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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Poucas Pessoas Fazem a Diferença


Há um livro chamado "De amor e trevas", e nele fica muito claro como os judeus pensavam enquanto eram vítimas na Europa: "quando nós tivermos um lugar, seremos bons, seremos generosos; nossos vizinhos, os árabes, serão nossos irmãos; nós seremos pessoas diferentes dos nazistas". Mas não precisou muito tempo para parte dos judeus se transformar em pessoas odiosas, tirânicas, etc., como aqueles que lhes fizeram as mesmas coisas no passado.

Então, nós temos que olhar a questão de como surgem esses sentimentos nos homens. Os homens pensam que são bons, mas se olharmos atentamente, não é assim tão claro.

Por isso existem, por exemplo, no budismo, os preceitos. Por que existem os preceitos? Por que eles precisam ser tão enfáticos? Por que os mestres precisam dizer “você tem que não matar, você tem que escapar das paixões, você tem que cultivar uma mente de compaixão”, por que repetimos isso nas cerimônias? Por que o Daihi Shin Dharani é o mantra da grande mente de compaixão, por quê? Porque as mentes não são naturalmente compassivas: elas são egoístas.

As sanghas também são assim. Frequentemente, os líderes de sangha começam um grupo numa cidade muito entusiasmados. Não passa muito tempo para me escreverem assim: “Mas ninguém ajuda, só eu trabalho, todo mundo só vem aqui e vai embora, ninguém pergunta o que eu preciso”. Eu digo: “Peça ajuda, diga que precisa.”. Como dizemos aqui na sangha: “Ah, nós precisamos de dinheiro para pagar a luz, para pagar o aluguel”. E, ao final, são algumas pessoas que trabalham para fazer com que a comunidade tenha recursos. 

Ao mesmo tempo, se tivermos uma pessoa em cada 100 dando tiros na rua, como é que dá para viver? Não dá. 

Então, essas são as realidades. Precisamos ampliar nossa consciência acerca do fato de que poucas pessoas são as que fazem a diferença, tanto para o bem quanto para o mal.


[N.E.: texto transcrito de Palestra realizada por Monge Meihô Genshô em Florianópolis, 26/09/2016]