quanto mais forte nosso apego, maior nosso sofrimento. É como se vocês olhassem em suas casas e dissessem, “dessas coisas que eu tenho, quais poderia me desfazer sem sofrer?”, esse é um bom teste, “Eu posso perder tudo, ou não?”, se eu não puder perder tudo é porque coloquei minha felicidade nessas coisas. E onde eu coloquei minha felicidade e meu coração, lá estará meu sofrimento. Deixe, pelo menos, sua felicidade nas coisas nobres, como as pessoas que você ama, mas não nos objetos, eles não valem tanto, já bastam os grandes apegos que temos pelos nossos amores. Você deve saber e lembrar-se disso, meu sofrimento está exatamente onde se encontram meus apegos. Buda quis deixar bem claro, todos os sofrimentos têm uma causa e você sempre pode se perguntar, “Onde esta a causa do meu sofrimento?”






Trecho de palestra, Genshô.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A primeira nobre verdade



Então Buda inicia um discurso, um ensinamento chamado, As Quatro Nobres Verdades. E é sobre ele que vamos falar hoje, o mais básico dos ensinamentos do budismo. Diz ele, “a primeira nobre verdade é que a vida é insatisfatória”. Em geral é traduzido como, “a vida é sofrimento”. Mas não é exatamente isso que Buda quis dizer, a palavra que ele usou foi dukkha. Dukkha vem da raiz duk que significa eixo. Naquela época já se usavam rodas,carroças e eixos. Imaginem dukkha, um eixo descentrado, um eixo que não está bem no centro da roda, então a roda sobe e desce porque não está exatamente no centro, e isso é o que a vida faz conosco, ela tem ciclos, as vezes em cima, as vezes embaixo, as vezes de um lado,outras de outro, ela varia. Todos nós passamos por momentos agradáveis e felizes como também por momentos mais tristes. Isso é inevitável, porque a vida é dukkha, insatisfatória,cíclica, cheias de sobes e desces. A primeira coisa que temos que reconhecer é que a vida tem tristezas e tem alegrias, nem um nem outro é permanente.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Controle



Meu primeiro professor do Zen, dizia para não matar uma pedra, porque também uma pedra pode ser danificada simplesmente. Se não houver um motivo plausível não temos o direito de destruir qualquer coisa ou de causar qualquer sofrimento. Esse é um questionamento que cada um deve fazer com relação a si mesmo e sua vida no mundo. Quando penso em moralidade, penso que o budismo não tem uma moral no sentido de regras que temos que seguir porque as regras existem. Não é uma questão de moral, de qual roupa a gente veste ou como nos comportamos, não se trata de uma moral no sentido convencional. Trata-se de uma ética em relação a causar sofrimento, logo, todo ato que cause sofrimento aos outros deve ser questionado, isso significa, meu gesto, minha palavra e em ultima analise meu pensamento. Porque meu pensamento vai fazer com que eu cometa as palavras e os atos que irão gerar sofrimento. Por isso Buda disse que o caminho budista é ser senhor de sua mente. Somente sendo senhores de nossas mentes seremos capazes de evitar sofrimento aos outros e a nós mesmos. Através do descontrole de nossa mente é que começamos a sofrer, porque temos sentimentos que nos perturbam e esses sentimentos é que tem que ser transformados. Mas não basta policiá-los, porque se somente os policiarmos sempre fracassamos, porque o controle falha, controle não funciona bem, o que temos que mudar é o sentimento real. Se mudarmos o sentimento, automaticamente palavras e gestos começarão a se alterar.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Samsara e Nirvana são aqui



" Nirvana não é um lugar, não é um céu ou paraíso, o nirvana é aqui nesse lugar onde nós estamos. Aqui é samsara se nós temos olhos que vêem samsara, aqui é nirvana se temos olhos que vêem nirvana, o nirvana e o samsara estão no mesmo lugar. Samsara é o mundo da perambulação, um mundo onde nós andamos procurando a felicidade sem parar. Procurando um emprego melhor, um mundo cheio de “ses”, seu eu tivesse um carro novo, se eu tivesse uma casa boa, se eu morasse num país sem pobreza, se eu tivesse um grande amor, se, se, se.

Então esse mundo de “ses” onde as pessoas ficam procurando a felicidade sem parar é o samsara.Samsara significa perambulação. O nirvana é o mundo dos não impulsos, não desejos, não pensamentos, NIR, significa não e VANA pode ser entendido como ventos, ou fogo, no sentido de ventodas emoções, paixões e impulsos. Então é um mundo onde há paz e não somos empurrados de lugar para lugar pelos ventos dos desejos. Agora no sesshin pode-se notar bem o samsara, se minha almofada fosse mais macia, se minhas costas não doessem, se meus joelhos agüentassem, se o que controla o tempo desse uma olhadinha para o relógio e percebesse que já passaram quarenta minutos.

Como pensamos todas essas coisas o nirvana não existe nesse momento. Nós não ouvimos a serra do lado de fora como um ensinamento de Buda. No fundo, o vento nas arvores, o chacoalhar das folhas, o zumbido do mosquito são vozes de Buda, mas não entendemos. Por isso é samsara. "


Trecho de palestra em sesshin, Monge Genshô

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Além de sujeito e objeto



"Tem um som aqui? Isso é verdade. Mas ao mesmo tempo que você ouve esse som, o som não está aqui. Ele está em você. A realidade está além de sujeito e objeto e além de sujeito e objeto significa unidade. Dessa forma um história pessoal muda muito, mas não muda nada, isso é a base da vida. Quando usamos incenso,podemos cheirá-lo, onde está o cheiro do incenso? Na fumaça? É verdade. Ao mesmo tempo que você pode sentir o incenso como bom ou ruim, você pode dizer que gosta ou não gosta de alguma coisa. Isso significa estar alem de sujeito e objeto. Somente a totalidade e a unidade podem falar sobre o cheiro. Assim é com o gosto da comida ou bebida. O gosto está na comida? É verdade. Mas ao mesmo tempo não é verdade. Quando você prova e diz que é muito bom, o gosto está em você e isso significa além de lá e aqui, além de sujeito e objeto, na unidade o gosto existe. Da mesma forma quando sinto calor, não é uma coisa que está aqui ou ali, quando o dia está quente ou frio, está em mim, mas ao mesmo tempo é verdade que está aqui ou ali. O som, o gosto, o cheiro e o frio que a gente sente, existe na unidade."



( Trecho de palestra de Saikawa Roshi, 2005)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Todatsu Shinbun - numero 4



Abaixo o início do texto de Lucas Seigaku a ser publicado no jornal da Sangha, você poderá acessa-lo no link ao final, assim como os numeros anteriores:



"T ê n u e Tr a n s m i s s ã o



Por: Lucas Seigaku
Imagine a seguinte chamada de um jornaleco sensacionalista: “Lavador de arroz analfabeto recebe Transmissão; funcionários e monges furiosos com comportamento do abade”. Em poucas palavras, treze séculos atrás esta foi a história de Dajian Huineng (Daikan Enō), o sexto ancestral do chan (zen) na China. Sua conclusão – incluso o belo poemeto-réplica de Enō - deixo como tarefa de casa. Adianto apenas que,para fugir dos monges enfurecidos, ele escondeu-se na casa de um caçador durante uns bons anos, depois de ter recebido, no meio da noite densa, o manto e a tigela do velho abade, Daman Hongren (Daiman Kōnin), juntamente com um conselho: "Desde tempos antigos atransmissão do Dharma é tênue como um barbante frouxo. Vá embora, rápido."
Enō viveu perto dos 80 anos, aprendeu a ler e a escrever e tornou-se um poeta e calígrafo renomadíssimo, além de um mestre zen prolífico.Algumas de suas obras sobrevivem quase intactas até os dias de hoje, e ele próprio é relembrado por nós, mesmo que brevemente, na nossarecitação das dezenas e dezenas de nomes da “Linhagem”. Sua história, com um gostinho de conto de fadas misturado com piada, é somente uma dentre várias: histórias que misturam angústia com despertar, sofrimentos e grandes alegrias, histórias de pessoas muito próximas de nós mesmos."

Íntegra aqui:

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A clareza



P: – Eu queria entender um pouco a diferença entre esse estado de iluminação e o estado de adormecimento. Porque para vocês esse estado de iluminação, teoricamente, seria um estágio onde nada ocorre, onde essa mente esteja obliterada, mas...




R: – Eu acredito que essa visão não seja bem correta. Não se trata de uma obliteração da mente em absoluto. Trata-se de um estado em que você tem clareza, ou seja,você pensa, raciocina e age, mas age com clareza. Você vê claramente o resultado de suas ações, porque deve agir de determinada forma e toma decisões com clareza. A diferença da mente iluminada para a mente deludida é a clareza. Quando alguém está iluminado ele sabe o que deve fazer, quando, como e de que maneira, sempre, límpidamente. Mas não significa que não age no mundo, que não fala, que não lhe ocorrem pensamentos, o que ocorre é que ele não é levado de um lado para outro por seus pensamentos. Não é que ele sente e não lhe surgem pensamentos, é que nenhum pensamento o arrasta. Se nós dissermos, sentamos e ficamos com a mente completamente vazia, sem nenhum pensamento, do ponto de vista de Hui Neng, famoso mestre Zen do século sete depois de Cristo, chamaria isso de quietismo e ficaria furioso.



Vou contar uma pequena historia Zen, o zen fica melhor com anedotas e histórias. Um monge chegou num mosteiro de um grande mestre Zen e disse, “O senhor pode me ensinar, pode me aceitar?”. “Pode ser, disse o mestre, o que você já fez?” disse o mestre. “Já treinei muito meditação, vou lhe mostrar”. Sentou-se rapidamente em posiçãode lótus com as pernas cruzadas e entrou em samadhi profundo em segundos. O mestre pegou um bastão e começou a surrá-lo expulsando-o do mosteiro e disse,”Buda de pedra já tenho muitos nesse mosteiro”. Não é isso que é desejável, a libertação não é apagar-se, não é morrer, é outra coisa completamente diversa disso. A libertação tem dentro de si a ação, ação iluminada.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mumon




Mumon falou: “Em geral, aprender o caminho e chegar até o Zen significa evitar apega-se aos sons e às formas. Ao ouvir um som ou ao ver a forma de um objeto pode haver uma realização, a mente pode chegar a uma Iluminaçao. Isto é o que acontece de modo geral. Vocês que não são monges Zen, não compreendem como é que se guia o som, como se usa a forma, e como é que se vê claramente o valor de cada coisa, de cada atividade mental. Mas, digam-me! É o som que vem até o ouvido ou é o ouvido que vai até o som? E quando o som e o silêncio são esquecidos, o que é que se pode dizer a respeito dêste estado? Se vocês ouvirem com o ouvido, é difícil ouvir de fato, mas se vocês ouvirem com a visão, então realmente começam a ouvir pela primeira vez.”
Poema:
“Se você é iluminado, todas as coisas são com se pertencessem a uma grande família, mas se você não o é, todas as coisas são separadas e desconexas. Assim, se você não é iluminado, nada é interligado, porque cada coisa será diferente das demais.”

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O reino da impunidade




"Caríssimos Irmãos no Dharma,
Sinto ter chegado o momento propício para interferir na discussão agora em curso sobre delitos e penas. Quero contribuir para a mesma com algumas reflexões.
1.Achei, no mínimo, muito engraçado alguém invocar o princípio do karma para advogar o abrandamento, ou simplesmente, uma supressão das penas. Quero invocar aqui um pensador conservador cristão de linha esotérico-gnóstica que eu respeito muito, Joseph de Maistre (1753-1821) que diz, em algum lugar,
que quando uma sociedade renuncia ao dever de punir seus criminosos, o peso da culpa dos mesmos passa a recair sobre essa dita sociedade, como um todo.
É exatamente isto que estamos vendo acontecer em nosso país, onde se instalou o reino da impunidade.
Não tenho a mínima competência para opinar em questões jurídico-penais, mas talvez possa oferecer um modesto contributo discutindo princípios gerais:
1.1.Pena de morte: aos que defendem a aplicação da pena de morte invocando um pretenso poder dissuasório da mesma, quero lembrar a cena de abertura do livro Surveiller et Punir (Vigiar e Punir) de Michel Foucault, um dos mais importantes filósofos do século XX. Numa praça de Paris, em meados do século
XVIII, está sendo executado através de torturas horripilantes um pobre diabo que ousou atentar contra a vida de Luís XV. Enquanto a multidão Assistia o bárbaro espetáculo, os punguistas circulavam alegremente pela praça, aliviando os espectadores do peso de suas carteiras. Ou seja, a pena de morte não inibia ninguém. O que inibe não é a pena de morte, mas sim, como nos ensina o filósofo legista chinês Han Fei-tse (280-233 a.C.), a absoluta certeza de que todo e qualquer delito será punido.
1.2.Rigor e Misericórdia: Como deverá ser uma punição? Quero aqui tomar de empréstimo à Santa Kabbalah ou Tradição Secreta de Israel (como dizia Fernando Pessoa) os conceitos-chave de Rigor e Misericórdia. Uma pena terá de apresentar um justo equilíbrio entre essas duas colunas, ou seja, ser suficientemente rigorosa para o delinquente tomar consciência do mal que fez e se sentir punido por causa do mesmo, e misericordiosa no sentido de ajudar o criminoso a se regenerar e trabalhar por sua reinserção na sociedade. Como
conseguir isso na prática? Que alguém mais competente que eu nessas questões apresente suas opiniões e sugestões.
2.O conceito de karma, para ser utilizado hoje, precisa ser desmitologizado, isto é, aliviado do peso inútil de seu "entulho mitológico". Karma significa, basicamente, o conjunto das ações, palavras e pensamentos humanos mais suas consequências. Em termos modernos, isso seria historicidade. O homem é ao mesmo tempo produto de uma história e agente a colaborar na construção da mesma. A historicidade nos mostra que todos somos, de alguma forma, corresponsáveis (ainda que não necessárimanete culpados) por todo o
mal que ocorre na sociedade. Propor algo como a supressão das penas em nome do karma seria como tentar fugir ao dever de participar na obra coletiva de construção do devir histórico. É exatamente punindo os criminosos que se participa da obra do karma, e não fugindo a esse dever.
3.Foi lembrado, com muita propriedade, durante a discussão, que, quando, por ocasião de um críme bárbaro, clamamos pelo agravamento das penas, está em ação o sentimento de vingança. O ciclo sinistro das vinganças sucessivas (vendetta) foi a mais antiga lei das sociedades humanas e seus resquícios ainda não desapareceram totalmente... O que é a prática americana de se convidar os familiares da vítima para assistir a execução do criminoso senão uma sobrevivência da vendetta? Entre os samurais do Japão pré-moderno a vendetta, sob a denominação de kataki-uchi, era uma prática institucionalizada e regulamentada. Sobrevivências da vendetta também estão presentes na sharia, a lei islâmica.
A Lei Escrita e as instituições jurídicas surgiram para, entre outras coisas, fazer cessar o ciclo sangrento das vinganças sucessivas, ficando a tarefa de punir os crimes a cargo de uma instância superior a agressores e
agredidos. O antropólogo Pierre Clastres mostra-nos como, em casos extremos, o ciclo de vinganças pode se exacerbar a tal ponto que culmina pela destruição do grupo social.
4.No Budismo é pregado um caminho para a superação da vendetta:
Porque neste mundo, ódios jamais cessam pelo ódio,
Mas eles só cessam pelo não-ódio;
Isto é um antigo princípio natural. (Dhammapada I, 5.)
.........



Gasshô,
Shaku Riman



Prof . Ricardo Mario Gonçalves" (2004)
 

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Não há nenhum lugar para fugir




Não há nenhum lugar para onde fugir



Uma das coisas que te apercebes quando observas a natureza do eu é que aquilo que fazes e o que te acontece são a mesma coisa. Ao te aperceberes que não existes separadamente de tudo o mais, percebes o que é a responsabilidade: és responsável por tudo o que experimentas. Não podes voltar a dizer, “Ele enfureceu-me” Como é que ele pôde enfurecer-te? Só tu podes enfurecer-te. Compreender isto faz mudar o modo de te relacionares com o mundo e de lidares com a tensão. Então apercebes-te que a tensão, que em geral tem a ver com separação, é criada pelo processamento mental das tuas experiências. Sempre que surge uma ameaça, um contratempo, um entrave, a nossa reação imediata é rejeitar, é prepararmo-nos mentalmente ou fisicamente para lutar ou fugir. Se te tornas no bloqueio – no medo, na dor, na cólera – e o vives plenamente, sem julgares ou sem fugires, deixando-o ir, deixa então de haver bloqueio. Na realidade não há maneira de saíres dele; não podes fugir. Não há nenhum lugar para onde fugires, não há nada de onde fugires: és tu.



John Daido Loori Roshi (1939 - 2009)

terça-feira, 5 de julho de 2011

Sesshin de inverno

Clique na imagem para ampliar


O Sesshin, retiro zen tradicional, é uma oportunidade para aprofundarmos na prática através da introspecção e observação profunda.
Num retiro zen budista, tentamos criar as condições exteriores e interiores que nos permitem afastar a agitação e dispersão da nossa mente. Num ambiente envolvente, observamos e praticamos o silêncio, procurando falar somente o indispensável durante as atividades coletivas.
A rotina de um sesshin envolve períodos de zazen (meditar sentado), intercalados com períodos de kinhin (meditar caminhando), teisho (palestras formais), oryoki (refeição em plena atenção), samu (atividades de limpeza do sodô), caminhadas meditativas e recitação de sutras.
Um retiro oferece à oportunidade de experienciar a vida de uma forma mais leve e receptiva. Ao estarmos mais atentos e conscientes de tudo, das nossas relações de interdependência com os outros, refinamos a nossa habilidade de vivermos no "aqui e no agora".
Local: Vila Fátima - Casa de Retiros Morro das Pedras - sul da Ilha de Sta. Catarina
Data: 22 à 24 de Julho de 2011
Início: 19hs do dia 22/07Término: 14hs do dia 24/07

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ceticismo



Aikidô: caindo sem nada a segurar, é preciso confiar que é possível abandonar a si mesmo e cair bem.


P: As vezes acho que o Budismo está me levando rumo ao ceticismo. Estou achando mais fácil me perceber apenas como um "boneco genético" do que como um "boneco kármico". Estou achando que com a morte vem o vazio, a extinção, o fim. Sê não há nada sagrado, nada supremo, por que imaginar que há samsara? Só agora me dei conta de que o Deus que eu conseguia conceber, de fato, nunca pôde interferir. Estou triste e o mundo parece o caos.

R: A genética também tem raízes cármicas... A morte de um eu não é o fim de mais do que a ilusão do eu, a sua verdadeira natureza continua e não pode se extinguir, a continuidade é óbvia "nada se extingue, tudo se transforma" como diria Lavoisier, ou as leis da conservação da energia, que conhecemos bem, e são básicas na física. Samsara não é algo mas uma maneira de ver, porque você vê com olhos de perambular, por isso, anda de um lado ao outro procurando a felicidade. O que você precisa agora é procurar a sua verdadeira natureza, se você a vir tudo será claro, e um grande contentamento surgirá, infelizmente você precisava passar por esta destruição das ilusões egóicas para poder ver com clareza além do sonho.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Visita do Dalai Lama ao Brasil em setembro




Acaba de ser divulgada, via Latin American Tibetan Association a visita de Sua Santidade o Dalai Lama ao México, Argentina e Brasil. Abaixo enviamos o boletim “Notícias Del Tibet”, publicado em espanhol. Assim sendo, damos início à divulgação do programa que Sua Santidade realizará em São Paulo, cujo detalhamento segue em anexo. Adiantamos também que além do site destinado a promover a visita http://www.dalailama.org.br/, também está sendo construído um blog, que estará disponível a partir do dia 10 de julho. Felizes e agradecidos pela oportunidade singular que esta visita está oferecendo a todos nós, mesmo a partir do dia de sua concepção, saudamos a todos e a cada um com sentimentos de profundo enlevo

No Dharma, Lia DiskinAssociação Palas Athenahttp://www.palasathena.org.br/



"En la última etapa, Su Santidad visitará San Pablo, la ciudad más grande de Brasil, entre el 15 y el 17 de setiembre. En la tarde del jueves 15, Su Santidad se dirigirá a industriales y hombres de negocios brasileros. Hablará sobre la “Responsabilidad Universal y la Transformación Social”.


El viernes 16 de setiembre, Su Santidad participará en un día entero de apertura del simposio sobre los “Estados de la Conciencia: el Conocimiento Antiguo se encuentra con la Neurociencia” y ofrecerá sus comentarios sobre los temas de discusión.


En la mañana del sábado 17 de setiembre, Su Santidad dará una charla pública sobre la “Armonía a través de la Responsabilidad Universal” y en la tarde, una enseñanza sobre “Cultivar Emociones Constructivas”. Por detalles, visite http://www.dalailama.org.br/ Su Santidad retornará a India esa misma noche.



Tsewang PhuntsoOficial de Enlace para America Latina OFICINA DEL TIBET 241 East 32nd Street New York, NY 10016 "