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segunda-feira, 30 de abril de 2012

A sabedoria dos outros





P. O que eles fazem para aliviar a dor?
R. Não pode comer, mas pode beber,  aqui no Brasil,  nos retiros eles tem chá, pode beber, então o pessoal do grupo Theravada de Minas  nos contou rindo que eles tem chá e mel para adoçar o chá então parece que o mel acaba rápido. Todo mundo coloca muito mel. Estas são curiosidades da prática budista. Mas a essência que nós estávamos falando é que Buddha criticou os extremos, mas do ponto de vista Budista esta nossa vida de hoje é muito, muito confortável. O surgimento dos mosteiros também é posterior ao início do budismo. A Sangha era principalmente peripatética, significa que elas andavam circulando, andando, dormindo ao relento e só paravam na estação das chuvas, mas isto é possível na Índia, quente e abundante, quando o budismo chega à China, ao Tibete, é necessário lugar para morar então surgem os primeiros monastérios e os monastérios são criados em volta de um templo em volta de um local de  prática e com o passar dos séculos foram ficando cada vez mais complexos mais cheios de diferentes edifícios com finalidades diferentes, foi isto que aconteceu. Temos um mosteiro assim no Brasil, então tem um templo do banho, tem um local para meditação, tem um templo para as cerimônias separado. Em Ibiraçu, no Espírito Santo. É o mosteiro Morro da Vargem, mosteiro da nossa escola, da escola Soto. Eu já estive lá e posso dizer que tomar um banho de ofurô no prédio dos banhos com vidro para a floresta é realmente conforto. Olhando do ponto de vista de Buddha, a Sangha de Budha, acharia aquilo um palácio, muito mais tendo praticantes como Mahakashyapa que nunca se deitava para dormir, ele fez a promessa de não perder tempo deitado, então ele sempre se sentava sem nunca se deitar e Buddha perguntou por que você está fazendo isto? Não é necessário. E Mahakashyapa respondeu: porque eu não tenho tempo, e na realidade Mahakashyapa, que foi o primeiro em práticas ascéticas foi o sucessor de Buddha, quando Buddha morreu a Sangha o elegeu o primeiro patriarca e é o nome dele que nós recitamos na recitação das linhagens em japonês Makakashoo Daiosho, em sânscrito Mahakashyapa (COMENTÁRIO)
É inútil interrogar os outros sobre a sabedoria, já que a sabedoria deles não pode ser de qualquer utilidade para você.(TEXTO). Na realidade, as palestras tem este defeito, você só ouve a sabedoria de outro, a experiência que ele tenha tido, mas o grande defeito que ele está apontando aqui é que não é a sua experiência é apenas indicação, é apenas vamos dizer mapa, você não precisa sair e procurar a trilha para aquele caminho tem alguém que diz para você, oh, dobra a direita, depois ali à esquerda, tem uma descida, melhor levar tênis, então o papel de quem está ensinando são estas indicações e não tem muito mais para dar porque a experiência real  aquela que se tem sentado no processo da meditação é intransmissível, ninguém pode sentar pelo outro, então cada um tem que sentar sozinho,é uma aventura pessoal.
(COMENTÁRIO)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Pedra quente


É por isso que, quando a chamamos, ela deve responder depressa. É uma só e mesma sabedoria que harmoniza num todo as pessoas da iluminação e as das ilusões. Assim, mesmo que se ponha em movimento, o movimento não deve perturbá-lo. E a floresta, as flores, as hastes de relva, os animais, os seres humanos, todos os fenômenos – longos ou curtos, quadrados ou redondos, serão compreendidos automática e independentemente de sua inteligência e ação. Não se apegue às roupas, nem à comida, nem à casa. Não sucumba ao desejo sensual nem ao aperfeiçoamento do amor, semelhantes às práticas animais.(TEXTO). Às vezes as pessoas fazem perguntas sobre: e esta prática sexual assim etc, no Zen há algum interesse em práticas como kundalini ou coisa assim? Não, isto é da origem do Budismo. Buddha foi um asceta e se você lê os textos antigos, os textos canônicos, você vai ver que os textos dos sermões de Buddha não tem concessões para os prazeres,  se você quer se libertar então pratique assim, e isto que os budistas eram considerados liberais no tempo de Buddha, liberais, em comparação com aqueles ascetas jainistas, por exemplo, que optavam em viver sem roupas, completamente nus, vestidos de vento, com regras muito difíceis de seguir como ascetas. Estas antigas práticas de mortificação, jogar cinzas no corpo etc, também foram criticadas por Buddha., ele disse que assim não funciona, do outro lado ele criticou o outro extremo também, o hedonismo, a entrega aos prazeres sensuais, a procura dos prazeres e ensinou então um caminho moderado, um caminho do meio, só que este caminho moderado quando nós olhamos hoje parece um caminho ascético, mas não era um caminho moderado no tempo de Buddha, afinal de contas os monges budistas comiam todos os dias, os monges budistas se vestiam, de mantos feitos de andrajos  sim, mas se vestiam, os monges construíam cabanas para dormir na estação das chuvas então eles faziam práticas que para os ascetas daquele tempo pareciam confortáveis. Esta tradição permaneceu dentro do budismo e dentro da nossa prática, por exemplo, aqui no sesshin nós fazemos duas refeições formais, por que a refeição da noite é uma sopa e é informal? Porque ela surgiu muito mais tarde e esta refeição não existe, como ela não existe, então nós não a fazemos de forma formal porque a última refeição na antiga tradição é ao meio dia, depois comer só na manhã seguinte, os monges antigamente sentiam dor no estômago para dormir porque não tinham nenhum alimento, então pegavam uma pedra quente da fogueira e colocavam a pedra em cima do estômago para passar aquela sensação e por isso essa refeição da noite chama-se em japonês pedra quente. A sopa era feita com restos do almoço e também foi introduzida nos países frios, na China e no Japão. Mas ainda hoje no sudeste da Ásia os monges Theravada não comem nada depois do meio dia.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Mente e corpo





Nós estávamos estudando aquele texto de Koun Ejo, O Samadhi do Celeiro da Grande Sabedoria.
A partir daí, (TEXTO) a partir daquele não saber que nós tínhamos conversado de manhã (COMENTÁRIO) tudo pode se tornar naturalmente calmo, irradiação da sabedoria, na unidade da mente e do corpo.(TEXTO). Esta Expressão mente e corpo é muito importante porque Dogen (1200-1253) sempre toca neste ponto, mente e corpo são uma só coisa. Nós costumamos separar isto no ocidente desde os tempos de Platão, principalmente na filosofia grega, a mente e o corpo foram consideradas coisas separadas, a alma e o corpo, e assim colocamos dois seres, um ser do mundo das idéias e um ser do mundo material como se fossem coisas diversas e no Budismo não é assim, nós achamos que mente e corpo são uma unidade e não adianta tentarmos pensar que é separado, porque quando nosso corpo está doente nossa mente não funciona bem, como nós falamos aqui basta uma alteração hormonal e a nossa mente não funciona mais direito, basta a introdução de uma substância química no corpo e a mente está perturbada, então dizermos que existe mente e corpo como coisas separadas, não é verdadeiro, na realidade como tudo no universo tudo está muito interligado e o nosso corpo e a nossa mente estão interligados. Não tem sentido nós cultivarmos uma mente adequada e não cuidarmos do corpo, por isto fazemos uma alimentação especial, por isto dormimos de uma determinada forma, por isto fazemos várias coisas em relação ao corpo dentro do próprio sesshin porque se você comer altas refeições, se nós tivéssemos um almoço com churrasco e caipirinha então como teríamos uma boa meditação da tarde? Sesshin num hotel de cinco estrelas, sesshin com conforto, meditação deitada, aí então todo mundo ia dormir automaticamente. Já  cochilamos um pouco sentados acordando às 4 horas da manhã, mas a essência deste pensamento è que a mente e o corpo não são coisas separadas, cuidamos do nosso corpo para que a nossa mente funcione de maneira correta e isto é a tradição dentro dos mosteiros budistas, mas nos mosteiros Zen, com um treinamento excepcionalmente mais rígido por causa da natureza do Zen, então fazemos realmente difícil, duro, porque aí funciona.(COMENTÁRIO M. Genshô)

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Organizadores de workshops do Monge Genshô


Estamos criando uma rede de organizadores de eventos com o Monge Genshô. Há aí a intenção de  reunir recursos para construir um mosteiro em Florianópolis, para o qual já recebemos a doação de um bom terreno e também proporcionar visitas para as Sanghas locais do zen.
Assim concebemos dois diferentes eventos:

1 ) Palestras. 
Com oportunidade de lançamento do livro "O Pico da Montanha é onde estão os meus pés".

2) Workshops.
Estes eventos com a duração de um dia, com dinâmicas e palestras podem iniciar pessoas ao zen mas se destinam principalmente a ajudar pessoas em seus objetivos de vida profissional e pessoal, mesclam a experiência como executivo e como monge e assim podem atingir um grande numero de pessoas. 

As cidades de Florianópolis, Joinville, Curitiba, Londrina, Rio do Sul, Maceió,  Porto Alegre, Brasília,
Belo Horizonte, Goiânia  já tem pessoas interessadas na organização de eventos.

Interessados escrevam diretamente para mongegensho@gmail.com

Tudo construímos


P. A consciência constrói a realidade o tempo todo, não a realidade, mas as relações,e sintonias...
R. Nada acontece que você de alguma forma  não esteja merecendo, as coisas acontecem porque de certa maneira construímos condições para isto, mas muitas coisas que nós interpretamos como negativas não o são, parecem ser naquele momento, mas são oportunidades maravilhosas que se abrem depois, você tem que esperar, parar para ver, agora isto é só da nossa ótica porque se a todo instante você tivesse uma mente clara, a todo momento você estaria apenas vendo a beleza, deste momento tal como ele é.

P. Qual é a orientação sobre a respiração na recitação do Sutra do Coração?
R. Como a gente não para na recitação, se você não toma ar então você vai ter que pular uma sílaba para tomar ar, mas o grupo todo está recitando, então você tem que confiar que o grupo continua, então confie no grupo e não em você, é mais um dos exercícios das recitações, prestem bem atenção, nós não sabemos prestar atenção, o ritual todo tem significados simbólicos e toda a maneira de fazer tem ensinamento incluso. O ensinamento não é expresso, não é explicado, eu explico muito e esta não é a maneira tradicional. Saikawa Roshi disse que ele se sente culpado por explicar demais e não dar oportunidade para o aluno descobrir por si mesmo. Façam um esforço para descobrir coisas por si mesmos e vocês vão descobrir coisas que vão me ensinar e vai ser muito bom.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Eutanásia

Temos hoje no Brasil uma discussão de juristas sobre a eutanásia (provocar a morte de pacientes em sofrimento de forma ativa), suas sugestões assim como sobre a ortotanásia (não interferir com máquinas e recursos heróicos retardando a morte do paciente e prolongando seu sofrimento). Suas recomendações levarão a votação no congresso nacional para modificação de leis.

Na situação atual o médico ou familiar que participa de qualquer iniciativa para abreviar a vida de um ser amado que, mesmo inconsciente, sofre inutilmente em uma situação terminal, comete um crime. Embora saibamos que estes atos são comuníssimos e mais causados pelos avanços tecnológicos que permitem sobrevidas inútilmente dolorosas que pelo caminhar dos fatos naturais do fim da vida.

Para iluminar a questão seria interessante dizer que a visão generalizada no budismo tem base em episódios como os dos suicídios de Vakkali e Channa, portadores de doenças dolorosas e irreversíveis, aceitos por Buddha com base na compaixão e no fato de que eles eram seres iluminados com mentes livres de egoísmo e portanto aptos a morrer com a melhor mente possível, o ponto mais valorizado no zen budismo, a mente no momento da morte.

O princípio budista sempre retorna para a pergunta sobre como diminuir o sofrimento em lugar de valorizar princípios frios acima de quaisquer considerações baseadas nos sentimentos de compaixão e piedade. Muitas vezes princípios legais rígidos que se sobrepõem a análise particular de cada caso, como sempre propôs o budismo, sem respostas fechadas que não consideram as múltiplas facetas da vida humana.

Cito abaixo um precedente legal japonês, que é influenciado pelo pensamento budista e que pode ajudar nossos legisladores a levar a nação a um nível mais alto de pensamento ético em relação a compaixão com o sofrimento alheio e as numerosas pessoas que ficam deitadas em camas, inconscientes e presas a canos e fios, com altos custos para famílias e sociedade e sofrimento absurdo para si mesmas.

 Declaro de antemão que desejo que meus familiares não permitam que isto suceda comigo, e que meu leito seja desocupado para aqueles que podem usa-lo para se curar:


O caso é usualmente citado como sendo a "Decisão da Corte Suprema de Nagoya de 1962".  No julgamento, a corte identificou seis condições que devem ser preenchidas para se ter permissão legal para a prática da eutanásia: 


a enfermidade é considerada terminal e incurável pela medicina atual e a morte é iminente; 


o paciente deve estar sofrendo de uma dor intolerável, que não pode ser aliviada; 


o ato de matar deve ser executado com o objetivo de aliviar a dor do paciente; 


o ato deve ser executado somente se o próprio paciente fez um pedido explícito; 


cabe ao médico realizar a eutanásia; caso isto não seja possível, em situações especiais será permitido receber assistência de outra pessoa; 


a eutanásia deve ser realizada utilizando-se métodos eticamente aceitáveis (22 December 1962, Nagoya Court, Collected Criminal Cases At High Court, vol.15, n. 9, p. 674). (De artigo sobre eutanásia de Leo Pessini)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

São precisos deuses para existir moral?


Comentário em lista, do Prof. Dr. Ricardo Mário Gonçalves à respeito de anunciada campanha de combate aos ateus, como se a crença em deuses, e seus prêmios e castigos, fosse a  base de toda a moralidade:

"1.A maioria dos ocidentais ainda não consegue pensar em outras religiões sem recorrer ao modelo cristão. Isso porque desconhece a ciência das Religiões, que recorre a conceitos mais abrangentes do que o de Deus, como, por exemplo, o de Sagrado, que é utílizável tanto por monoteístas como por politeístas, animistas, xamanistas e mesmo por adeptos de religiões não-teístas como o Budismo.

2.O budismo é uma religião muito peculiar justamente por ser não-teísta. A maior parte dos ocidentais está tão presa ao modelo cristão que nem sequer consegue pensar na possibilidade de uma religião sem deus(es).

3.Sendo uma religião não-teísta, o budismo está na interface entre as religiões e o ateísmo. Por isso mesmo filósofos ateus contemporâneos como Sam Harris tendem a se aproximar do budismo a partir da Neurociência e da Física de ponta.

4.Identificar moralidade com crença em Deus é uma grande bobagem. Alguns dos maiores crimes registrados na História da Humanidade foram cometidos em nome de Deus: Cruzadas, Inquisição, etc., etc. Já na Antiga Roma o velho e bom poeta Lucrécio denunciava os crimes alicerçados na religião em seu poema didático "De Natura Rerum". Por outro lado, a História registra também ateus notórios e militantes anticlericais que foram homens de grandes virtudes, como por exemplo o filósofo ateu Paul-Henri Thiry, Barão d'Holbach (1723-1789).

gasshô,

Shaku Riman"

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Somos responsáveis pela vida que temos


P. Então se a gente tem o privilégio de ter duas mãos, dois braços, ser portador de um corpo sadio, se o karma nos trouxe até aqui onde estamos, logicamente não teríamos porque ter tanto medo, o medo é uma grande muralha e pensamos se Deus vai nos ajudar quando morrermos...

R. Mas nós não precisamos desta divindade em si, nós já confiamos nesta natureza original, se você quiser chamar esta natureza original de Deus você pode, só que não é uma pessoa, não tem um plano, não interfere, você já pertence a ela, a esta natureza original. Podemos chamar de Deus, mas esta palavra seria outra coisa para criar grandes confusões porque ela já está eivada de outro significado.

P. Eu lamento ter tanto medo em desapegar do corpo, largar do pai, se apegar a outro pai, suscitar outro pai como paraíso...

R Daí queremos que haja uma alma, mas o Budismo já explica: nenhuma alma, não é isto, apenas karma se manifestando, mas nós somos responsáveis pela vida que vai se manifestar a partir do karma que nós construirmos, não, nós somos responsáveis por tudo o que está acontecendo, nós já somos.

P. Onde está aquela criança de 1 ano de idade que eu era ou de 5 ou 10 anos? Já morreu, a gente não nota mais nada...

R. Ainda bem porque se ele estivesse aqui agora o sesshin ia ficar complicado.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Construção do karma


P. Há um karma que é um karma construído pela cultura, pelo meio, pelos condicionamentos, teria um outro karma que vem junto com a carga genética?

R. Há, há karma coletivo da própria humanidade nós chamamos isto, uma construção filosófica que aconteceu no Zen depois do século I, que é o conceito de (alaya vijnana ) consciência depósito universal. Tudo está depositado numa consciência e nós participamos dela, como você mesmo está explicando, simultaneamente você só nasce no Brasil porque tem karma para ser brasileiro, se você tivesse karma para ser terrorista teria nascido na Faixa de Gaza, por exemplo, então é uma questão de que nós nos manifestamos no lugar que nos atrai, cultivem o karma aqui e este karma vai levar você na próxima manifestação para se manifestar naturalmente num lugar com estas oportunidades, não me liberto vou continuar me manifestando. Onde eu queria nascer? Ah, eu queria nascer numa família que me desse acesso ao Dharma, é isto que eu queria, nascer numa família que desde criança me desse acesso ao Dharma, que eu não fosse conhecer na vida adulta, certamente eu já tinha karma para nascer de um pai que era vegetariano, tinha uma série de condutas afins, e por isto fui nascer filho dele, isto é aquilo que nós estamos acumulando aqui. Na hora da morte aquele tipo de mente que vocês tiverem construído é este tipo de mente que vai determinar a próxima manifestação karmica deste karma que vocês construíram, não serão vocês, vocês não se lembram do que foi a identidade passada, vocês são outra identidade agora, mas nesta manifestação passada todos os impulsos básicos já estavam presentes, todos os que vocês sentiram na infância, na adolescência , é aquilo que vocês construíram antes.

terça-feira, 17 de abril de 2012

A torrente


P. Neste sentido a gente não tem idéia se o karma está se dissolvendo...

R. O karma é como estar mergulhado numa torrente que nos arrasta, a maior parte do tempo a gente não consegue escapar do nosso karma, vocês que estão aqui alguns são homens outros são mulheres por karma, já são brasileiros por karma, já estão em Florianópolis por karma, estão no sesshin por karma senão não haveria energia para vir procurar isto, nós vamos marcando um sulco que vai nos arrastando, a gente modifica nosso karma a medida que eu tomo, por exemplo, a iniciativa de procurar ser monge, isto me arrasta, não posso evitar os compromissos de monge, então vai criando aquele sulco, vocês também quando estão trabalhando na Sangha e assumem um cargo o cargo criou uma responsabilidade, aí vocês não podem deixar de ir à Sangha porque tem uma responsabilidade com o grupo, precisa um certo esforço para se desvincular, isto significa o que? Você criou karma para aquela vinculação e o karma funciona para os dois lados, se a gente começar a ir numa casa de jogo ou mais fácil ainda começar a traficar drogas, daqui a pouco não consegue escapar mais de jeito nenhum porque aquele grupo com o qual você se vinculou não deixa mais você escapar, é a mesma coisa, então karma a gente cria constantemente e a gente também pode modificar. Eu comecei a dizer que ia ser monge por volta dos 30 anos, eu comecei a pensar nisto antes dos 30, eu conheci o Dharma com 26 anos, mas eu só fui levar a prática à sério depois de 1992 então a gente também leva tempo para cavar um sulco que nos conduz, aquilo pode ser um simples pensamento – eu quero isto, então a gente pode mudar o karma, dá trabalho, mas tem as oportunidades, normalmente a gente está arrastado pelas correntes, mas existem momentos de reflexão em que você pode fazer uma escolha, às vezes o momento se apresenta, ah, eu posso fazer um sesshin, eu vou para o sesshin.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Descartando o karma


P. A mente dual é nosso grande desafio, na verdade nós estamos fazendo sempre escolhas e quando a gente está deixando de fazer uma coisa está fazendo outra e o caminho é aqui agora, mas sendo pessimista eu tenho impressão de que neste planeta que a gente vive esta mente dual é o limite na verdade para a grande maioria das pessoas e acredito que os iluminados sejam raros, entre milhões, um vai ser iluminado. Esta dualidade vai nos acompanhar sempre...

R. Mas de qualquer forma você está mudando o seu karma e a medida que você muda o seu karma sua próxima manifestação será diversa e posso dizer que vocês todos estão aqui no sesshin não é por acaso, tem karma para estar aqui porque uma pessoa normal mesmo não vem aqui.

P. Sobre a questão da escolha. Acho que há um desafio quando a gente faz escolha porque há uma bagagem, então não basta acordar é preciso dissolver toda essa bagagem...

R. A bagagem kármica talvez não seja tão fácil de perceber, mas ao sentar aqui para fazer zazen vocês estão descartando muito karma porque na medida que a gente muda a mente, os condicionamentos muda o karma. É ele que faz com que nós nos manifestemos, não somos nós que estamos carregando um karma, não é isto, este karma que nós temos é exatamente o nosso condicionamento mental, se você dissolve o seu condicionamento mental na prática da meditação o mundo muda em volta e o seu karma muda, zazen corta karma.

domingo, 15 de abril de 2012

De uma mãe para o blog


Publicado em comentário à postagem "Interrupção da gravidez de anencéfalos":

Quando perdi um filho, escrevi:


Luz e Sombra


Tenho sombra

Em minh’alma

Faltou-me a luz

Que eu daria


Toda dor

É ausência

Faltou-me o filho

Que viria


Toda tristeza

Vem de dentro

Faltou-me o corpo

Que eu gerava


Em que vago, vão momento

Se perdeu?

Que cuidado lhe faltara?


É preciso piscar

Para enxergar

É preciso noite

Para haver dia

Chuva, para abrir o sol

Silêncio em meio à música

Atrito, para rugir a paz,

Solidão para vir o amor,

Dor, para a criação.


É preciso luz,

Para haver sombra,

Ventre, para a gestação.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

14 de abril - Hanamatsuri em Florianópolis

Compaixão e dualidade


P. Mas em alguém iluminado estas virtudes fazem parte dele também?

R. Sim, mas aí ele não precisa mais fazer esforço, quando alguém está iluminado a prática da generosidade, da paciência, da compaixão são completamente naturais porque se ele está iluminado a dor do outro é a dor dele então como ele sente isto naturalmente não se precisa dizer para ele que seja compassivo porque a compaixão é a natureza dele.

P. Compaixão sem dualidade?

R. Agora nós estamos trabalhando a linguagem, o que você está dizendo está certo também. Normalmente quando a gente diz compaixão, compadecer quer dizer padecer com significa na etimologia da palavra, com o outro, então implica a existência de eu e o outro por isto a palavra não é apropriada para expressar o que você está dizendo, segundo o que eu entendi o que você está dizendo é que o ser iluminado sente compaixão sem esta dualidade, é natural a percepção do padecimento do outro, mas aí é porque entre ele e o outro não tem mais distância.

P. Quando nos apiedamos é compaixão?

R. Eu não posso dizer porque normalmente nós sentimos pena e não compaixão. A compaixão seria uma identificação mais profunda , mas agora nós já estamos falando sobre palavras o que torna tudo mais difícil porque ficamos presos à etimologia, ao significado, será que quer dizer isto, será que quer dizer aquilo, e na verdade no Zen nós dizemos sempre que não dá para ensinar isto. Todos, já tem uma certa noção do que nós estamos falando, as pessoas tem experiências bem claras a este respeito, é freqüente a gente dizer eu sinto pena do mendigo que está na calçada e aquilo até pode me estragar alguns momentos da vida porque eu sinto pena dele, mas eu sinto realmente compaixão pela dor de um filho, uma mãe diz assim: preferia que fosse em mim, aí é compaixão. A mãe diz: eu preferia perder o olho e não ver o filho perder o seu, aí é compaixão.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

INTERRUPÇÃO DA GRAVIDEZ DE ANENCÉFALOS


Um enorme debate sobre o tema da interrupção da gravidez de crianças anencéfalas se estabeleceu e deve ter seu fim legal no dia de hoje. Vêzes sem conta se atribuiu à posições religiosas a oposição a esta intervenção que visa poupar mães de grandes sofrimentos físicos e morais. Como sempre se pensa que a visão religiosa é únicamente a de origem judaico-cristã. Não se perguntou, ou divulgou, qual poderia ser a visão budista à respeito. Como monge budista expresso aqui minha apreciação e ponho-me à disposição para defendê-la no forum que surgir baseado nas teses antigas do budismo.

O primeiro erro é julgar que a vida é o foco único do pensamento ético budista, embora a vida deva ser protegida, o sofrimento dos seres vem em primeiro lugar. Não faz sentido manter uma gravidez de um feto que não tem cérebro e vai falecer logo após o nascimento. Forçar uma mãe a sofrer toda uma gravidez sabendo que tem um ser sem o órgão mais importante do corpo apenas por um princípio legal , não passa de crueldade, a interrupção da gravidez libera a mãe de registrar o nascimento e o óbito de uma criança no dia de seu nascimento, além da angústia de meses para ela e a família.

O budismo não tem posições fechadas sobre nada, princípios legais que se sobreponham à compaixão, assim sendo, assumo a responsabilidade e todo o carma resultante, em recomendar e apoiar a interrupção da gravidez de um feto inviável que está tecnicamente morto, sobrevivendo apenas pela sua ligação ao corpo materno. E declaro esta como uma posição religiosa perfeitamente defensável dentro dos princípios compassivos do budismo.


Monge Genshô

No primeiro nível


P. Então a compaixão ela entra como sentimento último para depois haver a claridade?
Monge Genshô: Sim, a compaixão é um dos paramitas, mas prestem atenção, nos paramitas todos generosidade, paciência, compaixão, estas virtudes budistas todas, implicam eu aqui o outro lá, então eu penso generosidade, mas quando eu penso generosidade sou eu que estou sendo generoso com o outro, automaticamente pode ser um paramita, mas ao mesmo tempo ele tem individualidade e tem outros venenos que vem junto, orgulho de ter feito bem, satisfação por ter sido bondoso.

P. Mas no fundo ele é o caminho também? Se a gente não tiver esta conduta principalmente no início e achar que a gente tem que alcançar a última é como se a gente quisesse pular por cima.
Monge Genshô: Sim. É caminho de prática. Por isso toda a prática começa individual, você senta individualmente e a gente diz assim seja compassivo, ontem eu disse na refeição seja tolerante com os erros dos outros, devemos ser tolerantes com os erros dos outros na cerimônia do oryoki, todos cometem erros, todos vão cometer, isto é o que é uma prática virtuosa, mas ela é realmente prática do primeiro nível, nós estamos praticando paramitas, praticando paciência.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Pensamentos que vão e vem


P. Durante o zazen às vezes olho para a janela ou para fora e me defronto com pensamentos que vem, vejo que são fantasias...

Monge Genshô: É adequado. É um primeiro pensamento adequado. Muitas pessoas não se dão conta, muitas pessoas ou todas as pessoas sofrem de alguma infelicidade ou de um sentimento que surge, eles deixam de ver as outras pessoas em volta como seres e começam a ver estas pessoas carregadas de um sentimento projetado por nós, é a pessoa que projeta um pensamento sobre a outra e diz assim eu não gosto dela ou ela tem tal defeito, essa pessoa age assim ou essa pessoa não enxerga, esta pessoa está perdida também e tem dificuldades, tem aquele sentimento de aversão, e este sentimento ignora que aquela pessoa tenha a mesma natureza original, na verdade está perdido dentro do seu eu olhando o outro, e perde todo o sentimento de compaixão, quando perde este sentimento de compaixão então tem aversão, tem raiva, tem ciúme, então não consegue mais exercer a bondade.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Ver a ilusão


P. Fazendo uma analogia se botássemos uma pessoa para assistir um filme, ela ficasse vendo este filme, depois entrasse neste filme e diante da tela branca para forçar a...

Monge Genshô: Forçar a ver a ilusão toda que está dentro, porque você fica virado para a parede e aí o que aparece? Todos os pensamentos que acontecem são o que? Sua vida. O que eles são, que substância, que peso eles tem? São ilusórios. Então se você acorda você acorda do sonho, então acordar realmente é acordar do sonho, quando você está lá dormindo e sonhando pode ser um sonho mau e você sofre, você se angustia e aí se um amigo acorda você, você vê que era um sonho e quando você vê que era um sonho aquele sofrimento desaparece, ainda fica alguns instantes, que bom “que você me acordou” e aquela sensação começa a passar porque você vê que era um sonho, então o nosso processo de treinamento é um processo que visa acordar das ilusões e não é colocar outras ilusões. No treinamento religioso fora do Budismo o que se faz? Se faz colocar mais umas fantasias maravilhosas quaisquer, magníficas, um paraíso cheio de esperança ou um Deus que vai socorrer você ou santos ou qualquer coisa assim e aqui no Budismo o que é que nós estamos fazendo, aqui no Zen? Nós estamos dizendo não, acorde, não tem ninguém para ajudar você e não existe nada fora, mas se você acordar se livrará de tudo isto e há uma coisa magnífica, maravilhosa para ver e esta coisa já está aqui todo tempo, emocionante, feliz, fantástica, é muito feliz este despertar das ilusões, muito, mas alguns pensam que o Budismo tem algo de negação, niilismo, vai quebrando as ilusões, você me tirou tudo, o que sobra? Uma coisa maravilhosa, maravilhosa, mais maravilhosa do que tudo porque não é baseada em nenhuma outra ilusão. Trata-se apenas de acordar e ver que você já está num mundo perfeito, não é um mundo de pesadelos, você já está é só acordar.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Estamos prontos mas adormecidos


P. Não sei se eu estou entendendo, mas a impressão que eu tenho é que nós já estamos prontos, porém estamos bloqueados por um grande ego, o progresso então seria descartar todos estes agregados e toda esta falsa realidade. Estou certo?

Monge Genshô: Muito correto, está muito certo.

P. Sendo assim aí surge uma nova dúvida, o que seria então o progresso se nós já estamos prontos?

R. Por isto dizemos acordar porque nós já estamos prontos mas um homem deitado, dormindo, sonhando, também está pronto.

P. Então nós vivemos milhões de vidas apenas para acordar?

R . Nós vivemos milhões de vida porque não estávamos acordados por isto repetimos karma e o karma cria condições e forças suficientes para novas manifestações, mas se você estivesse acordado esvaziaria as energias karmicas e aí então não haveria energia para haver manifestações e então você estaria liberto e você seria a própria natureza original.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Agregados


P. O que são os agregados?
Monge Genshô: Os agregados são contato, sensação, percepção, formações mentais, consciência, cada uma das coisas que constituem você. Estes são os agregados.

Não há apenas a sabedoria do tempo de meditação sentada. Há também aquela que, passo a passo, ato após ato, faz você ver progressivamente que cada fenômeno pode se realizar instantaneamente, independentemente de sua inteligência e de seu pensamento. Essa é a certificação verdadeira e autêntica de que o fenômeno existe sem perturbar a manifestação da sabedoria. É o poder espiritual do não-agir pela luz que ilumina a si mesma. Por isso, mesmo que muitos Buddhas compreendam a sabedoria no samsara, eles não são do samsara. E, estando livres no nirvana, também não está lá.
Na hora do seu nascimento, a sabedoria não existia. Na hora da sua morte, ela não desaparecerá. Do ponto de vista do estado búdico, ela não aumenta. Do ponto de vista dos sentidos, não diminui. Assim como quando tem ilusões ou dúvidas, você não pode fazer a boa pergunta; do mesmo quando você obtiver a iluminação, não poderá expressá-la. Momento após momento, não considerará nada com a consciência. Durante todas as vinte e quatro horas do dia, você deve ter a calma e a grande tranqüilidade dos mortos. Não pense em nada por sua iniciativa. Assim praticando a expiração e a inspiração, sua natureza profunda e sua natureza sensitiva se tornarão, inconscientemente, o não-saber, a não compreensão.(TEXTO
) (Koun Ejo). Isto é muito importante, o não saber, isto é ensinamento essencial no Zen. Você tem que parar de saber, por isto que a gente insiste no início do sesshin, não dê opinião, não diga como as coisas devem ser feitas, como devem ser melhor feitas, não faça nada disto, não saiba, adquira uma mente de não saber porque isto ajuda muito quando você está sentado na prática, “não sei, estou só aceitando” e se apresentam os pensamentos da sua vida e você deixa eles passarem, agora já estamos no segundo dia muitos dos pensamentos que se apresentaram no primeiro dia já cansaram, você senta eles se apresentam de novo, mas é a centésima vez, então eles vão embora muito fácil, já surgiram, já foram embora, vão perdendo o peso, vão perdendo a força e isto vai elevando você como a chama, é isto que vai clareando o mundo em volta, por isso que tudo vai ficando cada vez mais bonito quando você olha, se fica mais bonito é porque a sua mente está limpando, porque quando a nossa mente está muito cheia de coisas nós não vemos a beleza nas coisas simples, na cortina balançando, na réstia de sol batendo no chão do zendô, a gente não vê que é maravilhoso, não acha o vento assim tão lindo ou este ruído das folhas balançando. Quando a nossa vida está cheia de problemas nós precisamos descartar e à medida que nós deixamos cair vai surgindo um outro mundo, isto é a porta aberta do nirvana, nós podemos ver uma fresta porque é isto mesmo, o samsara é aqui, mas o nirvana também é aqui, a única diferença é a nossa percepção.(COMENTÁRIO)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

As regras e a dualidade


Se você não esperar nada do que faz e negar a considerar o que quer que seja, poderá eliminar tudo apenas pela meditação sentada(TEXTO). Significa fazer coisas sem esperar nada e não considerar o que quer que seja. (COMENTÁRIO).

Apesar das oitenta e quatro mil ilusões irem e virem, se você não lhes der importância e as abandonar, nesse momento, de cada uma delas, uma depois da outra e todas juntas, poderá surgir o maravilhoso mistério do celeiro da grande sabedoria.(TEXTO de Koun Ejo Daioshô)


P. No Budismo Tibetano há diferenças com relação ao conceito de compaixão? Quando você limpa a questão da dualidade e preserva as três características básicas de todas as coisas que existem que são: compaixão (não percebendo você separado dos outros), estado desperto atemporal e vacuidade, há diferença?

Monge Genshô: Não há diferença alguma neste aspecto da maneira como é ensinada no Vajrayana, tenho certeza. Estamos falando aí dessas características e estas são básicas e pertencem a todo o Budismo e quando você lê nos textos Vajrayana também esta questão da não dualidade está presente. Esta questão da não dualidade que está presente na questão da compaixão, ela é comum a todo o Budismo Mahayana. A única escola Budista que não ensina com base na não dualidade nesses aspectos é a escola Theravada. Todas as escolas existentes hoje ensinam Mahayana com exceção desta grande escola e mesmo assim eu diria que estes aspectos estão lá dentro do ensinamento deles também, de que os professores Theravada tem receio, é principalmente o fato de, através da não dualidade, algumas pessoas chegarem a licenciosidade, já que é não dual não existe eu e o outro, não existe certo errado, bom e ruim então não tem porque cumprir as regras, não tem porque ser bom porque afinal de contas o bem e o mal não existem, são dualidades e isto é um sério engano que pessoas que fazem leituras apressadas do Zen e do Budismo acabam cometendo, não é verdade apesar de nós ensinarmos a não dualidade no Zen, você vem fazer a prática no sesshin e o sesshin está cheio de certo e errado. É errado conversar, é errado fazer fofocas, é errado uma porção de coisas e o certo está bem delimitado, a maneira certa de fazer é assim, a maneira certa de caminhar é assim.



P. Neste caso a não dualidade seria a situação ideal, mas a gente não consegue escapar ao viver?

R. Sim, até porque usamos a dualidade na nossa linguagem, classificações e conceitos. São dois tipos de ensinamento, às vezes no Budismo se diz ensinamento provisório e ensinamento definitivo ou ensinamento relativo e ensinamento absoluto. Existe ensinamento relativo, e nós que treinamento nós fazemos no sesshin? Nós fazemos treinamento individual e um treinamento cheio de dualidades, certo, errado, nós não fazemos um treinamento, do tipo: estamos todos iluminados e podemos fazer o que nós acharmos que devemos e não existe nem certo nem errado, portanto cada um se levanta e vai comer na hora que quer, dorme quando quiser, senta se quiser e aí pronto não temos mais sesshin, não temos mais vida monástica nem nada, a vida monástica é regrada e nós vamos ver isto em todas as escolas, existem um ensinamento e existe uma prática, mas para chegar naquele ensinamento de nível mais alto precisa-se ir gradualmente de baixo até em cima, não se pode pegar o ensinamento mais alto e querer praticar em baixo de maneira nenhuma, isto não é possível.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O peso de uma chama


De qualquer maneira, pratique o grande fundamento, aqui e agora. Se você não guardar o pensamento ele não voltará por si só. Se você se entregar à expiração e deixar a inspiração enchê-lo, em um vai e vem harmonioso, nada mais restará do que uma almofada sob o céu vazio, o peso de uma chama.(TEXTO). Nada mais restará do que uma almofada sob o céu vazio. O peso é o peso de uma chama e qual é o peso da chama da vela quando a vemos acesa? Não tem peso, ela se alça sozinha é assim que temos que ser sentados na almofada com o peso de uma chama e isto só se não tem nada a que estamos agarrados.(COMENTÁRIO)


P. Isto já seria o nirvana?

R. O nirvana em si não é um lugar. Vou dar uma resposta zen para isto. Se esta chama não balouçar é nirvana.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Cigarrras e os outros


P. Aqui no zazen quando os pensamentos vão se extinguindo, tem a parede, escuto as cigarras e daqui a pouco parece que estou lá junto com as cigarras cantando. Este é um caminho?

Monge Genshô: Este é um excelente caminho, que é o caminho dos sons, ele é muito bom, alguns mestres ensinam como o melhor caminho o dos sons, você ouvindo e ouvindo todos estes sons como a voz do Buddha, sendo um com todos eles, com toda a sua manifestação, você mesmo, você desaparece e se você desaparece e está com tudo isto então é uma grande libertação e um sentimento de paz, não é uma felicidade eufórica mas muito verdadeira, muito, muito verdadeira.



P. O objetivo do zazen é descartar pensamentos, emoções, sentimentos, mas quando nós somos tomados por um sentimento de compaixão por outros também devemos descartar isto?

R. Quem é que tem compaixão? Lembre-se deste sentimento quem é este que tem compaixão? Ele está aqui e os seres que de ele se compadece estão lá fora? Veja, quando nós temos compaixão temos compaixão pelo outro ser, ainda existe eu aqui e o outro ser de quem eu me compadeço. A compaixão é um caminho, um método, mas ele ainda está dentro do caminho individual porque na verdade quando Buddha vai ensinar aos outros seres não há outros seres para ensinar, este é um problema que você tem que resolver, se tenho compaixão pelos outros seres, mas não há outros seres para ensinar, porque entre você e eles não existe esta distância, enquanto houver esta distância ainda é o eu que está falando. Há uma dualidade.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Zazenkai com Dai-En Bennage Roshi





Neste evento do fim de semana passado, pudemos ouvir o Dharma, receber investiduras leigas e praticar meditação. Muito obrigado a Saikawa Roshi que deu sua licença e a Dai-En Benage Roshi que viajou dos EUA para nos visitar.