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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Quem é Você? (parte 1)




Aluno: Como o senhor mesmo falou: "que face eu tenho antes de meus pais nascerem?". Eu não consegui entender nada disso, não tem sentido isso, porque eu não estou preocupada com o que aconteceu no passado, o que tem a ver? Não pode se agarrar nem aqui e nem lá.

Monge Genshô: Este é um koan. Koan significa literalmente caso público. É uma pergunta que um mestre Zen fez para alguém no passado, e a pergunta era brilhante, tal qual o foi a resposta, mas nós nunca contamos a resposta, porque, se o fizermos, estraga o koan. Você é quem tem que descobrir.

Um mestre perguntou: “me mostra a tua face, vem aqui e me mostra a tua face antes de teus pais terem nascido”. Essa face não tem nada a ver com o teu rosto, porque teus pais ainda não nasceram. Então que rosto seria? Mas então qual a tua verdadeira face, independente de teus ancestrais?

O que é em nós que nunca nasceu? Que nunca morre? Nós sabemos que não é um eu, porque este eu é uma construção que você faz com a operação da sua mente, que acredita que tem um eu; você cria um eu, alguém lhe dá um nome. Qualquer pessoa a quem façamos a pergunta “quem é você?” responde o nome, profissão, qualquer coisa. Uma vez um rapaz me disse:

-  Eu sou esse corpo” e eu disse “e se eu cortar o seu braço direito, seu braço esquerdo, sua perna direita e esquerda você ainda está aí?”

- ”Estou.”

-  “Então não é seu corpo, porque eu tirei vários pedaços e você nem diminuiu. 

(CONTINUA)

[N.E.: trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Iluminação ou Ilusão?




Aluno: A todo o momento os pensamentos vêm e até que ponto você pode saber que é pura ilusão ou pode acreditar que isso seja uma iluminação?

Monge Genshô: Sempre acho mais fácil fazer uma comparação com o orgasmo. Quem já teve não sai perguntando, vem com uma certeza. Entende? Se você duvida, provavelmente não é. Se você se sente como se fosse uma certeza, venha contar e ainda pode ser uma ilusão.

Um rapaz me escreveu, veio aqui e fez um retiro, achou que tinha descoberto algo, voltou para a sua cidade e disse às pessoas que iria ensinar e que iria dirigir retiros. Eu escrevi para ele: “se você quiser continuar ligado ao Daissen-Ji, se você quiser aprender comigo, você deve saber que não pode dizer nada, nem sair ensinando nada antes de ser autorizado”, porque de falsos professores o mundo está cheio, e é muito fácil você ter uma experiência e sair dizendo: “ah, eu tive uma experiência”.

Eu me lembro de uma mulher que sofreu um acidente de automóvel, teve uma epifania e disse que estava iluminada"Você não está iluminada, você teve um acidente de automóvel, você bateu com a cabeça, é completamente diferente”.

Eu conheci o Zen em 1973, só fiz meu Rakusu em 1992, dezenove anos depois; só fui ordenado monge em 2001; só recebi autorização para falar em público oficialmente em 2008; e só recebi meu certificado de professor internacional autorizado a ensinar o Dharma do meu mestre em 2015. Somente a partir desta data é que eu pude ordenar outros monges ou reconhecer a transmissão, uma experiência em alguém. Isso demorou 42 anos. Então, de qualquer jeito demora. Vocês dizem: "eu já estou aqui há dois anos e até agora não consegui nada". Ah, isso não tem importância nenhuma.

[N.E.: trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei] 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A Iluminação é Possível




Aluno: Estando nessa experiência temporal de vida e morte, como é possível você experimentar algo além disso, atemporal?

Monge Genshô: Bem, você tem que confiar na experiência dos mestres da linhagem de toda uma tradição de 2 mil e quinhentos anos. Sim, é possível. A iluminação é possível, não tem nada de tão fantástico. É fantástico, mas não é fantástico. É extraordinário, mas não é extraordinário. Vários alunos já se sentaram na minha frente e me contaram experiências de iluminação, que são experiências fugazes. No último retiro, de quarenta pessoas eu contei três que se sentaram na minha frente e contaram uma experiência real. Mas uma experiência curta, pequena, não é 'A Iluminação'. De qualquer modo, essas pessoas que tiveram mesmo que uma experiência curta não precisam mais de mim para dizer que isso existe, porque já experimentaram um pedacinho. Agora tudo o que eu posso dizer é: "vá mais fundo, faça isso e isso, tem muito mais, você mal arranhou a casca, tem muito mais para descobrir". Essas pessoas não precisam mais ter fé, pois já experimentaram. 
Isso é o ensinar, uma escola para a iluminação.

[N.E.: trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]