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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Budismo e Comportamento




Aluna: Sobre a questão da fala, o senhor é bem pontual em relação a usar palavrões de qualquer tipo…

Monge: Faz muitos anos que eu não uso isso. Nem minha esposa nem ninguém pode fazê-lo em casa. A nossa cachorra eu não sei muito bem o que ela está dizendo (risos). Mas nós estabelecemos esse padrão. E não faz falta nenhuma. Ao contrário, porque todas as vezes que você usa palavras baixas, você está trazendo para este ambiente as referências ligadas àquelas palavras. Elas são meros sons, mas são sons que remetem você a sentimentos baixos ou desagradáveis e, portanto, não são um bom treinamento para a mente.

Aluna: Fui a um lugar que não era assim. Lá todo mundo dava risada. Eu ficava tentando não julgar porque eu não estava tendo muita noção…

Monge: Compreendo, mas vamos dizer de outra forma. Na nossa linhagem, isto é não admitido. Se você quer praticar aqui, tem que assumir certas regras. Nossa maneira de falar tem que ser bonita e elevada. Nossos hábitos de alimentação têm que ser tanto quanto possível hábitos que evitam o sofrimento. Nenhuma violência é admissível. Nenhum uso de drogas é admissível. Nós não devemos perturbar nossa mente. Tudo que trás essas perturbações deve ser afastado. São cinco regras básicas: não matar, não roubar, não enganar, não usar sua sexualidade de forma a causar sofrimento e não usar substâncias que alterem sua consciência. Se você quer praticar nesta linhagem, você tem que admitir que a prática é essa. É claro que nós nunca conseguimos cumprir os preceitos com perfeição, mas tem que haver esforço nesse sentido. E a prática na Sangha é uma prática assim. Como eu explico muitas vezes, a Sangha não é uma democracia. A Sangha é uma autocracia. Você vem para a Sangha porque gosta da linhagem, gosta da maneira como este professor ensina. Se você não gosta da maneira como o professor ensina, existem tantos outros lugares... Vá para outro lugar. É assim. Nós não estamos preocupados em salvar as almas das pessoas, porque no budismo não se pensa nisso. Não se pensa que as pessoas estão condenadas. Tem muito tempo. Muito, muito tempo. Milhões de anos, milhares de vidas para você. Se nesse momento não é admissível para você, não é. Tente outra prática, outro lugar.

[N.E.: transcrição de trecho de palestra realizada pelo Monge Genshô Sensei]